{"id":5417,"date":"2023-03-06T14:47:20","date_gmt":"2023-03-06T17:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=5417"},"modified":"2023-03-06T14:47:20","modified_gmt":"2023-03-06T17:47:20","slug":"proximo-reajuste-para-bolsistas-ja-esta-no-radar-diz-presidente-da-capes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2023\/03\/06\/proximo-reajuste-para-bolsistas-ja-esta-no-radar-diz-presidente-da-capes\/","title":{"rendered":"&#8220;Pr\u00f3ximo reajuste para bolsistas j\u00e1 est\u00e1 no radar&#8221;, diz presidente da Capes"},"content":{"rendered":"<p>Professora da UnB \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o de fomento \u00e0 ci\u00eancia, Mercedes Bustamante afirma que o governo federal pretende estabelecer um planejamento para melhorar e ampliar benef\u00edcios a pesquisadores. Na quinta-feira, ministro anunciou mais 5,3 mil bolsas.<\/p>\n<p>\u201cNossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 casar oportunidade com talento\u201d. \u00c9 essa a vis\u00e3o da presidente da\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), Mercedes Bustamante, para a gest\u00e3o \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o. Nomeada pelo ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Camilo Santana, em janeiro, a professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) tem a miss\u00e3o de executar a aposta do governo para melhorar o cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o e pesquisa brasileira.<\/p>\n<p>A primeira provid\u00eancia foi conceder o reajuste das bolsas dos pesquisadores, que n\u00e3o ocorria h\u00e1 10 anos. Mas o minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretende ficar apenas nesse gesto. Bustamante explica que o governo trabalha para implementar um planejamento no reajuste e na concess\u00e3o dos incentivos financeiros a pesquisadores.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quinta-feira, Camilo Santana anunciou mais 5,3 mil bolsas. Em 2022, o governo concedeu 84,3 mil bolsas; Com o an\u00fancio do ministro, passar\u00e3o a ser 89,6 mil benef\u00edcios. Segundo Bustamante, o governo est\u00e1 dando mostra de que \u201ca ci\u00eancia \u00e9 o caminho\u201d e a \u201ceduca\u00e7\u00e3o a ferramenta\u201d para o desenvolvimento. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>O que permitiu o reajuste das bolsas e o aumento da oferta do benef\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro ato que tive a oportunidade de assinar, como presidente da Capes, foi o reajuste das bolsas. \u00c9 uma demanda antiga, s\u00e3o 10 anos sem reajuste. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque a gente conseguiu esse acr\u00e9scimo no or\u00e7amento, por meio da PEC da Transi\u00e7\u00e3o. Foi importante que a educa\u00e7\u00e3o tenha sido considerada neste momento.<\/p>\n<p><strong>Existe um plano a curto, m\u00e9dio, longo prazo de aumentar o valor das bolsas?<\/strong><\/p>\n<p>A gente tem o teto do or\u00e7amento da Capes. Se n\u00e3o fosse a PEC da transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegar\u00edamos nem em dezembro. Obviamente, a gente n\u00e3o quer ficar outros 10 anos sem reajuste. Temos que ter um planejamento or\u00e7ament\u00e1rio para os pr\u00f3ximos anos, para poder trazer reajustes com maior frequ\u00eancia. Daqui a pouco, come\u00e7amos a discuss\u00e3o do or\u00e7amento de 2024. Mas temos demandas da comunidade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a bolsa. Tem, por exemplo, a discuss\u00e3o de como a gente estende a previd\u00eancia social para os bolsistas, que isso conte como tempo de trabalho. Mas o pr\u00f3ximo reajuste j\u00e1 est\u00e1 no radar. Temos que ter previs\u00e3o de quando a poderemos implementar um novo reajuste.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m das diretrizes do MEC, a Capes tem um crit\u00e9rio interno para a concess\u00e3o de bolsas. Como funciona?<\/strong><\/p>\n<p>A Capes tem um sistema de concess\u00e3o de bolsas acoplada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Cursos que foram bem avaliados recebem incrementos no n\u00famero de bolsas. \u00c9 um est\u00edmulo \u00e0 melhoria da qualidade dos processos de forma\u00e7\u00e3o. Adicionalmente, esse modelo tem como vari\u00e1vel importante o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>Seria uma forma de a institui\u00e7\u00e3o de ensino contribuir com estados e munic\u00edpios?