{"id":12950,"date":"2017-05-05T15:31:32","date_gmt":"2017-05-05T18:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/vladmiroliveiradasilveira.com.br\/?p=12950"},"modified":"2017-05-05T15:31:32","modified_gmt":"2017-05-05T18:31:32","slug":"educacao-para-o-desenvolvimento-sustentavel-eds-e-o-greening-das-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/educacao-para-o-desenvolvimento-sustentavel-eds-e-o-greening-das-universidades\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) e o Greening das Universidades"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><!--more--><\/h2>\n<h2 class=\"entry-title\" style=\"text-align: center;\">Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) e o Greening das Universidades<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>L\u00edvia Gaigher B\u00f3sio Campello <\/strong>P\u00f3s-Doutora em Direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. Doutora em Direito pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo \u2013 PUC\/SP. E-mail: livia.gaigher@uol.com.br.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><a style=\"color: #333333;\" href=\"http:\/\/vladmiroliveiradasilveira.com.br\/curriculo\/\"><strong>Vladmir Oliveira da Silveira <\/strong><\/a>P\u00f3s-Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina \u2013 UFSC. E-mail: Vladmir@aus.com.br.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Revista Thesis Juris<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Editora cient\u00edfica: <\/strong>Profa. Dra. Mariana Ribeiro Santiago <strong>DOI: 10.5585\/rtj.v5i2.464<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>RESUMO<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente artigo tem como objetivo primordial tra\u00e7ar a evolu\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) no \u00e2mbito das declara\u00e7\u00f5es internacionais, um hist\u00f3rico com o qual ainda poucos acad\u00eamicos das IES est\u00e3o familiarizados. Com efeito, examina como a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) se conforma ou n\u00e3o em um novo paradigma com suas pr\u00f3prias dimens\u00f5es e tamb\u00e9m como isso atinge e pode ser implementado nas universidades. Ademais, apresenta alguns dos principais par\u00e2metros e elementos para o <em>greening <\/em>das universidades com base nas diretrizes mundiais da <em>International Organization for Standardization <\/em>(ISO) e tamb\u00e9m da <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PALAVRAS-CHAVE: <\/strong>Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS); Universidades; Declara\u00e7\u00f5es Internacionais; <em>International Organization for Standardization <\/em>(ISO); <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>ABSTRACT<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>This article has as main objective to trace the evolution of Education for Sustainable Development (ESD) in the international declarations. Indeed, it examines how the Education for Sustainable Development (ESD) conforms or not with a new paradigm with its own dimensions and as achieves and can be implemented in universities. In addition, presents some of the major parameters and elements to the greening of universities based on the global guidelines of the International Organization for Standardization (ISO) as well as the Global Reporting Initiative (GRI).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>KEYWORDS: <\/em><\/strong><em>Education for Sustainable Development (ESD); Universities; International Declarations; International Organization for Standardization (ISO); Global Reporting Initiative (GRI).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fevereiro de 2003 foi proposta pelo Jap\u00e3o e adotada pela Resolu\u00e7\u00e3o 57\/254 da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas a \u201cD\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, que teve seu in\u00edcio efetivo em 2005 e t\u00e9rmino em 2014. A D\u00e9cada ofereceu uma grande oportunidade \u00e0 academia para fazer mudan\u00e7as profundas e at\u00e9 mesmo radicais, que s\u00e3o necess\u00e1rias nas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (IES), no intuito de cumprir suas responsabilidades para cria\u00e7\u00e3o de um mundo melhor e sustent\u00e1vel. Abriu-se, portanto, o tempo para uma reflex\u00e3o profundamente cr\u00edtica e uma mudan\u00e7a construtiva no ambiente acad\u00eamico, em torno da crise da biosfera e das atuais estruturas educacionais, que ainda se apresentam menos adequadas para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades do futuro e mais tendentes a refor\u00e7ar as caracter\u00edsticas da nossa era atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, haja vista a necessidade de dar continuidade com a introspec\u00e7\u00e3o cr\u00edtica impulsionada pela \u201cD\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, o presente artigo tem como objetivo tra\u00e7ar a evolu\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) no \u00e2mbito das declara\u00e7\u00f5es internacionais, um hist\u00f3rico com o qual ainda poucos acad\u00eamicos das IES est\u00e3o familiarizados. Nesse sentido, passa a verificar como a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) se conforma ou n\u00e3o em um novo paradigma com suas pr\u00f3prias dimens\u00f5es e tamb\u00e9m como isso alcan\u00e7a e pode ser implementado nas universidades. E, enfim, pretende apresentar alguns dos principais\u00a0par\u00e2metros e elementos para o <em>greening <\/em>das universidades com base nas diretrizes mundiais da <em>International Organization for Standardization <\/em>(ISO) e tamb\u00e9m da <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI). Por se tratar de uma pesquisa explorat\u00f3ria e descritiva utilizar-se-\u00e1 o m\u00e9todo dedutivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> HIST\u00d3RICO DO MOVIMENTO NAS DECLARA\u00c7\u00d5ES INTERNACIONAIS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas 57\/254, de dezembro de 2002, que proclama a D\u00e9cada da Educa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (2005-2014) e convida os governos a promover e aperfei\u00e7oar a integra\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel nas estrat\u00e9gias educacionais, culmina um processo internacional\u00a0longo e diversificado no \u00e2mbito internacional 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento no Ensino Superior tra\u00e7a as suas ra\u00edzes at\u00e9 a Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo sobre o Ambiente Humano adotada na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em junho de 1972. Por\u00e9m, apesar de conter pouco sobre o <em>greening <\/em>e a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS), sem d\u00favida chamou a aten\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Muito embora a confer\u00eancia n\u00e3o estivesse focada especificamente nas iniciativas de sustentabilidade da universidade, os princ\u00edpios oferecidos na declara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possuem relev\u00e2ncia neste campo, vez que reconhecem sobretudo a interdepend\u00eancia entre a humanidade e o meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo teve um foco abertamente centrado no homem, afirmando que as na\u00e7\u00f5es devem melhorar o ambiente humano para as gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras. Uma meta a ser perseguida em conjunto e em harmonia com os objetivos estabelecidos e fundamentais da paz mundial e do desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Em seu Princ\u00edpio 19 afirma a necessidade de educa\u00e7\u00e3o ambiental da escola prim\u00e1ria \u00e0 idade adulta, sob a justificativa de que a educa\u00e7\u00e3o serve para ampliar a base de opini\u00f5es esclarecidas e a conduta respons\u00e1vel por indiv\u00edduos, empresas e comunidades no intuito de proteger e melhorar o meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s cinco anos, influenciada pela Carta de Belgrado, emergiu a primeira Confer\u00eancia\u00a0Intergovernamental sobre Educa\u00e7\u00e3o Ambiental do mundo, composta por delegados de 68\u00a0Estados e 20 Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais, em Tbilisi, Ge\u00f3rgia, outubro de 1977, cujo resultado foi a Declara\u00e7\u00e3o de Tbilisi, a qual pediu para que a educa\u00e7\u00e3o considere o ambiente\u00a0em sua totalidade, natural e constru\u00eddo, tecnol\u00f3gico e social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico, hist\u00f3rico- cultural, \u00e9tico e est\u00e9tico. E, ainda, sopese ser um processo longo e cont\u00ednuo, al\u00e9m de interdisciplinar em sua abordagem2. Como explica Tarah Wright3, \u201cA Confer\u00eancia Tbilisi ecoa os sentimentos da Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo, afirmando que a educa\u00e7\u00e3o ambiental deve ser fornecida a pessoas de todas as idades, em todos os n\u00edveis de aptid\u00e3o acad\u00eamica, e deve ser entregue nos dois \u00e2mbitos, formais e n\u00e3o-formais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o discute a necessidade da\u00a0educa\u00e7\u00e3o ambiental, as principais caracter\u00edsticas da educa\u00e7\u00e3o ambiental, e oferece orienta\u00e7\u00f5es para estrat\u00e9gias internacionais de a\u00e7\u00e3o, incluindo recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para o ensino universit\u00e1rio, forma\u00e7\u00e3o especializada, coopera\u00e7\u00e3o internacional e regional, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de pessoal, informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico, t\u00e9cnico e profissional e programas e materiais educativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o pede que o ensino superior considere as preocupa\u00e7\u00f5es ambientais e de sustentabilidade no \u00e2mbito geral da universidade\u201d. Al\u00e9m disso, a Declara\u00e7\u00e3o de Tbilisi reconhece requisitos para o desenvolvimento de iniciativas de sustentabilidade dentro da universidade, entre professores, alunos e funcion\u00e1rios. Foi a primeira declara\u00e7\u00e3o a tomar uma abordagem internacional e hol\u00edstica para o meio ambiente dentro de um contexto de ensino superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1991, a Declara\u00e7\u00e3o de Halifax, adotada a partir da Confer\u00eancia sobre a A\u00e7\u00e3o da Universidade para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, realizada na Universidade de Dalhousie, Halifax, Canad\u00e1, pediu que as Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior &#8211; IES colocassem muito mais peso sobre o valor do trabalho interdisciplinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em favor do mantra <em>Green<\/em>, \u201cpensar globalmente, agir localmente\u201d, a declara\u00e7\u00e3o solicitou para que as IES fossem mais proativas em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e sublinhou as a\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas concretas. Segundo Tarah Wright4, \u201cO principal objetivo da confer\u00eancia foi o de considerar que as universidades poderiam desempenhar seu papel de melhoria da capacidade dos pa\u00edses para abordar quest\u00f5es