{"id":6042,"date":"2024-11-11T10:12:59","date_gmt":"2024-11-11T13:12:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/?p=6042"},"modified":"2024-11-11T10:12:59","modified_gmt":"2024-11-11T13:12:59","slug":"cop16-debateu-financiamento-para-projetos-de-restauracao-de-ecossistemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2024\/11\/11\/cop16-debateu-financiamento-para-projetos-de-restauracao-de-ecossistemas\/","title":{"rendered":"COP16 debateu financiamento para projetos de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas"},"content":{"rendered":"<p>Para especialistas, mecanismos financeiros e pol\u00edticas precisam ser desenvolvidos em conjunto pelos setores p\u00fablico e privado e devem levar em conta n\u00e3o apenas a necessidade de reverter a destrui\u00e7\u00e3o dos biomas, mas tamb\u00e9m a inclus\u00e3o das comunidades que neles vivem. Tema tamb\u00e9m estar\u00e1 em destaque nas COPs do Clima e da Desertifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><em>Por F\u00e1bio de Castro, especial para o WWF-Brasil<\/em><\/p>\n<p>Os desafios do financiamento para a restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas foram tema de debates durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Biodiversidade (COP16), que foi encerrada na semana passada, em Cali, na Col\u00f4mbia. Um dos momentos foi no painel \u201cIniciativa 20&#215;20: Mecanismos financeiros e pol\u00edticas inovadoras para a conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade na Am\u00e9rica Latina\u201d, realizado no dia 31\/10. Por ser t\u00e3o central, essa quest\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 em destaque na 29\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP29), ser\u00e1 realizada entre 11 e 22 de novembro, em Baku, capital do Azerbaij\u00e3o. E na COP de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, em dezembro, na Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Para os especialistas que participaram do debate em Cali, a crise ambiental em que o planeta est\u00e1 mergulhado \u00e9 t\u00e3o extensa que as iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o bastam: \u00e9 preciso restaurar ecossistemas que j\u00e1 sofreram degrada\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 preciso desenvolver modelos de financiamento de projetos de restaura\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas sejam capazes de reverter a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, mas que tamb\u00e9m sejam inclusivos, beneficiando as pessoas que vivem nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os projetos de restaura\u00e7\u00e3o inclusiva no Cerrado brasileiro foram levados \u00e0 discuss\u00e3o por Taruhim Quadros, analista de Conserva\u00e7\u00e3o no WWF-Brasil. Ela destacou a dupla import\u00e2ncia &#8211; no aspecto natural e social &#8211; da savana mais biodiversa do mundo, que abriga 5% das esp\u00e9cies do planeta, ocupa 23% do territ\u00f3rio brasileiro e \u00e9 o lar de 25 milh\u00f5es de pessoas, mas j\u00e1 perdeu 50% de sua cobertura vegetal original.<\/p>\n<p>\u201cO Cerrado \u00e9 uma \u00e1rea chave, com uma enorme diversidade de forma\u00e7\u00f5es vegetais, como campos, bosques e savanas, que \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo da cultura brasileira, j\u00e1 que ali vivem povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais que dependem do territ\u00f3rio e o protegem. Eles s\u00e3o os grandes representantes do territ\u00f3rio e \u00e9 por isso que estamos sempre nos articulando com eles. A cadeia de restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade econ\u00f4mica importante para eles\u201d, afirmou Taruhim.<\/p>\n<p>As comunidades s\u00e3o parte da governan\u00e7a do territ\u00f3rio e t\u00eam um papel central nos projetos de restaura\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil e da Araticum, uma rede colaborativa da qual o WWF-Brasil faz parte da coordena\u00e7\u00e3o. A Araticum atua para promover e monitorar a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Cerrado, envolvendo os coletores de sementes nativas e diversos outros atores da restaura\u00e7\u00e3o, e funcionando tamb\u00e9m como uma ferramenta de inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s acreditamos muito nessas experi\u00eancias de base comunit\u00e1rias e as incentivamos. No in\u00edcio, sempre precisamos de fundos para dar condi\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o aos coletores, mas uma vez que fazemos isso, eles se organizam com uma for\u00e7a muito grande e dominam as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a infraestrutura para coleta e comercializa\u00e7\u00e3o das sementes. Os recursos obtidos com essa comercializa\u00e7\u00e3o voltam inteiramente para eles\u201d, explicou Taruhim.