<\/strong><\/p>\n<p>Nem precisa ir muito longe, \u00e9 s\u00f3 olhar aqui, a capital federal. Se voc\u00ea tem um contingente de bolsistas, onde eles v\u00e3o utilizar esses recursos? Onde eles vivem. A bolsa serve para pagar aluguel, transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, usar servi\u00e7os dentro da cidade. Ent\u00e3o, \u00e9 um recurso que rapidamente volta para a economia local. Quando voc\u00ea tamb\u00e9m coloca uma institui\u00e7\u00e3o em um munic\u00edpio menor, ela vai contribuir de uma forma geral para a melhoria da qualidade dos recursos humanos, porque a universidade federal acaba sendo um polo cultural, de forma\u00e7\u00e3o extramuros, porque um outro aspecto importante da forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a extens\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 capaz de atuar dentro desses munic\u00edpios, dentro das escolas, mas fora tamb\u00e9m, em outros espa\u00e7os formativos e isso repercute. \u00c9 um cont\u00e1gio positivo.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e3o as avalia\u00e7\u00f5es dos cursos?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das \u00e1reas centrais da Capes \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. A gente teve uma melhoria nas notas dos cursos nesse \u00faltimo processo de avalia\u00e7\u00e3o. Esse reconhecimento parte da constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida que a Capes conseguiu fazer ao longo do tempo e est\u00e1 ancorada nesse processo de avalia\u00e7\u00e3o. O sistema nacional de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 um caso de sucesso. N\u00e3o significa que ele tenha que ser imut\u00e1vel, mas mostra que a gente conseguiu fazer muita coisa a partir de um elenco de a\u00e7\u00f5es indutoras, do fomento, de um programa de bolsas consistente e de programas de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 parte a remunera\u00e7\u00e3o das bolsas, o que precisa melhorar?<\/strong><\/p>\n<p>Nossa perspectiva \u00e9 n\u00e3o olhar mais para tr\u00e1s. Eu quero chegar l\u00e1 em 2100 com que cara? Nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar em 2030, mas para chegar em 2100, eu preciso preparar para 2030. Se voc\u00ea olhar o mapa da distribui\u00e7\u00e3o dos programas, a gente v\u00ea que a gente precisa interiorizar ainda muito mais. Ser\u00e1 que \u00e9 expandir o sistema, criando novos cursos, ou fazendo redes? Eu venho da \u00e1rea experimental. A gente monta o experimento, colhe os dados. N\u00e3o deu o que a gente queria, a gente volta para a prancheta, v\u00ea onde se pode melhorar e retoma o experimento. A ci\u00eancia evolui assim.<\/p>\n<p><strong>Houve um crescimento dos cotistas e de mulheres, mas o desafio ainda \u00e9 manter esses alunos. Como fazer isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel o impacto positivo das a\u00e7\u00f5es afirmativas. As universidades se diversificaram, o que eu achei excelente. A gente traz outras vis\u00f5es, outras formas de ver um problema e traduzir isso em solu\u00e7\u00f5es. Mas a gente precisa ter uma a\u00e7\u00e3o de indu\u00e7\u00e3o na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Muitas universidades implementaram individualmente suas a\u00e7\u00f5es afirmativas. A gente est\u00e1 fazendo esse levantamento para entender como isso funciona, se a gente transforma isso em um pol\u00edtica geral da Capes.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 outras abordagens para fortalecer as a\u00e7\u00f5es afirmativas?<\/strong><\/p>\n<p>A gente entende tamb\u00e9m que o processo de inclus\u00e3o dos grupos sub representados \u00e9 a import\u00e2ncia de eles verem um l\u00edder. \u00c9 muito mais f\u00e1cil para uma menina querer entrar na carreira cient\u00edfica se ela consegue identificar mulheres pesquisadoras. Se h\u00e1 uma menina preta, que ela consiga ver que h\u00e1 mulheres pretas pesquisadoras que s\u00e3o refer\u00eancias. Esse papel do modelo \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><strong>E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres?<\/strong><\/p>\n<p>A gente precisa tocar nessa quest\u00e3o da epidemia de viol\u00eancia contra a mulher. Os dados s\u00e3o aterradores. E as institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa n\u00e3o est\u00e3o isentas dessa realidade. Como a gente pode trazer pol\u00edticas e pr\u00e1ticas? Primeiro dizer que o problema existe. N\u00e3o tratar isso como uma coisa menor nem dizer que \u00e9 um caso aqui e acol\u00e1. N\u00e3o basta colocar oportunidade, o ambiente tem que ser receptivo. Por que que n\u00e3o tem frald\u00e1rio nas universidades? N\u00e3o tem espa\u00e7o para amamenta\u00e7\u00e3o? Quantas alunas t\u00eam que levar o filho para a aula? S\u00e3o quest\u00f5es que envolvem o ambiente como um todo.