ambientais e de desenvolvimento [&#8230;] O resultado foi a Declara\u00e7\u00e3o de Halifax, que reconheceu o perfil de lideran\u00e7a das universidades o qual poderia ser desempenhado em um mundo em s\u00e9rio risco de danos ambientais irrepar\u00e1veis [&#8230;] afirmou que a comunidade universit\u00e1ria deve ser desafiada a repensar e reconstruir as suas pol\u00edticas e\u00a0pr\u00e1ticas ambientais a fim de contribuir para o desenvolvimento sustent\u00e1vel em n\u00edvel local, nacional e internacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Declara\u00e7\u00e3o de Halifax ofereceu uma nova dimens\u00e3o \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de sustentabilidade, uma vez que ofereceu um plano de a\u00e7\u00e3o o qual delineou as metas de curto e longo prazo para as universidades canadenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo a Declara\u00e7\u00e3o de Halifax embasou a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio de Janeiro, Brasil, junho de 1992. Especificamente a Agenda 21 inclui a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u2013 EDS no Cap\u00edtulo 36 sobre a \u201cPromo\u00e7\u00e3o do Ensino, da Conscientiza\u00e7\u00e3o e do Treinamento\u201d. O referido Cap\u00edtulo aponta Tbilisi como principal precedente, juntamente com as recomenda\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia Mundial sobre Ensino para Todos: Satisfa\u00e7\u00e3o das Necessidades B\u00e1sicas de Aprendizagem, Jomtien, Tail\u00e2ndia, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cap\u00edtulo 36 da Agenda 21 abrange muitos aspectos da educa\u00e7\u00e3o, formal e n\u00e3o- formal, superior e de base, enfatizando a \u201cEduca\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Humano Sustent\u00e1vel\u201d. Nesse sentido, o item 36.3 afirma que: \u201cTanto o ensino formal como o informal s\u00e3o indispens\u00e1veis para modificar a atitude das pessoas, para que estas tenham capacidade de avaliar os problemas do desenvolvimento sustent\u00e1vel e enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensino \u00e9 tamb\u00e9m fundamental para conferir consci\u00eancia ambiental e \u00e9tica, valores e atitudes, t\u00e9cnicas e comportamentos em conson\u00e2ncia com o desenvolvimento sustent\u00e1vel e que favore\u00e7am a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica efetiva nas tomadas de decis\u00e3o. Para ser eficaz, o ensino sobre meio ambiente e desenvolvimento deve abordar a din\u00e2mica do desenvolvimento do meio f\u00edsico\/biol\u00f3gico, do socioecon\u00f4mico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-se em todas as disciplinas e empregar m\u00e9todos formais e informais e meios efetivos de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas vertentes que inspiram o Cap\u00edtulo s\u00e3o a reorienta\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a sensibiliza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e o refor\u00e7o na forma\u00e7\u00e3o para auxiliar nesse processo. Nesse passo, o Cap\u00edtulo 36 convida os pa\u00edses a apoiar as universidades para educa\u00e7\u00e3o ambiental e desenvolvimento, oferecendo a todos os estudantes cursos interdisciplinares. E, ainda, fortalecer ou criar nas universidades centros nacionais ou regionais de excel\u00eancia para pesquisa e ensino interdisciplinares nas ci\u00eancias de meio ambiente e desenvolvimento, direito e manejo de problemas ambientais espec\u00edficos (itens 36.5, \u201ci\u201d e \u201cj\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, tais precedentes est\u00e3o longe de consistir em \u00fanicos nesse processo. Em outubro de 1990, os l\u00edderes da universidade para um futuro sustent\u00e1vel (<em>Association of University Leaders for a Sustainable Future <\/em>&#8211; ULSF) reuniram-se em <em>Tufts University\u00a0<\/em><em>European Center<\/em>, Talloires, Fran\u00e7a5. A Declara\u00e7\u00e3o de Talloires, um documento influente, foi endossada por cerca de 280 universidades de 40 na\u00e7\u00f5es. Evidentemente, esta \u00e9 uma pequena propor\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do mundo, e dentre estas, apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o tem abordado seriamente a implementa\u00e7\u00e3o desta ideia 6. No entanto, Talloires prescreve que na cria\u00e7\u00e3o de um futuro justo e sustent\u00e1vel para toda a humanidade em harmonia com a natureza, as universidades t\u00eam um papel importante na educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, forma\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, al\u00e9m da troca de informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para tornar esse objetivo poss\u00edvel 7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ULSF promove a EDS com base na Carta da Terra, uma iniciativa criada em 1994 por Maurice Strong e Mikhail Gorbachev que, enquanto produto de um processo de consulta aberta que envolveu milhares de pessoas e centenas de organiza\u00e7\u00f5es de todo o mundo, se consolidou como documento em mar\u00e7o de 2000. \u00c9 a evid\u00eancia de um movimento popular crescente em todo o mundo que procura garantir um futuro melhor para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta argumenta que a humanidade \u00e9 uma s\u00f3 fam\u00edlia com um destino comum que compartilha a responsabilidade m\u00fatua para a vida e para as gera\u00e7\u00f5es futuras. O Princ\u00edpio 8 nos convida a avan\u00e7ar no estudo da sustentabilidade ecol\u00f3gica e a livre troca de conhecimento. O Princ\u00edpio\u00a014 nos impele a integrar, na educa\u00e7\u00e3o formal e na aprendizagem ao longo da vida, os valores do conhecimento e as habilidades necess\u00e1rias para um modo de vida sustent\u00e1vel 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma segunda iniciativa \u00e9 o <em>Campus Earth Summit, <\/em>o Campus da C\u00fapula da Terra, em\u00a01995, na Universidade de Yale, a qual produziu o documento intitulado <em>Blueprint for a Green Campus<\/em>, um plano de a\u00e7\u00e3o para o \u201cCampus Verde\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Heinz 9, um campus verde \u00e9 aquele que integra o conhecimento ambiental em todas as disciplinas relevantes, melhora a oferta de cursos com estudos ambientais, oferece oportunidades para os alunos para pesquisarem os problemas ambientais locais, realiza auditorias ambientais das suas pr\u00e1ticas, institui pol\u00edticas de aquisi\u00e7\u00e3o ambientalmente respons\u00e1veis, reduz o desperd\u00edcio no campus,\u00a0maximiza a efici\u00eancia energ\u00e9tica, faz com que a sustentabilidade ambiental seja uma prioridade no uso da terra, transporte e planejamento de constru\u00e7\u00e3o, estabelece uma associa\u00e7\u00e3o estudantil ambiental e apoia os estudantes que procuram carreiras ambientalmente respons\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dez recomenda\u00e7\u00f5es do <em>Campus Earth Summit <\/em>come\u00e7am com duas que enfatizam o ensino com o argumento de que o conhecimento ambiental deve ser integrado em todas as disciplinas relevantes e que a qualidade da oferta dos cursos ambientais deve ser melhorada. Tamb\u00e9m pede-se apoio aos estudantes durante o seu tempo no campus, por meio do estabelecimento de uma associa\u00e7\u00e3o estudantil ambiental e apoio adicional para os estudantes que procuram carreiras ambientalmente respons\u00e1veis. S\u00e3o projetadas para garantir que a pegada ecol\u00f3gica do ensino superior seja t\u00e3o pequena quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, a lideran\u00e7a foi definida por COPERNICUS-CAMPUS10, com o\u00a0<em>Cooperation\u00a0\u00a0 Programme\u00a0\u00a0 in\u00a0\u00a0 Europe\u00a0\u00a0 for\u00a0\u00a0 Research\u00a0\u00a0 on\u00a0\u00a0 Nature\u00a0\u00a0 and\u00a0\u00a0 Industry\u00a0\u00a0 through Coordinated University Studies<\/em>, o qual tra\u00e7a as suas origens desde 198811. O programa cobra das Universidades o seu dever de propagar a literatura ambiental e promover a pr\u00e1tica da \u00e9tica ambiental na sociedade. O documento afirma que a \u201cEduca\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, especialmente a educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, para a forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes e professores, deve ser orientada para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, promover atitudes ambientalmente conscientes [&#8230;] tornar-se a educa\u00e7\u00e3o ambiental no sentido mais amplo do termo\u201d12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo per\u00edodo, a Declara\u00e7\u00e3o de Swansea, promovida pela <em>Association of Commonwealth Universities <\/em>em sua 15\u00aa Confer\u00eancia, na Universidade de Wales, Swansea, em agosto de 1993, e a mais influente Declara\u00e7\u00e3o de Kyoto sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, de 1990, produzida pela <em>International Association of Universities <\/em>(IAU), em seu nono per\u00edodo de mesa redonda no Jap\u00e3o, pediram para que as IES disseminassem uma compreens\u00e3o mais clara do desenvolvimento sustent\u00e1vel, de modo a respeitar as obriga\u00e7\u00f5es \u00e9ticas do \u201cdesenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as capacidades das futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d e ainda refor\u00e7assem a capacidade de ensinar e desenvolver pesquisas sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialmente Kyoto se concentra em quest\u00f5es \u00e9ticas. Nesse sentido, enfatiza a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica da gera\u00e7\u00e3o atual para superar essas pr\u00e1ticas de utiliza\u00e7\u00e3o de recursos e as disparidades difundidas que est\u00e3o na raiz da insustentabilidade\u00a0ambiental e, ainda, para melhorar a compreens\u00e3o da \u00e9tica ambiental dentro da universidade e com o p\u00fablico em geral. Uma caracter\u00edstica final da declara\u00e7\u00e3o foi seu desafio \u00e0s universidades, n\u00e3o s\u00f3 para promover a sustentabilidade por meio da educa\u00e7\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas 13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Declara\u00e7\u00e3o de Swansea acrescentou uma dimens\u00e3o interessante para a discuss\u00e3o da\u00a0sustentabilidade no ensino superior, em que sublinhou a igualdade entre os pa\u00edses como um fator importante para se alcan\u00e7ar a sustentabilidade. Os membros da <em>Association of Commonwealth Universities <\/em>reconhecem que, embora a sustentabilidade ambiental tenha grande import\u00e2ncia para os pa\u00edses desenvolvidos, as na\u00e7\u00f5es menos desenvolvidas t\u00eam prioridades mais urgentes e imediatas. A Declara\u00e7\u00e3o de Swansea tamb\u00e9m apelou para que as universidades dos pa\u00edses mais ricos ajudem na evolu\u00e7\u00e3o dos programas de sustentabilidade ambiental universit\u00e1rios em na\u00e7\u00f5es menos ricas em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambas as declara\u00e7\u00f5es salientam a necessidade de literatura ambiental que supere os pronunciamentos anteriores, em apoio \u00e0 interdisciplinaridade. A omiss\u00e3o quanto a isso tornou-se uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em documentos posteriores. Assim, a Declara\u00e7\u00e3o de Thessaloniki, adotada em dezembro de 1997, come\u00e7a por referir sobre a falta de progresso, ou seja, que as recomenda\u00e7\u00f5es e planos das confer\u00eancias anteriores ainda v\u00e1lidos, n\u00e3o s\u00e3o plenamente explorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Declara\u00e7\u00e3o de Thessaloniki afirma a \u00eanfase especial que deve ser dada \u00e0 reorienta\u00e7\u00e3o dos programas de forma\u00e7\u00e3o de professores, na esperan\u00e7a de que os professores ir\u00e3o espalhar a palavra pela comunidade. Tamb\u00e9m come\u00e7a a ponderar sobre um problema central, que \u00e9 quem pagar\u00e1 por este trabalho. Sua sugest\u00e3o \u00e9 de que todos os envolvidos invistam uma parte das verbas do processo de <em>greening <\/em>no fortalecimento da\u00a0educa\u00e7\u00e3o ambiental 14.