<\/p>\n<p>Os coletores de sementes decidem os pre\u00e7os do produto a partir de oficinas comunit\u00e1rias. \u201cIsso \u00e9 um exemplo muito pr\u00e1tico de como h\u00e1 possibilidades associadas \u00e0 cadeia da restaura\u00e7\u00e3o e de financiamento que podemos desenvolver em conjunto\u201d, declarou Taruhim.<\/p>\n<h2>Governan\u00e7a do territ\u00f3rio<\/h2>\n<p>Ela explicou que a Araticum participa dessa governan\u00e7a do territ\u00f3rio e \u00e9 uma plataforma multi-atores que tem a participa\u00e7\u00e3o de 140 institui\u00e7\u00f5es para alavancar a restaura\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de hectares no Cerrado. Uma ferramenta p\u00fablica de transpar\u00eancia disponibilizada pela organiza\u00e7\u00e3o que mapeou 15 mil hectares de restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado em 9 estados, destacando-as como modelos demonstrativos, a fim de estimular a expans\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p>\u201cA Araticum tem uma estrat\u00e9gia de apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no territ\u00f3rio por meio de sua profissionaliza\u00e7\u00e3o. Com isso, alavancarmos um movimento de restaura\u00e7\u00e3o que seja auto-sustent\u00e1vel. Ajudamos a estruturar e apoiar os projetos dos associados, para os quais j\u00e1 alavancamos aproximadamente\u00a0 R$ 10 milh\u00f5es para projetos de restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado. Trabalhamos tamb\u00e9m com o monitoramento dos resultados &#8211; que \u00e9 um fator essencial para a obten\u00e7\u00e3o de fundos e financiamento\u201d, salientou ela. A plataforma p\u00fablica de monitoramento da Araticum j\u00e1 conta com mais de 15 mil hectares que est\u00e3o em processo de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m publicou um guia de financiamento para o Cerrado, para mostrar aos investidores que a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume a recuperar certo n\u00famero de hectares ou plantar \u00e1rvores. \u201cPrecisamos ter componentes sociais, econ\u00f4micos e de biodiversidade. Precisamos de fundos catalisadores no Cerrado e em todos os biomas da Am\u00e9rica Latina, e que haja espa\u00e7o para fundos p\u00fablicos, privados e de filantropia, para que todos possamos olhar juntos para estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o a fim de cumprirmos nossas metas\u201d, concluiu Taruhim.<\/p>\n<h2>Valor da natureza<\/h2>\n<p>Victoria Rachmaninoff, gerente de Biodiversidade e diretora de Monitoramento de Paisagens da Iniciativa 20&#215;20 do WRI, destacou que \u00e9 preciso compreender e divulgar o verdadeiro valor da natureza para que seja poss\u00edvel desenvolver solu\u00e7\u00f5es inovadoras de financiamento da restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas &#8211; e tamb\u00e9m comentou a import\u00e2ncia social dessas iniciativas.<\/p>\n<p>\u201cO tema do financiamento para a biodiversidade tem sido um dos mais dif\u00edceis desta COP. Quando falamos dele, temos que destacar o verdadeiro valor da natureza. Al\u00e9m de seu valor intr\u00ednseco, a natureza tamb\u00e9m tem um valor econ\u00f4mico importante: 50% do PIB mundial depende dela. Agora que vivemos em um mundo em transforma\u00e7\u00e3o, com o clima mudando em velocidade nunca vista, a natureza tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para nos ajudar na adapta\u00e7\u00e3o a essa nova realidade\u201d, frisou Victoria.<\/p>\n<p>\u201cQuando pensamos em restaura\u00e7\u00e3o, podemos pensar em solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apenas apoiem a natureza, mas tamb\u00e9m em interven\u00e7\u00f5es que possam ajudar a reconectar espa\u00e7os para polinizadores, melhorar a sa\u00fade dos solos e muito mais. Mas a restaura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para nossas vidas, a fim de alimentar comunidades, assegurar seu acesso \u00e0 \u00e1gua, prevenir inunda\u00e7\u00f5es e criar resili\u00eancia. A restaura\u00e7\u00e3o pode nos ajudar a concretizar a ideia de paz com a natureza\u201d, disse Victoria.