<\/p>\n<p><strong>O Ci\u00eancias Sem Fronteiras vai voltar?<\/strong><\/p>\n<p>No curto prazo, n\u00e3o vamos conseguir equiparar o or\u00e7amento do Ci\u00eancia Sem Fronteiras. Mas a Capes est\u00e1 reestruturando a \u00e1rea de internacionaliza\u00e7\u00e3o. Eu acho que o recado de que o Brasil est\u00e1 de volta tamb\u00e9m vai partir aqui da Capes. Breve, eu espero que a gente tenha a nomea\u00e7\u00e3o do novo diretor de rela\u00e7\u00f5es internacionais, vai ser uma pessoa com bastante experi\u00eancia na \u00e1rea. A gente j\u00e1 est\u00e1 discutindo como estreitar rela\u00e7\u00f5es com outros pa\u00edses. A internacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 nos dois sentidos. A gente quer que o aluno brasileiro v\u00e1 l\u00e1 para fora, e a gente tamb\u00e9m quer trazer o aluno estrangeiro para o Brasil. A gente tamb\u00e9m tem o dever de casa para fazer, que \u00e9 preparar as nossas institui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 as nossas cidades, para receber o aluno estrangeiro. \u00c9 uma conversa que \u00e9 mais ampla do que a Capes.<\/p>\n<p><strong>Como impedir a \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d em um pa\u00eds onde a ci\u00eancia foi t\u00e3o maltratada nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n<p>O reajuste das bolsas \u00e9 um primeiro passo, porque superamos uma defasagem que era muito acentuada. Mesmo assim, o reajuste cumpriu s\u00f3 uma parte, porque \u00e9 o que era poss\u00edvel no momento. A gente passou por um per\u00edodo que foi muito duro efetivamente para a ci\u00eancia e tecnologia, para a educa\u00e7\u00e3o, sobretudo a p\u00fablica. Os ataques \u00e0s universidades p\u00fablicas, principalmente \u00e0 UnB, que \u00e9 muito visada, os termos que foram utilizados, a \u2018balb\u00fardia\u2019, todo esse discurso foi muito nocivo. Para um jovem pesquisador, ele n\u00e3o est\u00e1 olhando s\u00f3 para o recurso que ele tem dispon\u00edvel. Ele olha o ecossistema de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o. Mesmo as institui\u00e7\u00f5es particulares, colocando uma grande quantidade de recursos nesses pesquisadores, muitos deles estavam desistindo desses recursos para ir para outras institui\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a bolsa. \u00c9 importante pensar como a gente trabalha em um ambiente em que o pesquisador sinta que ele tem com quem trocar.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Porque ele pode ter muito recurso no seu laborat\u00f3rio, mas se ele est\u00e1 do lado de um outro colega que sofre todas as restri\u00e7\u00f5es, ou com alunos que t\u00eam dificuldade at\u00e9 de conseguir chegar no fim do m\u00eas e pagar suas contas, contribui para um ambiente que n\u00e3o \u00e9 salutar, em termos de desenvolvimento e pesquisa. \u00c9 como tornar esses ambientes mais prop\u00edcios para as pessoas quererem ficar. Se, ao abrir o jornal, todos os dias h\u00e1 um ataque \u00e0 ci\u00eancia, uma afirma\u00e7\u00e3o de negacionismo, quem est\u00e1 se formando se pergunta \u2018o que estou fazendo aqui? n\u00e3o sou bem-vindo aqui\u2019.<\/p>\n<p><strong>Por que \u00e9 importante trabalhar essas quest\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Quando o pa\u00eds sinaliza que acredita que a ci\u00eancia \u00e9 o caminho para o desenvolvimento, que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa ferramenta, queremos trazer os alunos para as licenciaturas. Nosso objetivo \u00e9 que eles queiram se tornar professores, queiram atuar na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, sintam que t\u00eam est\u00edmulo a isso, que eles t\u00eam que estar nas universidades, mas tamb\u00e9m atuando nas escolas, conhecendo a realidade, e que as escolas se preparem para receber esses bolsistas. Era a situa\u00e7\u00e3o do Brasil h\u00e1 d\u00e9cadas atr\u00e1s. A carreira de professor tinha visibilidade. Por que a gente perdeu? S\u00e3o quest\u00f5es em que o discurso pesa muito.<\/p>\n<p><strong>Como fazer para a sociedade tamb\u00e9m valorizar a ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00eddia tem um papel importante. Porque h\u00e1 um movimento organizado de desinforma\u00e7\u00e3o; desinforma\u00e7\u00e3o esta que nos \u00faltimos anos nos custou vidas. Foi assim na pandemia, com a quest\u00e3o da mudan\u00e7a do clima. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que as pessoas se surpreendam com casos extremos como o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP), porque esse \u00e9 um recado que a ci\u00eancia d\u00e1 h\u00e1 pelo menos 30 anos. \u00c9 preciso que essa interface ci\u00eancia-pol\u00edtica se aprimore: a ci\u00eancia precisa se comunicar melhor. Cada vez mais pesquisadores v\u00eam atuando como divulgadores da ci\u00eancia e percebem que isso \u00e9 importante. Mas tamb\u00e9m que a pol\u00edtica se abra para entender a mensagem cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>A senhora esteve na Capes como diretora em 2016. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1?<\/strong><br \/>\nQuando recebi o convite para vir para a Capes, eu sabia o desafio, porque conhecia o hist\u00f3rico de turbul\u00eancia, das trocas constantes de ministros\u2026 Tem um desafio de recuperar essa credibilidade, o di\u00e1logo, a transpar\u00eancia. Mas me deu muita tranquilidade saber que a Capes tem um conjunto de servidores de carreira muito comprometidos. O servi\u00e7o p\u00fablico brasileiro, tamb\u00e9m muito agredido ao longo dos anos, mostrou o papel importante de fazer uma transi\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o e manter minimamente alguns processos. A diferen\u00e7a principal que eu vejo \u00e9 que temos um passivo para recuperar. Em 2016, a Capes vinha de um momento de crescimento. Hoje, h\u00e1 processo de retomada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora da UnB \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o de fomento \u00e0 ci\u00eancia, Mercedes Bustamante afirma que o governo federal pretende estabelecer um planejamento para melhorar e ampliar benef\u00edcios a pesquisadores. Na quinta-feira, ministro anunciou mais 5,3 mil bolsas. \u201cNossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 casar oportunidade com talento\u201d. \u00c9 essa a vis\u00e3o da presidente da\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), Mercedes Bustamante, para a gest\u00e3o \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o. Nomeada pelo ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Camilo Santana, em janeiro, a professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) tem a miss\u00e3o de executar a aposta do governo para melhorar o cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o e pesquisa brasileira. A primeira provid\u00eancia foi conceder o reajuste das bolsas dos pesquisadores, que n\u00e3o ocorria h\u00e1 10 anos. Mas o minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretende ficar apenas nesse gesto. Bustamante explica que o governo trabalha para implementar um planejamento no reajuste e na concess\u00e3o dos incentivos financeiros a pesquisadores. Na \u00faltima quinta-feira, Camilo Santana anunciou mais 5,3 mil bolsas. Em 2022, o governo concedeu 84,3 mil bolsas; Com o an\u00fancio do ministro, passar\u00e3o a ser 89,6 mil benef\u00edcios. Segundo Bustamante, o governo est\u00e1 dando mostra de que \u201ca ci\u00eancia \u00e9 o caminho\u201d e a \u201ceduca\u00e7\u00e3o a ferramenta\u201d para o desenvolvimento. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista. O que permitiu o reajuste das bolsas e o aumento da oferta do benef\u00edcio? O primeiro ato que tive a oportunidade de assinar, como presidente da Capes, foi o reajuste das bolsas. \u00c9 uma demanda antiga, s\u00e3o 10 anos sem reajuste. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque a gente conseguiu esse acr\u00e9scimo no or\u00e7amento, por meio da PEC da Transi\u00e7\u00e3o. Foi importante que a educa\u00e7\u00e3o tenha sido considerada neste momento. Existe um plano a curto, m\u00e9dio, longo prazo de aumentar o valor das bolsas? A gente tem o teto do or\u00e7amento da Capes. Se n\u00e3o fosse a PEC da transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegar\u00edamos nem em dezembro. Obviamente, a gente n\u00e3o quer ficar outros 10 anos sem reajuste. Temos que ter um planejamento or\u00e7ament\u00e1rio para os pr\u00f3ximos anos, para poder trazer reajustes com maior frequ\u00eancia. Daqui a pouco, come\u00e7amos a discuss\u00e3o do or\u00e7amento de 2024. Mas temos demandas da comunidade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a bolsa. Tem, por exemplo, a discuss\u00e3o de como a gente estende a previd\u00eancia social para os bolsistas, que isso conte como tempo de trabalho. Mas o pr\u00f3ximo reajuste j\u00e1 est\u00e1 no radar. Temos que ter previs\u00e3o