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em complemento, explica Tarah Wright15 que \u201cA declara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reconheceu que as iniciativas de sustentabilidade devem ocorrer em todos os n\u00edveis da sociedade e devem ser de natureza interdisciplinar. A declara\u00e7\u00e3o argumenta que o conceito de sustentabilidade ambiental deve ser claramente ligado \u00e0 pobreza, popula\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a alimentar, democracia, direitos humanos, paz e sa\u00fade e respeito pelo conhecimento cultural e ecol\u00f3gico tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, a Declara\u00e7\u00e3o de Thessaloniki afirmou que todas as disciplinas devem abordar quest\u00f5es relacionadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e que os curr\u00edculos universit\u00e1rios devem ser orientados para uma abordagem hol\u00edstica da educa\u00e7\u00e3o. Finalmente, a declara\u00e7\u00e3o convoca os governos e l\u00edderes em educa\u00e7\u00e3o para honrar os compromissos que j\u00e1 tinham sido feitos na assinatura das declara\u00e7\u00f5es anteriores sobre sustentabilidade ambiental\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo mil\u00eanio viu um grau de uni\u00e3o no movimento internacional. O <em>Global Higher Education for Sustainability Partnership <\/em>(GHESP) integrou a IAU, ULSF, COPERNICUS e a UNESCO. Uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es de sua Declara\u00e7\u00e3o de L\u00fcneburg, de outubro de\u00a02001, foi a globaliza\u00e7\u00e3o. O ensino superior para o desenvolvimento humano sustent\u00e1vel foi visto como um componente cr\u00edtico dos esfor\u00e7os para humanizar a globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o, portanto, afirma que a educa\u00e7\u00e3o em todas as suas formas desempenha um papel indispens\u00e1vel para enfrentar os desafios cr\u00edticos do desenvolvimento sustent\u00e1vel. As quest\u00f5es interligadas da globaliza\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da pobreza, justi\u00e7a social, democracia, direitos humanos, paz e prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente exigem parcerias inclusivas para se criar um ambiente de aprendizagem global. E o ensino superior tem uma responsabilidade especial para gerar novos conhecimentos necess\u00e1rios e formar os l\u00edderes e professores de amanh\u00e3, bem como comunicar esse conhecimento para os governantes e o p\u00fablico em geral 16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes ainda da resolu\u00e7\u00e3o da ONU que convocou a D\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da\u00a0Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a partir de 2005, foi adotada a Declara\u00e7\u00e3o de Ubuntu sobre Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, em setembro de 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta foi proclamada na C\u00fapula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel em Johanesburgo, em 2002, em nome da educa\u00e7\u00e3o e das organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do mundo, em um processo liderado pela Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas e pela UNESCO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Declara\u00e7\u00e3o de Ubuntu confirma que uma maior \u00eanfase na educa\u00e7\u00e3o, especialmente voltada para ci\u00eancia e tecnologia, \u00e9 essencial para alcan\u00e7ar as metas do desenvolvimento sustent\u00e1vel. E busca uma alian\u00e7a global para promover esse fim. A Declara\u00e7\u00e3o insta aos Estados da C\u00fapula Mundial para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, em sua agenda p\u00f3s-confer\u00eancia, a convidar educadores, administradores p\u00fablicos e todas as partes interessadas para rever os programas e curr\u00edculos das escolas e universidades, a fim de melhor responder aos desafios e oportunidades do desenvolvimento sustent\u00e1vel, com foco na cria\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos de\u00a0aprendizado que ofere\u00e7am habilidades, conhecimentos, reflex\u00f5es, \u00e9tica e valores em conjunto de uma forma equilibrada 17.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que se mencionar a Declara\u00e7\u00e3o de Barcelona de outubro de 2014 que apela \u00e0 multidisciplinaridade, ao pensamento cr\u00edtico e participativo e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o integral dos engenheiros. Como explica Lozano et al18, \u201cembora a Declara\u00e7\u00e3o de Barcelona esteja focada na educa\u00e7\u00e3o em engenharia, seus princ\u00edpios s\u00e3o v\u00e1lidos tamb\u00e9m para outras disciplinas\u201d. \u00c9 preciso destacar a Declara\u00e7\u00e3o de Turin, produzida em maio de 2009 na It\u00e1lia, a qual sublinha a <em>Sustainability Science <\/em>que vem a desempenhar um papel cada vez mais importante \u00e0 medida que prescreve que a sustentabilidade n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada apenas envolvendo as ci\u00eancias naturais, mas tamb\u00e9m deve abranger as ci\u00eancias da vida, sociais e humanidades19. E, ainda, a Declara\u00e7\u00e3o de Abuja, produzida em maio de 2009 na 12\u00aa Confer\u00eancia Geral da Associa\u00e7\u00e3o das Universidades Africanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores desta declara\u00e7\u00e3o reconhecem os problemas de sustentabilidade no continente africano, tais como pobreza, doen\u00e7as, conflitos, degrada\u00e7\u00e3o do solo, desmatamento e urbaniza\u00e7\u00e3o, e o papel do ensino superior na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento e educa\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes e educadores do futuro20. Finalmente, importa sublinhar uma nova iniciativa lan\u00e7ada na Confer\u00eancia do Rio+20 em 2012 que diz respeito \u00e0s pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior21. A iniciativa foi convocada pela ag\u00eancia da ONU para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco), Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Pacto Global, com apoio dos Princ\u00edpios para a Gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Respons\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas (PRME) e do Programa Ambiental das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNEP). Com efeito, foi produzida a Declara\u00e7\u00e3o da Iniciativa de Sustentabilidade da Educa\u00e7\u00e3o Superior 22.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> EDUCA\u00c7\u00c3O PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL (EDS): UM NOVO PARADIGMA<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Educadores ambientais carregam uma vis\u00e3o para um mundo melhor, em que os neg\u00f3cios, ind\u00fastrias, Poder P\u00fablico e cidad\u00e3os priorizem pr\u00e1ticas de gest\u00e3o ambiental que visam deixar pegadas ecol\u00f3gicas cada vez menores. Tamb\u00e9m preveem uma sociedade mais justa, solid\u00e1ria e equitativa, em que o bem-estar do meio ambiente, a sociedade e a economia se equilibram na busca do desenvolvimento e da qualidade de vida para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse caminho, a Estrat\u00e9gia de Conserva\u00e7\u00e3o Mundial, lan\u00e7ada em 1980 pela IUCN (<em>International Union for Conservation of Nature and Natural Resources<\/em>), UNEP (<em>United Nations Environment Programme<\/em>) e WWF (<em>World Wildlife Fund<\/em>), introduziu o conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel, em especial o termo \u201csustent\u00e1vel\u201d em face do uso humano da biosfera. No entanto, os antecedentes do debate sobre a sustentabilidade s\u00e3o evidentes nas discuss\u00f5es de \u201c<em>Limits to growth<\/em>\u201d no in\u00edcio de 1970, e as ra\u00edzes do pr\u00f3prio conceito podem ser rastreadas desde a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, em 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Estrat\u00e9gia de Conserva\u00e7\u00e3o Mundial foi expressiva ao salientar que conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento ao inv\u00e9s de serem atividades mutuamente exclusivas, como havia sido discutido at\u00e9 aquele momento, s\u00e3o interdependentes. Com efeito, enfatizou que o desenvolvimento exige a conserva\u00e7\u00e3o da base dos recursos vivos, dos quais depende em \u00faltima inst\u00e2ncia. Da mesma forma, a conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorrer\u00e1 se n\u00e3o forem satisfeitas as exig\u00eancias para o m\u00ednimo de desenvolvimento, ou seja, as necessidades b\u00e1sicas de por exemplo, alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As defini\u00e7\u00f5es posteriores de \u201csustentabilidade\u201d e \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d refletem uma gama de perspectivas. A despeito de n\u00e3o haver um acordo sobre uma interpreta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do conceito, h\u00e1 um consenso geral de que envolve a satisfa\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos objetivos econ\u00f4micos, ambientais e sociais. Integrar crit\u00e9rios ambientais em\u00a0uma sociedade que n\u00e3o respeita os objetivos econ\u00f4micos e sociais em mat\u00e9ria de justi\u00e7a e equidade n\u00e3o gera sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o mais emblem\u00e1tica de \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d \u00e9 a estabelecida no relat\u00f3rio Nosso Futuro Comum, o \u201cRelat\u00f3rio <em>Brundtland<\/em>\u201d de 1987, da Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que afirma: \u201cA humanidade tem a capacidade de realizar o desenvolvimento sustent\u00e1vel &#8211; para garantir que ele atenda \u00e0s necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de satisfazerem as suas pr\u00f3prias necessidades\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, \u201co conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o implica limites em termos absolutos, mas limita\u00e7\u00f5es impostas pelo atual estado da tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o social sobre os recursos ambientais, e pela capacidade da biosfera para absorver os efeitos de atividades humanas. Mas a tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o social podem ser geridas e melhoradas para abrir caminho para uma nova era de crescimento econ\u00f4mico\u201d. E, ainda, em ess\u00eancia, o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 um \u201cprocesso de mudan\u00e7a no qual a explora\u00e7\u00e3o dos recursos, a dire\u00e7\u00e3o dos investimentos, a orienta\u00e7\u00e3o do desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a mudan\u00e7a institucional, est\u00e3o todos em harmonia para melhorar tanto o potencial atual como\u00a0futuro, a fim de atender \u00e0s necessidades e aspira\u00e7\u00f5es humanas\u201d23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o conceito ou direito ao desenvolvimento sustent\u00e1vel24 \u00e9 aquele que provavelmente todos endossariam, uma vez que captura o pr\u00e9-requisito fundamental e temporal da sustentabilidade \u2013 que \u00e9 a persist\u00eancia para o futuro, a ser alcan\u00e7ado em longo prazo &#8211; cuja refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e9 a equidade intergeracional. Por outro lado, a formula\u00e7\u00e3o <em>Brundtland <\/em>pode ser vista como emblem\u00e1tica, pois expressa um consenso qualificado atingido por uma Comiss\u00e3o da ONU encarregada de conciliar objetivos t\u00e3o contradit\u00f3rios como a prote\u00e7\u00e3o ambiental e o crescimento econ\u00f4mico. Uma defini\u00e7\u00e3o suficientemente vaga foi uma boa estrat\u00e9gia pol\u00edtica no seu contexto. O pre\u00e7o desse consenso \u00e9 a ambiguidade. Todavia, em seu aspecto positivo a ambiguidade pode incentivar as discuss\u00f5es e debates.