<\/p>\n<h2>Iniciativa 20&#215;20<\/h2>\n<p>Para fazer isso, segundo ela, \u00e9 preciso come\u00e7ar a entender o valor real da natureza e incluir esse valor nos c\u00e1lculos. \u201c\u00c9 preciso ter em mente o risco de n\u00e3o proteger a natureza. \u00c9 preciso mudar a din\u00e2mica dos incentivos perversos que degradam a\u00a0 natureza e criar incentivos que fa\u00e7am parte da solu\u00e7\u00e3o. Na iniciativa 20&#215;20, estamos tamb\u00e9m trabalhando com isso &#8211; em nossos programas de pol\u00edticas e monitoramento &#8211; junto aos pa\u00edses que fazem parte dela\u201d.<\/p>\n<p>A Iniciativa 20&#215;20, representada por Victoria no evento, foi lan\u00e7ada formalmente na COP20 do Clima, realizada em Lima, no Peru, em 2014, e apoia o Desafio de Bonn, que previa a restaura\u00e7\u00e3o de 150 milh\u00f5es de hectares de terras degradadas at\u00e9 2020 em todo o mundo. Inicialmente, a Iniciativa 20&#215;20 previa a restaura\u00e7\u00e3o de 20 milh\u00f5es de hectares na Am\u00e9rica Latina e no Caribe at\u00e9 2020. Hoje, o objetivo \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o de 50 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Em 2021, um balan\u00e7o da iniciativa apontou que, at\u00e9 aquela data, parceiros da iniciativa privada, de governos nacionais e governos subnacionais da Am\u00e9rica Latina haviam conservado e restaurado cerca de 22,6 milh\u00f5es de hectares de florestas e paisagens no continente por meio de 135 projetos.<\/p>\n<h2>Restaura\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia<\/h2>\n<p>Clara Solano, diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o Natura, que faz parte da Iniciativa 20&#215;20 na Col\u00f4mbia, contou que, desde a d\u00e9cada de 1990, o pa\u00eds vem colocando os esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas em primeiro plano. Os governos nacionais, com apoio de organiza\u00e7\u00f5es regionais, come\u00e7aram a implementar pol\u00edticas e projetos de boas pr\u00e1ticas florestais entre 1998 e 2005, concretizando em 2015 um Plano Nacional de Restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs universidades e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais haviam revolucionado o conceito de restaura\u00e7\u00e3o e foram convocadas a fazer os primeiros exerc\u00edcios de restaura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A partir da\u00ed, a Col\u00f4mbia entrou plenamente nessa rota, n\u00e3o apenas desenvolvendo a recupera\u00e7\u00e3o de solos e \u00e1reas pontuais, mas falando de maneira contundente na restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas. Os diferentes governos fizeram a leitura de que havia necessidade de desenvolver pol\u00edticas com enfoque na restaura\u00e7\u00e3o\u201d, contou Clara.<\/p>\n<p>Segundo ela, no governo de Iv\u00e1n Duque, que precedeu o atual presidente Gustavo Petro, foi proposto o Marco Nacional de Restaura\u00e7\u00e3o, e a estrat\u00e9gia nacional se consolidou com uma meta de plantio de 180 milh\u00f5es de \u00e1rvores na Col\u00f4mbia. \u201cAs \u00e1rvores n\u00e3o s\u00e3o uma m\u00e9trica que demonstram que h\u00e1 processos de restaura\u00e7\u00e3o, mas a proposta exigiu um esfor\u00e7o para obten\u00e7\u00e3o de recursos que vinculou o sistema privado e p\u00fablico de financiamento de forma muito positiva\u201d, declarou.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7as conceituais<\/h2>\n<p>Atualmente, de acordo com Clara, o governo prop\u00f4s uma m\u00e9trica que n\u00e3o se baseia apenas em n\u00famero de \u00e1rvores, mas no conceito de hectares restaurados por hectares em processo de restaura\u00e7\u00e3o. \u201cIsso foi muito importante do ponto de vista conceitual, porque leva em conta os acordos sociais que precisam ser desenvolvidos para dar escala aos processos de restaura\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitos os desafios para o financiamento e a partir desse aprimoramento conceitual o governo fez um exerc\u00edcio de constitui\u00e7\u00e3o de um Fundo para a Vida e a Biodiversidade\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>A principal fonte desse fundo s\u00e3o recursos pr\u00f3prios do governo, a partir de um \u201cimposto do carbono\u201d existente na Col\u00f4mbia. \u201cO fundo tem um foco muito importante na agrobiodiversidade. H\u00e1 um esfor\u00e7o para usar recursos pr\u00f3prios, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar os investimentos do setor privado. Temos projetos de restaura\u00e7\u00e3o de 10, 15 e 20 anos, com compromissos financeiros do setor privado. H\u00e1 muitos desafios, \u00e9 claro, relacionados \u00e0 governan\u00e7a, financiamento, monitoramento e ganho de escala, mas a iniciativa tem um impacto