de quando a poderemos implementar um novo reajuste. Al\u00e9m das diretrizes do MEC, a Capes tem um crit\u00e9rio interno para a concess\u00e3o de bolsas. Como funciona? A Capes tem um sistema de concess\u00e3o de bolsas acoplada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Cursos que foram bem avaliados recebem incrementos no n\u00famero de bolsas. \u00c9 um est\u00edmulo \u00e0 melhoria da qualidade dos processos de forma\u00e7\u00e3o. Adicionalmente, esse modelo tem como vari\u00e1vel importante o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano dos munic\u00edpios. Seria uma forma de a institui\u00e7\u00e3o de ensino contribuir com estados e munic\u00edpios? Nem precisa ir muito longe, \u00e9 s\u00f3 olhar aqui, a capital federal. Se voc\u00ea tem um contingente de bolsistas, onde eles v\u00e3o utilizar esses recursos? Onde eles vivem. A bolsa serve para pagar aluguel, transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, usar servi\u00e7os dentro da cidade. Ent\u00e3o, \u00e9 um recurso que rapidamente volta para a economia local. Quando voc\u00ea tamb\u00e9m coloca uma institui\u00e7\u00e3o em um munic\u00edpio menor, ela vai contribuir de uma forma geral para a melhoria da qualidade dos recursos humanos, porque a universidade federal acaba sendo um polo cultural, de forma\u00e7\u00e3o extramuros, porque um outro aspecto importante da forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a extens\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 capaz de atuar dentro desses munic\u00edpios, dentro das escolas, mas fora tamb\u00e9m, em outros espa\u00e7os formativos e isso repercute. \u00c9 um cont\u00e1gio positivo. Como est\u00e3o as avalia\u00e7\u00f5es dos cursos? Uma das \u00e1reas centrais da Capes \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. A gente teve uma melhoria nas notas dos cursos nesse \u00faltimo processo de avalia\u00e7\u00e3o. Esse reconhecimento parte da constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida que a Capes conseguiu fazer ao longo do tempo e est\u00e1 ancorada nesse processo de avalia\u00e7\u00e3o. O sistema nacional de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 um caso de sucesso. N\u00e3o significa que ele tenha que ser imut\u00e1vel, mas mostra que a gente conseguiu fazer muita coisa a partir de um elenco de a\u00e7\u00f5es indutoras, do fomento, de um programa de bolsas consistente e de programas de avalia\u00e7\u00e3o. \u00c0 parte a remunera\u00e7\u00e3o das bolsas, o que precisa melhorar? Nossa perspectiva \u00e9 n\u00e3o olhar mais para tr\u00e1s. Eu quero chegar l\u00e1 em 2100 com que cara? Nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar em 2030, mas para chegar em 2100, eu preciso preparar para 2030. Se voc\u00ea olhar o mapa da distribui\u00e7\u00e3o dos programas, a gente v\u00ea que a gente precisa interiorizar ainda muito mais. Ser\u00e1 que \u00e9 expandir o sistema, criando novos cursos, ou fazendo redes? Eu venho da \u00e1rea experimental. A gente monta o experimento, colhe os dados. N\u00e3o deu o que a gente queria, a gente volta para a prancheta, v\u00ea onde se pode melhorar e retoma o experimento. A ci\u00eancia evolui assim. Houve um crescimento dos cotistas e de mulheres, mas o desafio ainda \u00e9 manter esses alunos. Como fazer isso? \u00c9 vis\u00edvel o impacto positivo das a\u00e7\u00f5es afirmativas. As universidades se diversificaram, o que eu achei excelente. A gente traz outras vis\u00f5es, outras formas de ver um problema e traduzir isso em solu\u00e7\u00f5es. Mas a gente precisa ter uma a\u00e7\u00e3o de indu\u00e7\u00e3o na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Muitas universidades implementaram individualmente suas a\u00e7\u00f5es afirmativas. A gente est\u00e1 fazendo esse levantamento para entender como isso funciona, se a gente transforma isso em um pol\u00edtica geral da Capes. H\u00e1 outras abordagens para fortalecer as a\u00e7\u00f5es afirmativas? A gente entende tamb\u00e9m que o processo de inclus\u00e3o dos grupos sub representados \u00e9 a import\u00e2ncia de eles verem um l\u00edder. \u00c9 muito mais f\u00e1cil para uma menina querer entrar na carreira cient\u00edfica se ela consegue identificar mulheres pesquisadoras. Se h\u00e1 uma menina preta, que ela consiga ver que h\u00e1 mulheres pretas pesquisadoras que s\u00e3o refer\u00eancias. Esse papel do modelo \u00e9 muito importante. E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres? 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