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aceita\u00e7\u00e3o de um termo bastante indefinido prepara o terreno para uma situa\u00e7\u00e3o na qual quem puder fixar a defini\u00e7\u00e3o para o termo ganhar\u00e1 automaticamente uma batalha pol\u00edtica pela influ\u00eancia sobre o nosso futuro. Alguns gostariam de abandonar o conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel, argumentando que \u00e9 demasiadamente vago para ser \u00fatil. Mas\u00a0conceitos extraordin\u00e1rios n\u00e3o possuem uma defini\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, tal como democracia, justi\u00e7a, bem-estar, por exemplo. S\u00e3o conceitos importantes, mais dial\u00e9ticos do que anal\u00edticos, no sentido de que possuem penumbras ou zonas de contradi\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o absolutamente apropriados para lidar com o fen\u00f4meno da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os termos \u201csustentabilidade\u201d e \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d merecem distin\u00e7\u00e3o. Sustentabilidade \u00e9 o objetivo ou destino final. Exatamente o que define o estado de ser, do que \u00e9 sustent\u00e1vel (quer se trate de uma sociedade, extra\u00e7\u00e3o de madeira, pesca, etc.). \u00c9 informado pela ci\u00eancia, mas em \u00faltima an\u00e1lise, depende de valores pessoais e vis\u00f5es de mundo. Para alcan\u00e7ar um estado de sustentabilidade ambiental, \u00e9 necess\u00e1rio um processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certas condi\u00e7\u00f5es e etapas t\u00eam de ser cumpridas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201csustentabilidade\u201d. O quadro do desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 o meio para alcan\u00e7ar a sustentabilidade. Em suma, \u201csustentabilidade\u201d refere-se \u00e0 meta e \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d \u00e9 o caminho ou mapa para alcan\u00e7\u00e1-la. Al\u00e9m disso, saliente-se que desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de crescimento econ\u00f4mico. O crescimento \u00e9 sobre tornar-se quantitativamente maior, enquanto desenvolvimento, por outro lado, \u00e9 sobre tornar-se qualitativamente melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto, cumpre observar a cr\u00edtica de autores25 sobre a retomada do crescimento\u00a0como objetivo do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Ao contr\u00e1rio da retomada do crescimento econ\u00f4mico, muitos defendem apenas a necessidade de limitar as atividades humanas \u00e0 capacidade de suporte do planeta, bem como o n\u00edvel da popula\u00e7\u00e3o e o padr\u00e3o m\u00e9dio de consumo <em>per capita <\/em>de recursos naturais. No entanto, a men\u00e7\u00e3o \u00e0 retomada do crescimento econ\u00f4mico trouxe popularidade ao desenvolvimento sustent\u00e1vel entre os pol\u00edticos e profissionais de modo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento sustent\u00e1vel exp\u00f5e o crescimento econ\u00f4mico de uma nova maneira, o redimensiona com o atendimento das necessidades vitais de alimentos, abastecimento de \u00e1gua, energia e empregos, aumento e conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, novos rumos \u00e0 tecnologia e gerenciamento dos riscos, incorpora\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es ambientais nas tomadas de decis\u00e3o, etc. Dito de outra forma, o desenvolvimento \u00e9 sustent\u00e1vel na dimens\u00e3o econ\u00f4mica quando a qualidade de vida do ser humano tem preponder\u00e2ncia sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com a quantidade de produ\u00e7\u00e3o e lucro ou quando h\u00e1 melhorias cont\u00ednuas na qualidade de vida com uma menor intensidade na utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais preservando-se um estoque inalterado ou mesmo aumentado este estoque para as gera\u00e7\u00f5es futuras. A crise surge,\u00a0justamente, quando a press\u00e3o econ\u00f4mica sobre o meio ambiente ultrapassa seus limites. Nesse sentido, o grande desafio \u00e9 o equil\u00edbrio entre o alcance do meio ambiente desejado e os custos envolvidos na consecu\u00e7\u00e3o desse fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, haja vista que a dimens\u00e3o ambiental da sustentabilidade \u00e9 sobre a manuten\u00e7\u00e3o dos processos ecol\u00f3gicos essenciais, preserva\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica e utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel das esp\u00e9cies e dos ecossistemas, o desenvolvimento sustent\u00e1vel sugere que as li\u00e7\u00f5es da ecologia podem e devem ser aplicadas aos processos econ\u00f4micos. E, quanto \u00e0 abordagem social, o desenvolvimento sustent\u00e1vel est\u00e1 diretamente relacionado com o aumento no n\u00edvel de vida das pessoas pobres, o que pode ser medido em termos alimenta\u00e7\u00e3o, rendimentos, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, abastecimento de \u00e1gua, saneamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, embora as defini\u00e7\u00f5es e abordagens para a sustentabilidade possam variar de acordo com o ponto de vista e interesse de quem define, tradicionalmente, o termo \u201csustent\u00e1vel\u201d \u00e9 mais fluente entre aqueles com preocupa\u00e7\u00f5es ambientais e a maioria das defini\u00e7\u00f5es, portanto, refletem esta \u00eanfase. Isso, sem d\u00favida, irradia para o conte\u00fado da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental, no entanto, para tratar da sustentabilidade, saber que n\u00e3o pode haver comunidades sustent\u00e1veis e institui\u00e7\u00f5es sem justi\u00e7a social. Do mesmo modo em que a considera\u00e7\u00e3o do ser humano \u00e9 parte essencial da verdadeira sustentabilidade. Nesse sentido, um compromisso com a sustentabilidade implica o reconhecimento de que os desafios sociais, ambientais e econ\u00f4micos do s\u00e9culo XXI s\u00e3o reais e exigem que a ordem econ\u00f4mica e a pol\u00edtica global estejam apoiadas em diferentes valores e\u00a0pr\u00e1ticas 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esta perspectiva, a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (EA) se difere expressivamente da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS), sendo um componente essencial da EDS27. Nesse sentido, apontam Jos\u00e9 Carlos Barbieri e Dirceu da Silva que: \u201cA EA \u00e9 um\u00a0componente essencial da EDS, entre muitos outros componentes, tais como sistemas din\u00e2micos, sustentabilidade econ\u00f4mica, globaliza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o intercultural, pensamento estrat\u00e9gico, educa\u00e7\u00e3o fundamentada na comunidade etc. A EA \u00e9 um componente da EDS e um dos que contribu\u00edram para sua conceitua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a EDS se volta para as dimens\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas, a EA se concentra na dimens\u00e3o ambiental. A EDS prov\u00ea orienta\u00e7\u00e3o \u00fatil para a EA. A EA, diferentemente da EDS, confere aten\u00e7\u00e3o quase exclusiva sobre as for\u00e7as naturais e aten\u00e7\u00e3o insuficiente para a necessidade de mudan\u00e7as profundas nas for\u00e7as sociais que limitam a habilidade de desenvolver um modo de vida equilibrado com o meio ambiente. A EA tem falhado, em grande medida, em iniciar uma discuss\u00e3o com tomadores de decis\u00e3o dos governos e das empresas, enquanto a EDS procura fazer isso de modo expl\u00edcito. A EA representa interesses de grupos. A EDS tem um foco mais n\u00edtido e\u00a0cr\u00edtico do que a EA\u201d28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) possui uma abordagem mais ampla do que a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (EA), com uma aten\u00e7\u00e3o equilibrada entre os pilares da sustentabilidade, ambiental, social e econ\u00f4mico, e n\u00e3o apenas baseada nas ci\u00eancias ambientais. Muito embora esta vertente possa ser questionada em seu car\u00e1ter ideol\u00f3gico pela aproxima\u00e7\u00e3o com a ordem socioecon\u00f4mica vigente no nosso planeta, consideramos importante este processo mais amplo de discuss\u00e3o que abrange e interconecta os diversos pilares da sustentabilidade em torno das quest\u00f5es humanas urgentes.