importante, est\u00e1 em processo de obten\u00e7\u00e3o de resultados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Esses esfor\u00e7os evidenciam que existem exemplos de sucesso e que diversas li\u00e7\u00f5es aprendidas podem apoiar o avan\u00e7o do financiamento em larga escala para a restaura\u00e7\u00e3o. Na COP16, acordos cruciais para finan\u00e7as e o fundo de biodiversidade para implementa\u00e7\u00e3o do Marco Global de Biodiversidade foram tratados, mas com decis\u00f5es postergadas. A restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 tem\u00e1tica chave para a implementa\u00e7\u00e3o do Marco Global e pode funcionar como uma ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos financeiros de maneira estruturada e conectada a esfor\u00e7os pr\u00e1ticos e locais, como o caso no Cerrado. Al\u00e9m disso, pode garantir a integra\u00e7\u00e3o efetiva e inclusiva entre compromissos das partes para as conven\u00e7\u00f5es do Clima, Biodiversidade e Desertifica\u00e7\u00e3o. Por isso, h\u00e1 urg\u00eancia de estrutura\u00e7\u00e3o e alavancamento de finan\u00e7as para restaura\u00e7\u00e3o e movimentos coletivos como a Iniciativa 20&#215;20 e a Araticum podem ser cruciais.<\/p>\n<p>Fonte: <em>\u00a0WWF-Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para especialistas, mecanismos financeiros e pol\u00edticas precisam ser desenvolvidos em conjunto pelos setores p\u00fablico e privado e devem levar em conta n\u00e3o apenas a necessidade de reverter a destrui\u00e7\u00e3o dos biomas, mas tamb\u00e9m a inclus\u00e3o das comunidades que neles vivem. Tema tamb\u00e9m estar\u00e1 em destaque nas COPs do Clima e da Desertifica\u00e7\u00e3o Por F\u00e1bio de Castro, especial para o WWF-Brasil Os desafios do financiamento para a restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas foram tema de debates durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Biodiversidade (COP16), que foi encerrada na semana passada, em Cali, na Col\u00f4mbia. Um dos momentos foi no painel \u201cIniciativa 20&#215;20: Mecanismos financeiros e pol\u00edticas inovadoras para a conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade na Am\u00e9rica Latina\u201d, realizado no dia 31\/10. Por ser t\u00e3o central, essa quest\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 em destaque na 29\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP29), ser\u00e1 realizada entre 11 e 22 de novembro, em Baku, capital do Azerbaij\u00e3o. E na COP de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, em dezembro, na Ar\u00e1bia Saudita. Para os especialistas que participaram do debate em Cali, a crise ambiental em que o planeta est\u00e1 mergulhado \u00e9 t\u00e3o extensa que as iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o bastam: \u00e9 preciso restaurar ecossistemas que j\u00e1 sofreram degrada\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 preciso desenvolver modelos de financiamento de projetos de restaura\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas sejam capazes de reverter a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, mas que tamb\u00e9m sejam inclusivos, beneficiando as pessoas que vivem nos territ\u00f3rios. Nesse contexto, os projetos de restaura\u00e7\u00e3o inclusiva no Cerrado brasileiro foram levados \u00e0 discuss\u00e3o por Taruhim Quadros, analista de Conserva\u00e7\u00e3o no WWF-Brasil. Ela destacou a dupla import\u00e2ncia &#8211; no aspecto natural e social &#8211; da savana mais biodiversa do mundo, que abriga 5% das esp\u00e9cies do planeta, ocupa 23% do territ\u00f3rio brasileiro e \u00e9 o lar de 25 milh\u00f5es de pessoas, mas j\u00e1 perdeu 50% de sua cobertura vegetal original. \u201cO Cerrado \u00e9 uma \u00e1rea chave, com uma enorme diversidade de forma\u00e7\u00f5es vegetais, como campos, bosques e savanas, que \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo da cultura brasileira, j\u00e1 que ali vivem povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais que dependem do territ\u00f3rio e o protegem. Eles s\u00e3o os grandes representantes do territ\u00f3rio e \u00e9 por isso que estamos sempre nos articulando com eles. A cadeia de restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade econ\u00f4mica importante para eles\u201d, afirmou Taruhim. As comunidades s\u00e3o parte da governan\u00e7a do territ\u00f3rio e t\u00eam um papel central nos projetos de restaura\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil e da Araticum, uma rede colaborativa da qual o WWF-Brasil faz