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong> SUSTENTABILIDADE NAS UNIVERSIDADES E AS DIMENS\u00d5ES DO \u201c<em>TRIPLE BOTTOM LINE<\/em>\u201d<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), uma universidade sustent\u00e1vel \u00e9 aquela em que as atividades s\u00e3o ecol\u00f3gicas, social e culturalmente justas e economicamente vi\u00e1veis. Para isso, segue alguns princ\u00edpios fundamentais: (i) promove a articula\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o da responsabilidade social, \u00e9tica e ambiental, na sua miss\u00e3o institucional; (ii) integra a sustentabilidade social, econ\u00f4mica e ambiental em todo o curr\u00edculo, comprometendo-se com sistemas de pensamento cr\u00edtico, interdisciplinaridade e\u00a0com a literatura sustent\u00e1vel enquanto atributo universal da gradua\u00e7\u00e3o; (iii) dedica-se a pesquisa sobre temas de sustentabilidade considerando o \u201c<em>quadruple bottom line<\/em>\u201d [aspectos econ\u00f4mico, social, ambiental e ainda acrescenta a governan\u00e7a]; (iv) presta servi\u00e7os \u00e0 comunidade em geral, incluindo parcerias com escolas, governo, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e empresas; (v) planeja a estrutura do campus para redu\u00e7\u00e3o do carbono; (vi) mant\u00e9m o foco nas metas ambientais, promovendo o acompanhamento eficaz, relat\u00f3rios e melhorias cont\u00ednuas; (vii) impulsiona pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que promovem a equidade, diversidade e qualidade de vida para os alunos, funcion\u00e1rios e a comunidade; (viii) promove o campus como \u201claborat\u00f3rio vivo\u201d em que o estudante \u00e9 envolvido na aprendizagem ambiental para transform\u00e1-la; (ix) celebra a diversidade e aplica a inclus\u00e3o cultural; (x) apoia a\u00a0coopera\u00e7\u00e3o entre Universidade em n\u00edvel nacional e global 29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica-se, portanto, que se destacam duas vertentes conceituais em refer\u00eancia ao papel da universidade para a sustentabilidade. A primeira considera a quest\u00e3o educacional como uma pr\u00e1tica fundamental para que as IES possam contribuir na qualifica\u00e7\u00e3o de seus egressos, futuros tomadores de decis\u00e3o, para que incluam em suas pr\u00e1ticas profissionais a preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es de sustentabilidade. E, a segunda vertente enfatiza o posicionamento e conduta das IES na implementa\u00e7\u00e3o da sustentabilidade nos seus campus universit\u00e1rios. Dito de outro modo, a vis\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel se apresenta mais ampla e abrangente do que a Educa\u00e7\u00e3o sobre o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a qual se refere \u00e0 discuss\u00e3o te\u00f3rica e a tomada de consci\u00eancia a partir de dados sobre o desenvolvimento sustent\u00e1vel. A Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel engloba tanto a parte te\u00f3rica quanto uma atua\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica por interm\u00e9dio de pol\u00edticas, programas, processos e opera\u00e7\u00f5es no campus universit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A universidade historicamente tem proporcionado um ref\u00fagio seguro para a inova\u00e7\u00e3o e o ativismo. Como afirma Anthony Cortese30, \u201cO ensino superior possui liberdade acad\u00eamica \u00fanica, massa cr\u00edtica e diversidade de habilidades para desenvolver novas ideias, para argumentar sobre a sociedade e seus desafios, e ainda se envolver na corajosa experimenta\u00e7\u00e3o da vida sustent\u00e1vel\u201d. \u00c9 de fato onde j\u00e1 existem redes interdisciplinares que podem contribuir para a massa cr\u00edtica e divulga\u00e7\u00e3o de novas ideias. No entanto, ainda \u00e9 preciso avaliar os riscos e desafios da sustentabilidade nas universidades. Isso pode ser feito analisando-se\u00a0separadamente as dimens\u00f5es do \u201c<em>triple bottom line<\/em>\u201d, meio ambiente, economia e sociedade, reconhecendo-se suas inter-rela\u00e7\u00f5es e o papel crucial da governan\u00e7a, quarta dimens\u00e3o, por interm\u00e9dio das tradicionais tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, as universidades incorporam as quest\u00f5es ambientais, os riscos e desafios das comunidades em que est\u00e3o situadas, mas tamb\u00e9m expressam suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas. Em certo n\u00edvel, uma universidade pode ser comparada a uma pequena cidade com todas as quest\u00f5es associadas de ordenamento do territ\u00f3rio, gest\u00e3o do crescimento f\u00edsico e desenvolvimento, manuten\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios e espa\u00e7os abertos, fornecimento de eletricidade, \u00e1gua e outros servi\u00e7os p\u00fablicos. Al\u00e9m disso, existem as fun\u00e7\u00f5es corporativas de gest\u00e3o das finan\u00e7as, compras, recursos humanos, etc. H\u00e1 uma infinidade de quest\u00f5es ambientais distintas envolvidas, como a quest\u00e3o do consumo de recursos, emiss\u00f5es de carbono, despejo de res\u00edduos e polui\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realiza\u00e7\u00e3o de um campus ambientalmente sustent\u00e1vel representa uma mudan\u00e7a de paradigma no pensamento e na pr\u00e1tica institucional das universidades. Nessa perspectiva, tomando-se o consumo de energia como exemplo e sabendo-se que o percentual de energia proveniente de fontes renov\u00e1veis (hidr\u00e1ulica, e\u00f3lica, solar, geot\u00e9rmica, biocombust\u00edveis) era de aproximadamente 8% em 2010, uma universidade que \u00e9 sustent\u00e1vel em termos de consumo de energia \u00e9 aquela que busca derivar 100% de suas necessidades energ\u00e9ticas a\u00a0partir de fontes renov\u00e1veis 31.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os riscos envolvem aspectos financeiros e de reputa\u00e7\u00e3o os quais motivam algumas institui\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. O maior desafio \u00e9 minimizar os impactos ambientais, apoiados na legisla\u00e7\u00e3o, mas insustent\u00e1veis, das atividades da universidade, mantendo e ampliando seu n\u00facleo de ensino, pesquisa e extens\u00e3o32. Para enfrentar este desafio deve haver uma compreens\u00e3o das particularidades das atividades da universidade bem como seus impactos ambientais. Em outras palavras, considerar as principais \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o, segundo par\u00e2metros ambientais, tais como energia, carbono e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e1gua, res\u00edduos, e biodiversidade, e conforme par\u00e2metros de gest\u00e3o, tais como o planejamento, concep\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do campus. Al\u00e9m disso, importa a ecologiza\u00e7\u00e3o das atividades operacionais espec\u00edficas, tais como escrit\u00f3rios, laborat\u00f3rios, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, transporte e compras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista econ\u00f4mico, especificamente quanto aos impactos das institui\u00e7\u00f5es sobre os sistemas econ\u00f4micos a n\u00edvel local, regional ou nacional, as universidades s\u00e3o grandes empregadoras, investidoras e compradoras de bens e servi\u00e7os. H\u00e1 oportunidades em termos de apoio direto e indireto para empregos locais, investimentos eticamente sustent\u00e1veis e estrat\u00e9gias de aquisi\u00e7\u00f5es verde que podem ajudar a integrar a sustentabilidade ao longo da cadeia de abastecimento (por exemplo, a determina\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios do desempenho ambiental\u00a0nas licita\u00e7\u00f5es)33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um desafio comum \u00e9 a dificuldade de financiamento p\u00fablico. O custo \u00e9 um fator significativo na maior parte do investimento para sustentabilidade, e em alguns casos pode parecer um desafio insuper\u00e1vel. No entanto, mesmo em situa\u00e7\u00f5es em que desastres naturais ou condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dificultosas limitem os or\u00e7amentos universit\u00e1rios ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para manter suas portas abertas, op\u00e7\u00f5es para lidar com os imperativos de sustentabilidade est\u00e3o dispon\u00edveis. Normalmente, estas envolver\u00e3o a capta\u00e7\u00e3o de verbas em torno da gest\u00e3o de energia, \u00e1gua e materiais, que podem fornecer uma reserva para futuro\u00a0investimento em iniciativas de sustentabilidade34. O risco \u00e9 que a administra\u00e7\u00e3o pode acolher\u00a0as economias, mas estar relutante em canaliz\u00e1-las para novos empreendimentos verdes, abandonando, assim, a oportunidade para a melhoria cont\u00ednua nesse dom\u00ednio. Segundo Rauch, a chave aqui \u00e9 uma mudan\u00e7a da mentalidade de \u201ccomando e controle\u201d para uma vis\u00e3o partilhada 35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o social da sustentabilidade, que diz respeito aos impactos da organiza\u00e7\u00e3o\u00a0sobre os sistemas sociais, precisa ser considerada em dois n\u00edveis. Em um n\u00edvel interno no que diz respeito \u00e0s pr\u00f3prias estruturas organizacionais formais e informais da universidade e, externamente, no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es da universidade com a comunidade em geral. Nesse ponto, importa ressaltar o compromisso com os aspectos trabalhistas em face dos direitos reconhecidos internacionalmente, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e controle dos riscos laborais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou ainda o compromisso com a assist\u00eancia aos empregados, familiares e \u00e0 comunidade externa no tratamento de doen\u00e7as, por exemplo. O ponto central \u00e9 ganhar o apoio e compromisso dos alunos, docentes, funcion\u00e1rios e administradores, cujas motiva\u00e7\u00f5es, prioridades e modos de pensar e fazer podem ser colocadas. Tamb\u00e9m \u00e9 importante evitar o <em>greenwash, <\/em>que se refere \u00e0 situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o incomum em que uma organiza\u00e7\u00e3o faz afirma\u00e7\u00f5es\u00a0graves sobre a quest\u00e3o ambiental, mas pouco ou nada atua sobre elas. Assim, mesmo antes de realizar um compromisso formal para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, deve haver um n\u00edvel suficiente de maturidade organizacional para produzir confian\u00e7a para a comunidade universit\u00e1ria no sentido de que as decis\u00f5es ser\u00e3o seguidas 36.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumpre acrescentar aqui uma men\u00e7\u00e3o ao consenso global de que as organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam\u00a0a responsabilidade de respeitar os direitos humanos. Nesse sentido, as universidades devem se ater aos casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e \u00e0s capacidades de seus agentes de desfrutar dos seus direitos a exemplo da n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o, igualdade de g\u00eanero, liberdade de associa\u00e7\u00e3o, proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e for\u00e7ado e os direitos ind\u00edgenas. O quadro jur\u00eddico internacional para os direitos humanos \u00e9 composto por um extenso corpo normativo de tratados, declara\u00e7\u00f5es e outros instrumentos guiados pela Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos\u00a0Humanos (1948) e pelos Pactos subsequentes (1966) 37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade abre novos desafios, mas tamb\u00e9m gera grandes oportunidades. Governos, empresas, ONG\u2019s e indiv\u00edduos &#8211; e um n\u00famero crescente de universidades &#8211; j\u00e1 demonstraram progressos significativos. O caminho \u00e0 frente est\u00e1 bem iluminado em termos de estrat\u00e9gias dispon\u00edveis, por exemplo, as normas de gest\u00e3o ambiental e responsabilidade social da <em>International Organization for Standardization <\/em>(ISO) e recursos espec\u00edficos universit\u00e1rios da <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI) que foram desenvolvidos por associa\u00e7\u00f5es internacionais e organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da pol\u00edtica e gest\u00e3o para a sustentabilidade, a ISO 14001 (<em>Environmental Management Systems &#8211; <\/em>EMS) especifica elementos importantes aplic\u00e1veis a todos os tipos e tamanhos de organiza\u00e7\u00f5es de diversas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, culturais e sociais38. O objetivo da ISO 14001 \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente em equil\u00edbrio com as necessidades socioecon\u00f4micas. O seu compromisso \u00e9 com o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o e dos regulamentos aplic\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ISO 14001 exige que a pol\u00edtica ambiental de uma organiza\u00e7\u00e3o: (i) seja liderada, no contexto universit\u00e1rio, pelo Reitor, Vice-Reitor, Pr\u00f3-reitores e diretores. (ii) seja adequada \u00e0 natureza dos impactos ambientais das atividades, produtos e servi\u00e7os da institui\u00e7\u00e3o. (iii) inclua um compromisso de melhoria cont\u00ednua e preven\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o. (iv) cumpra os requisitos legais aplic\u00e1veis aos aspectos ambientais. (v) siga par\u00e2metros para fixa\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o dos objetivos e metas ambientais. (vi) seja documentada, implementada e\u00a0mantida. (vii) seja compartilhada com todas as pessoas que trabalham para ou em nome da institui\u00e7\u00e3o (isso inclui estudantes, empreiteiros, agentes tempor\u00e1rios, etc.) (viii) esteja dispon\u00edvel para o p\u00fablico39. Importante observar que estes pontos destacados na pol\u00edtica de sustentabilidade da universidade devem ser ampliados em uma vis\u00e3o hol\u00edstica para incluir explicitamente os elementos sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os programas de gest\u00e3o sustent\u00e1vel ou planos de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o o motor para a transforma\u00e7\u00e3o da universidade. Cada universidade possui suas pr\u00f3prias metas e estruturas organizacionais para execu\u00e7\u00e3o destes planos que geralmente s\u00e3o projetados para lidar com dois aspectos fundamentais. Os aspectos biof\u00edsicos, tais como energia, carbono e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, consumo de \u00e1gua, produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Todos s\u00e3o bastante pertinentes para a grande maioria das opera\u00e7\u00f5es da universidade. Al\u00e9m destes, os aspectos espec\u00edficos das atividades s\u00e3o importantes, tais como planejamento do campus, design e desenvolvimento, aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, sustentabilidade dos escrit\u00f3rios, laborat\u00f3rios, servi\u00e7os de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e de transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo do primeiro aspecto \u00e9 o desafio das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que pode servir de ponto de apoio para transforma\u00e7\u00e3o institucional. A necessidade de neutralizar o carbono antecipa uma gama de oportunidades de aprendizagem organizacional em v\u00e1rios aspectos do ensino superior. No pr\u00f3prio desenvolvimento do plano de a\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de um invent\u00e1rio de gases de efeito estufa &#8211; GEE, em que as compensa\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es, tais como planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores e cr\u00e9ditos de energia renov\u00e1vel, tamb\u00e9m precisam ser inclu\u00eddas40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vista do segundo aspecto, a aquisi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 igualmente um importante motor para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. A aquisi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica alinha contratos de fornecimento e a sustentabilidade com os objetivos da Universidade. A aquisi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 sobre a prefer\u00eancia por bens e servi\u00e7os que minimizem os impactos ambientais e atendam a crit\u00e9rios \u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o das propostas dos fornecedores importam as pr\u00e1ticas existentes de gest\u00e3o interna de sustentabilidade e a certifica\u00e7\u00e3o ambiental (ISO 14001 e 9000, respectivamente); as pr\u00e1ticas empregat\u00edcias justas, por exemplo, que promove a inclus\u00e3o das mulheres e minorias para cargos de alto escal\u00e3o; a exist\u00eancia de relat\u00f3rios p\u00fablicos, como o relat\u00f3rio de\u00a0responsabilidade social corporativa; as estrat\u00e9gias e planos de sustentabilidade, com inclus\u00e3o\u00a0de metas e exemplos de realiza\u00e7\u00f5es sobre \u00e1gua, energia e res\u00edduos; pr\u00e1tica de servi\u00e7os sustent\u00e1veis, como eco-fabrica\u00e7\u00e3o, reciclagem, gest\u00e3o rigorosa de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acompanhamento, a avalia\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o dos progressos s\u00e3o aspectos que devem integrar a sustentabilidade das universidades. A ISO 14001 tra\u00e7a diretrizes para a condu\u00e7\u00e3o de auditorias internas. Esses sistemas de auditoria visam a melhoria no desempenho do pr\u00f3prio sistema e indiretamente a performance da sustentabilidade. As melhores pr\u00e1ticas combinam as auditorias internas do sistema com a avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do desempenho da universidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade, o que, por conseguinte, requer a produ\u00e7\u00e3o e\u00a0comunica\u00e7\u00e3o pela via dos relat\u00f3rios 41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, um relat\u00f3rio de sustentabilidade da universidade deve refletir tanto a miss\u00e3o e atividades da institui\u00e7\u00e3o, como as expectativas da comunidade universit\u00e1ria e de outras partes interessadas. Nesse sentido, as Diretrizes da <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI)42 se destinam a ser aplic\u00e1veis a maioria das organiza\u00e7\u00f5es, independentemente do tamanho, tipo, setor ou localiza\u00e7\u00e3o. A funda\u00e7\u00e3o independente desenvolveu uma estrutura abrangente de relat\u00f3rios de sustentabilidade, com base em um conjunto de princ\u00edpios e indicadores de\u00a0desempenho que as organiza\u00e7\u00f5es podem usar para medir e relatar seus aspectos nos campos ambiental, social e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A GRI apresenta a <em>Sustainability Reporting Guidelines, Sector Supplements and the Technical Protocol &#8211; Applying the Report Content Principles<\/em>. Os relat\u00f3rios de sustentabilidade t\u00eam sido definidos como a pr\u00e1tica de medir, divulgar e prestar contas aos interessados internos e externos sobre o desempenho organizacional em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 meta do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Um relat\u00f3rio de sustentabilidade \u00e9 um instrumento bastante interessante de acompanhamento a ser utilizado pelas universidades, pois nele se deve fornecer uma representa\u00e7\u00e3o equilibrada e razo\u00e1vel da performance de sustentabilidade da organiza\u00e7\u00e3o relatora incluindo tanto contribui\u00e7\u00f5es positivas como negativas bem como o real desempenho da institui\u00e7\u00e3o nos campos ambiental, social e econ\u00f4mico.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, verificou-se que os impactos antropog\u00eanicos s\u00e3o de \u00e2mbito global. Cerca de 60% dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos no planeta foram degradados ou\u00a0est\u00e3o sendo utilizados de forma insustent\u00e1vel e o ser humano \u00e9 respons\u00e1vel pela modifica\u00e7\u00e3o\u00a0dos ecossistemas mais intensivamente e extensivamente nos \u00faltimos 50 anos do que em qualquer outro per\u00edodo da hist\u00f3ria. Nesse contexto, este estudo constatou que o desenvolvimento sustent\u00e1vel pressup\u00f5e que a humanidade mude dramaticamente seu curso atual para garantir uma vida segura e saud\u00e1vel para as gera\u00e7\u00f5es futuras, cujo foco est\u00e1 em uma combina\u00e7\u00e3o equilibrada de desenvolvimento ambiental, econ\u00f4mico e social, ou seja, a sustentabilidade integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa perspectiva, considera n\u00e3o poder haver um mundo sustent\u00e1vel, onde as universidades promovam a insustentabilidade. Na sociedade contempor\u00e2nea, dentre as institui\u00e7\u00f5es, as universidades em suas atividades de ensino, pesquisa e extens\u00e3o se apresentam em melhores condi\u00e7\u00f5es para facilitar a transi\u00e7\u00e3o para um futuro sustent\u00e1vel, uma vez que devem ser a vanguarda n\u00e3o apenas das pesquisas como tamb\u00e9m das tomadas de atitudes que refletem as circunst\u00e2ncias sociais, econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas do pa\u00eds e regi\u00e3o onde est\u00e3o situadas. Nesse sentido, conclui que as mudan\u00e7as necess\u00e1rias para se criar um futuro sustent\u00e1vel dependem do engajamento das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente \u00e9 ineg\u00e1vel e bem observado o crescimento da consci\u00eancia sobre as transforma\u00e7\u00f5es das universidades nos debates da comunidade internacional. Nesse sentido, o presente estudo trouxe o pano de fundo da Declara\u00e7\u00e3o da \u201cD\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d (2005-2014) para abordar o <em>greening <\/em>das universidades. Com efeito, a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) nas universidades foi apresentada como um processo fundamental e cont\u00ednuo de aprendizagem para tomar as decis\u00f5es que consideram o futuro a longo prazo da ecologia, economia e a equidade de todas as comunidades. Nesse caminho, confirmou a urgente e necess\u00e1ria reconcilia\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas imperativos no \u00e2mbito das universidades, o ecol\u00f3gico, para que se considere a capacidade de suporte do meio biof\u00edsico do nosso planeta, o social, para que se priorize sistemas de governan\u00e7a que propaguem valores da sociedade, e o econ\u00f4mico, para que se proporcione um padr\u00e3o material adequado de vida para todos. Concomitantemente, na Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS) ao lidar com estas tr\u00eas vertentes, demonstrou-se que as universidades podem e devem se valer de modelos de gest\u00e3o reconhecidos globalmente desenvolvidos pela <em>International Organization for Standardization <\/em>(ISO) e tamb\u00e9m diretrizes da <em>Global Reporting Initiative <\/em>(GRI), al\u00e9m de uma gama de iniciativas pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis retiradas tanto da experi\u00eancia como da literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verificou-se que desde Tbilisi, as preocupa\u00e7\u00f5es gerais sobre a sustentabilidade t\u00eam evolu\u00eddo internacionalmente, por interm\u00e9dio do reconhecimento das barreiras disciplinares e administrativas, em um processo que busca avan\u00e7ar na integra\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o nas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IES dos valores essenciais para uma vida sustent\u00e1vel. Contudo, ainda \u00e9 preciso olhar para frente e se concentrar em algumas ideias emergentes para promover a Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (EDS), al\u00e9m das estruturas existentes, como a inclus\u00e3o da sustentabilidade no ensino e na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para vencer o conservadorismo e o desafio da interdisciplinaridade. As institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m precisam reduzir suas pr\u00f3prias pegadas ambientais devendo inclusive nesse aspecto desenvolver pol\u00edticas institucionais para al\u00e9m da sustentabilidade dos recursos naturais, que conectam a sustentabilidade por exemplo com a quest\u00e3o da empregabilidade e a inclus\u00e3o social.