parte da coordena\u00e7\u00e3o. A Araticum atua para promover e monitorar a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Cerrado, envolvendo os coletores de sementes nativas e diversos outros atores da restaura\u00e7\u00e3o, e funcionando tamb\u00e9m como uma ferramenta de inclus\u00e3o social. \u201cN\u00f3s acreditamos muito nessas experi\u00eancias de base comunit\u00e1rias e as incentivamos. No in\u00edcio, sempre precisamos de fundos para dar condi\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o aos coletores, mas uma vez que fazemos isso, eles se organizam com uma for\u00e7a muito grande e dominam as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a infraestrutura para coleta e comercializa\u00e7\u00e3o das sementes. 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Uma ferramenta p\u00fablica de transpar\u00eancia disponibilizada pela organiza\u00e7\u00e3o que mapeou 15 mil hectares de restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado em 9 estados, destacando-as como modelos demonstrativos, a fim de estimular a expans\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o em larga escala. \u201cA Araticum tem uma estrat\u00e9gia de apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no territ\u00f3rio por meio de sua profissionaliza\u00e7\u00e3o. Com isso, alavancarmos um movimento de restaura\u00e7\u00e3o que seja auto-sustent\u00e1vel. Ajudamos a estruturar e apoiar os projetos dos associados, para os quais j\u00e1 alavancamos aproximadamente\u00a0 R$ 10 milh\u00f5es para projetos de restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado. Trabalhamos tamb\u00e9m com o monitoramento dos resultados &#8211; que \u00e9 um fator essencial para a obten\u00e7\u00e3o de fundos e financiamento\u201d, salientou ela. A plataforma p\u00fablica de monitoramento da Araticum j\u00e1 conta com mais de 15 mil hectares que est\u00e3o em processo de restaura\u00e7\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m publicou um guia de financiamento para o Cerrado, para mostrar aos investidores que a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume a recuperar certo n\u00famero de hectares ou plantar \u00e1rvores. \u201cPrecisamos ter componentes sociais, econ\u00f4micos e de biodiversidade. Precisamos de fundos catalisadores no Cerrado e em todos os biomas da Am\u00e9rica Latina, e que haja espa\u00e7o para fundos p\u00fablicos, privados e de filantropia, para que todos possamos olhar juntos para estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o a fim de cumprirmos nossas metas\u201d, concluiu Taruhim. Valor da natureza Victoria Rachmaninoff, gerente de Biodiversidade e diretora de Monitoramento de Paisagens da Iniciativa 20&#215;20 do WRI, destacou que \u00e9 preciso compreender e divulgar o verdadeiro valor da natureza para que seja poss\u00edvel desenvolver solu\u00e7\u00f5es inovadoras de financiamento da restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas &#8211; e tamb\u00e9m comentou a import\u00e2ncia social dessas iniciativas. \u201cO tema do financiamento para a biodiversidade tem sido um dos mais dif\u00edceis desta COP. Quando falamos dele, temos que destacar o verdadeiro valor da natureza. Al\u00e9m de seu valor intr\u00ednseco, a natureza tamb\u00e9m tem um valor econ\u00f4mico importante: 50% do PIB mundial depende dela. Agora que vivemos em um mundo em transforma\u00e7\u00e3o, com o clima mudando em velocidade nunca vista, a natureza tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para nos ajudar na adapta\u00e7\u00e3o a essa nova realidade\u201d, frisou Victoria. \u201cQuando pensamos em restaura\u00e7\u00e3o, podemos pensar em solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apenas apoiem a natureza, mas tamb\u00e9m em interven\u00e7\u00f5es que possam ajudar a reconectar espa\u00e7os para polinizadores, melhorar a sa\u00fade dos solos e muito mais. Mas a restaura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para nossas vidas, a fim de alimentar comunidades, assegurar seu acesso \u00e0 \u00e1gua, prevenir inunda\u00e7\u00f5es e criar resili\u00eancia. A restaura\u00e7\u00e3o pode nos ajudar a concretizar a ideia de paz com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6044,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7,310],"tags":[317,198,172,216],"class_list":["post-6042","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-sustentabilidade-noticias","tag-cop-16","tag-meio-ambiente","tag-onu","tag-sustentabilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}