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTAS<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A Assembleia designou a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura \u2013 UNESCO\u00a0para liderar a promo\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 UNESCO-UNEP.\u00a0\u00a0 Tbilisi Declaration, Intergovernmental Conference on Environmental Education. Paris: UNESCO, 1978.\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel em:\u00a0\u00a0 <a href=\"http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0003\/000327\/032763eo.pdf\">http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0003\/000327\/032763eo.pdf<\/a>. Acesso em\u00a020.01.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 WRIGHT, Tarah. Definitions and Frameworks for Environmental Sustainability in Higher Education. In:\u00a0<em>H<\/em><em>i<\/em><em>gh<\/em><em>e<\/em><em>r Education Policy<\/em>, Volume 15, Issue 2, 2002. pp. 105-120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 WRIGHT, Tarah. Definitions and Frameworks for Environmental Sustainability in Higher Education. In:\u00a0<em>H<\/em><em>i<\/em><em>gh<\/em><em>e<\/em><em>r Education Policy<\/em>, Volume 15, Issue 2, 2002. pp. 105-120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Conforme <a href=\"http:\/\/www.ulsf.org\">http:\/\/www.ulsf.org<\/a>. Acesso em 20.01.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 WRIGHT, Tarah. Definitions and Frameworks for Environmental Sustainability in Higher Education. In:\u00a0<em>H<\/em><em>i<\/em><em>gh<\/em><em>e<\/em><em>r Education Policy<\/em>, Volume 15, Issue 2, 2002. pp. 105-120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 ULSF. <em>Programs<\/em>: Talloires Declaration. Washington, DC: Association of University Leaders for a Sustainable\u00a0Future, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 A Carta da Terra est\u00e1 dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/earthcharter.org\/discover\/the-earth-charter\/\">http:\/\/earthcharter.org\/discover\/the-earth-charter\/<\/a>. Acesso em 10.03.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 HEINZ, T. <em>Blueprint for a Green Campus<\/em>: The Campus Earth Summit Initiatives for Higher Education. New\u00a0York: Heinz Family Foundation, 1995. p. 02.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 Uma rede universit\u00e1ria europeia para o desenvolvimento sustent\u00e1vel a qual desenvolve estrat\u00e9gias para incorpora\u00e7\u00e3o deste conceito no ensino superior europeu. Em 1993, foi assinada a COPERNICUS University Charter for Sustainable Development, em conson\u00e2ncia com a Rio-92 quanto ao avan\u00e7o da conscientiza\u00e7\u00e3o dentro das universidades europeias. At\u00e9 o momento, mais de 320 institui\u00e7\u00f5es de 38 pa\u00edses da Europa assinara \u00e0 carta afirmando que conceder\u00e3o ao desenvolvimento sustent\u00e1vel um lugar importante em suas atividades. Ver, nesse sentido, <em>COPERNICUS Guidelines for Sustainable Development in the European Higher Education Area. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/copernicus-campus.or\">http:\/\/copernicus-campus.or<\/a>. Acesso em 14.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 Ver, nesse sentido, Project COPERNICUS Cooperation Programme in Europe for Research on Nature andmIndustry\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 through\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Coordinated\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 University\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Studies.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em:\u00a0<a href=\"http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0008\/000850\/085036eo.pdf\">http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0008\/000850\/085036eo.pd<\/a>f. Acesso em 21.01.2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12 Ver, nesse sentido, <em>COPERNICUS Guidelines for Sustainable Development in the European Higher\u00a0<\/em><em>Edu<\/em><em>c<\/em><em>a<\/em><em>ti<\/em><em>o<\/em><em>n Area. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/copernicus-campus.or\">http:\/\/copernicus-campus.or<\/a>. Acesso em 14.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13 Ver, nesse sentido, Kyoto Declaration on Sustainable Development. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/archive.www.iau-\">http:\/\/archive.www.iau-<\/a> aiu.net\/sd\/sd_dkyoto.html. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14 Ver, nesse sentido, Environment and Society: Education and Public Awareness for Sustainability: The\u00a0Thessaloniki Declaration. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0011\/001177\/117772eo.pdf\">http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0011\/001177\/117772eo.pdf<\/a>. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15 WRIGHT, Tarah. Definitions and Frameworks for Environmental Sustainability in Higher Education. In:\u00a0<em>H<\/em><em>i<\/em><em>gh<\/em><em>e<\/em><em>r Education Policy<\/em>, Volume 15, Issue 2, 2002. pp. 105-120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16 Ver, nesse sentido, The L\u00fcneburg Declaration on Higher Education for Sustainable Development of 10\u00a0October 2001. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.iau-hesd.net\/sites\/default\/files\/documents\/luneburgdeclaration_0.pdf\">http:\/\/www.iau-hesd.net\/sites\/default\/files\/documents\/luneburgdeclaration_0.pd<\/a>f. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17 Ver, nesse sentido,\u00a0\u00a0 Ubuntu\u00a0\u00a0 Declaration on Education and Science\u00a0\u00a0 and Technology for Sustainable Development. Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0 em: <a href=\"http:\/\/www.icsu.org\/publications\/other-key-icsu-statements\/ubuntu-declaration-\">http:\/\/www.icsu.org\/publications\/other-key-icsu-statements\/ubuntu-declaration-<\/a> on-education-science-and-technology-for-sustainable-development. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18 LOZANO, R. et al. Declarations for sustainability in higher education: becoming better leaders, through\u00a0addressing the university system . In: <em>Journal of Cleaner Production<\/em>, xxx, 2011. pp.1-10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19 LOZANO, R. et al. Declarations for sustainability in higher education: becoming better leaders, through addressing the university system . In: <em>Journal of Cleaner Production<\/em>, xxx, 2011. pp.1-10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20 LOZANO, R. et al. Declarations for sustainability in higher education: becoming better leaders, through addressing the university system . In: <em>Journal of Cleaner Production<\/em>, xxx, 2011. pp.1-10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21\u00a0\u00a0 UNITED NATIONS. <em>Higher Education Sustainability Initative for Rio+20<\/em>. 2012. Dispon\u00edvel em:\u00a0https:\/\/sustainabledevelopment.un.org\/rio20. Acesso em: 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">22\u00a0\u00a0 Ver, nesse sentido, <em>Rio+20: Statement by the Higher Education Sustainability Initiative<\/em>. Junho, 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/<a href=\"http:\/\/www.unglobalcompact.org\/news\/248-06-20-2012\">\/www.unglobalcompact.org\/news\/248-06-20-2012<\/a>. Acesso em 23.02.2016. Os pontos da declara\u00e7\u00e3o s\u00e3o os seguintes: (i) ensino sobre os conceitos de desenvolvimento sustent\u00e1vel, garantindo que eles fa\u00e7am parte do curr\u00edculo b\u00e1sico em todas as disciplinas para que os futuros graduados do ensino superior desenvolvam habilidades necess\u00e1rias para participar com suas forcas de trabalho em prol do desenvolvimento sustent\u00e1vel e tenham uma compreens\u00e3o expl\u00edcita de como alcan\u00e7ar uma sociedade que valoriza as pessoas, o\u00a0planeta e os lucros de uma maneira que respeite os limites de recursos finitos do planeta. As Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior tamb\u00e9m s\u00e3o encorajadas a proporcionar forma\u00e7\u00e3o em sustentabilidade para os profissionais e praticantes. (ii) incentivo a pesquisa sobre quest\u00f5es de desenvolvimento sustent\u00e1vel, para\u00a0\u00a0 melhorar a compreens\u00e3o cientifica por meio do intercambio de conhecimentos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, intensificando o \u00a0desenvolvimento, adapta\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e transfer\u00eancia de conhecimentos, incluindo tecnologias novas e inovadoras. (iii) <em>Green Campus<\/em>: a) reduzindo o impacto ambiental por meio de efici\u00eancia da agua, energia e recursos materiais nos edif\u00edcios e instala\u00e7\u00f5es; b) adotando praticas sustent\u00e1veis de contrata\u00e7\u00e3o nas cadeias de fornecimento e servi\u00e7os de catering; c) fornecendo op\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis de mobilidade\/transporte para os alunos e professores; d) adotando programas eficazes para a minimiza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, reciclagem e reutiliza\u00e7\u00e3o; e) incentivando estilos de vida mais sustent\u00e1veis. (iv) apoio aos esfor\u00e7os de sustentabilidade nas comunidades, trabalhando com as autoridades locais e a sociedade civil para promover comunidades mais habit\u00e1veis, com recursos eficientes que s\u00e3o socialmente inclusivos e com baixo n\u00edvel de carbono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">23 Ver, nesse sentido, Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.un-documents.net\/wced-ocf.htm\">http:\/\/www.un-documents.net\/wced-ocf.htm<\/a>. Acesso em 22.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">24 Vale observar que Vladmir Silveira e Samyra Sanches vislumbram o desenvolvimento sustent\u00e1vel como um direito \u201cfruto da jun\u00e7\u00e3o entre o direito ao desenvolvimento e o direito ao meio ambiente sadio\u201d. (SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; SANCHES, Samyra Haydee. Direitos Humanos, Empresa e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. In: <em>Revista Jur\u00eddica<\/em>. vol. 1, n. 38, 2015. p. 318.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">25 Nesse sentido, ver DALY, Herman E. <em>A economia ecol\u00f3gica e o desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em>. Tradu\u00e7 \u00e3o de\u00a0John Cunha Comerfort. Rio de Janeiro: Assessoria e Servi\u00e7 os a Projetos em Agricultura Alternativa, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">26 Neste ponto, conv\u00e9m explicar que a vis\u00e3o do trip\u00e9 da sustentabilidade que considera as dimens\u00f5es social, econ\u00f4mica e ambiental \u00e9 a mais utilizada, embora possam ser mencionadas outras outras al\u00e9m destas, como Bossel que considera nove dimens\u00f5es da sustentabilidade: ambiental, material, ecol\u00f3gica, social, econ\u00f4mica, jur\u00eddica, cultural, pol\u00edtica e psicol\u00f3gica. Ver, nesse sentido, ELKINGTON, John. <em>Sustentabilidade, canibais de garfo e faca<\/em>. S\u00e3o Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda., 2011; BOSSEL, Hartmut. <em>Indicators for Sustainable Development. <\/em>Theory, Method, Applications: a report to the Balaton Group. Winnipeg: The International Institute for Sustainable Development (IISD), 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">27 Pesquisadores do <em>Cloud Institute for Sustainability Education, <\/em>de Nova Iorque, identificaram alguns conceitos fundamentais da Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento\u00a0\u00a0 Sustent\u00e1vel (EDS), os quais incluem a alfabetiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, economia sustent\u00e1vel e cidadania. Nesse sentido, ver FREDERICO, Carmela; CLOUD, Jaimie. Kindergarten Through Twelfth Grade Education: Fragmentary Progress in Equipping Students to Think and Act in a Challenging World. In: DERNBACH, Jonh. <em>Agenda for a sustainable america.\u00a0\u00a0 <\/em>Washington, DC:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Environmental Law Institute, 2009. pp. 109-128. Os autores listam h\u00e1bitos da mente inerentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade, incluindo a\u00a0\u00a0 compreens\u00e3o dos sistemas como contexto para a\u00a0\u00a0 tomada de decis\u00f5es, responsabilidade intergeracional e a prote\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o dos bens comuns. Em suas palavras, educa\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade compreende as \u201cliga\u00e7\u00f5es din\u00e2micas entre as economias, os valores e as pr\u00e1ticas das sociedades e \u00a0os ecossistemas que sustentam a vida humana; o pensar sistemicamente, criticamente, e atrav\u00e9s das disciplinas, sobre as quest\u00f5es, problemas e solu\u00e7\u00f5es; a valoriza\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo para o \u201cbem-estar\u201d; a aquisi\u00e7\u00e3o de habilidades para trabalhar em comunidade com os outros, em escala local para global, para alcan\u00e7ar um mundo mais sustent\u00e1vel; a capacidade de aprender continuamente para desafiar premissas e modelos mentais, a fim de manter o movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade em um mundo complexo e em constante mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">28 BARBIERI, Jos\u00e9 Carlos; SILVA, Dirceu. Desenvolvimento sustent\u00e1vel e educa\u00e7\u00e3o ambiental: uma trajet\u00f3ria\u00a0comum com muitos desafios. In: <em>Rev. Adm. Mackenzie <\/em>(RAM), v. 12, n. 3, maio\/jun. 2011. pp. 51-82.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">29 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 07.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">30 CORTESE, Anthony. The Critical Role of Higher Education in Creating a Sustainable Future. In: <em>Planning for higher education<\/em>. March-May, 2003. p. 17. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.aashe.org\/resources\/pdf\/Cortese_PHE.pdf\">http:\/\/www.aashe.org\/resources\/pdf\/Cortese_PHE.pdf<\/a>. Acesso em 10.03.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">31 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">32 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 09.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">33 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">34 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A\u00a0Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">35 Ver, nesse sentido, RAUCH, J. N. et al. Institutionalizing a greenhouse gas emission reduction target at Yale. In: <em>International Journal of Sustainability in Higher Education<\/em>, 2009. pp. 390 &#8211; 400.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">36 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">37 Ver, nesse sentido, SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; ROCASOLANO, Mar\u00eda M. <em>Direitos Humanos<\/em>:\u00a0conceitos, significados e fun\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">38 Ver, nesse sentido, <a href=\"http:\/\/www.iso.org\/iso\/iso14000\">http:\/\/www.iso.org\/iso\/iso14000<\/a>. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">39 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">40 O guia de planejamento clim\u00e1tico <em>Cool Campus <\/em>produzido pela <em>Association\u00a0\u00a0 for the Advancement of \u00a0<\/em><em>Su<\/em><em>st<\/em><em>a<\/em><em>i<\/em><em>nab<\/em><em>ilit<\/em><em>y in Higher Education <\/em>(AASHE) descreve m\u00e9todos sustent\u00e1veis para coletar e calcular emiss\u00f5es. Al\u00e9m disso, a ONG <em>Clean Air-Cool Planet <\/em>produziu um documento de acesso virtual livre denominado <em>campus carbon calculator. <\/em>Ver, nesse sentido, SIMPSON, W. <em>Coo<\/em><em>l Campus! A How-To Guide for College and University Climate Action Planning<\/em>. Association for the Advancement of Sustainability in Higher Education: Lexington, USA, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">41 UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p. 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">42 Ver, nesse sentido, https:\/<a href=\"http:\/\/www.globalreporting.org\/Pages\/default.aspx\">\/www.globalreporting.org\/Pages\/default.asp<\/a>x. Acesso em 23.02.2016.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARBIERI,\u00a0\u00a0 Jos\u00e9\u00a0\u00a0 Carlos;\u00a0\u00a0 SILVA,\u00a0\u00a0 Dirceu.\u00a0\u00a0 Desenvolvimento\u00a0\u00a0 sustent\u00e1vel\u00a0\u00a0 e\u00a0\u00a0 educa\u00e7\u00e3o ambiental: uma trajet\u00f3ria comum com muitos desafios. In: <em>Rev. Adm. Mackenzie <\/em>(RAM), v.\u00a012, n. 3, maio\/jun. 2011. pp. 51-82.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOSSEL, Hartmut. <em>Indicators for Sustainable Development. <\/em>Theory, Method, Applications: a report to the Balaton Group. Winnipeg: The International Institute for Sustainable Development (IISD), 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>COPERNICUS Guidelines for Sustainable Development in the European Higher Education\u00a0<\/em><em>Area. <\/em>Dispon\u00edvel em: http:\/\/copernicus-campus.or. Acesso em 14.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CORTESE, Anthony. <em>The Critical Role of Higher Education in Creating a Sustainable Future. In: Planning for higher education<\/em>. March-May, 2003. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.aashe.org\/resources\/pdf\/Cortese_PHE.pdf. Acesso em 10.03.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DALY, Herman E. <em>A economia ecol\u00f3gica e o desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em>. Tradu\u00e7 \u00e3o de John Cunha Comerfort. Rio de Janeiro: Assessoria e Servi\u00e7\u00a0\u00a0 os a Projetos em Agricultura Alternativa, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELKINGTON, John. <em>Sustentabilidade, canibais de garfo e faca<\/em>. S\u00e3o Paulo: M. Books do\u00a0Brasil Editora Ltda., 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FREDERICO, Carmela; CLOUD, Jaimie. Kindergarten Through Twelfth Grade Education: Fragmentary Progress in Equipping Students to Think and Act in a Challenging World. In: DERNBACH, Jonh. <em>Agenda for a sustainable america. <\/em>Washington, DC: Environmental Law Institute, 2009. pp. 109-128.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HEINZ, T. <em>Blueprint for a Green Campus<\/em>: The Campus Earth Summit Initiatives for Higher\u00a0Education. New York: Heinz Family Foundation, 1995. p. 02.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOZANO, R. et al. Declarations for sustainability in higher education: becoming better leaders, through addressing the university system . In: <em>Journal of Cleaner Production<\/em>, xxx,\u00a0pp.1-10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PROJECT COPERNICUS <em>Cooperation Programme in Europe for Research on Nature and Industry through Coordinated University Studies<\/em>. Dispon\u00edvel em: http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0008\/000850\/085036eo.pdf. Acesso em 21.01.2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAUCH, J. N. et al. Institutionalizing a greenhouse gas emission reduction target at Yale. In:\u00a0<em>International Journal of Sustainability in Higher Education<\/em>, 2009. pp. 390 &#8211; 400.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; SANCHES, Samyra Haydee. Direitos Humanos, Empresa e\u00a0Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. In: <em>Revista Jur\u00eddica<\/em>. vol. 1, n. 38, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; ROCASOLANO, Mar\u00eda M. <em>Direitos Humanos<\/em>: conceitos, significados e fun\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMPSON, W. <em>Cool Campus! A How-To Guide for College and University Climate Action Planning<\/em>. Association for the Advancement of Sustainability in Higher Education: Lexington, USA, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ULSF. <em>Programs<\/em>: Talloires Declaration. Washington, DC: Association of University Leaders for a Sustainable Future, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UNEP. <em>Greening Universities Toolkit<\/em>. Transforming Universities Into Green And Sustainable\u00a0Campuses: A Toolkit For Implementers. United Nations Environmental Programme, 2013. p.\u00a007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UNESCO-UNEP. <em>Tbilisi Declaration<\/em>, Intergovernmental Conference on Environmental Education. Paris: UNESCO, 1978.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel em: http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0003\/000327\/032763eo.pdf. Acesso em 20.01.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UNESCO.\u00a0\u00a0 <em>Reinventing\u00a0\u00a0 Higher\u00a0\u00a0 Education<\/em>:\u00a0\u00a0 Toward\u00a0\u00a0 Participatory\u00a0\u00a0 and\u00a0\u00a0 Sustainable\u00a0Development. Bangkok: UNESCO Bangkok, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UNITED NATIONS. <em>Higher Education Sustainability Initative for Rio+20<\/em>. 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/sustainabledevelopment.un.org\/rio20. Acesso em: 23.02.2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WRIGHT, Tarah. Definitions and Frameworks for Environmental Sustainability in Higher\u00a0Education. In: <em>Higher Education Policy<\/em>, Volume 15, Issue 2, 2002. pp. 105-120.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":13983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"saved_in_kubio":false,"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-12950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-educacao-juridica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12950\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/vladmir\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}