{"id":5249,"date":"2022-11-04T12:25:07","date_gmt":"2022-11-04T15:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=5249"},"modified":"2022-11-04T12:25:07","modified_gmt":"2022-11-04T15:25:07","slug":"plantacoes-florestais-mistas-tendem-a-ser-mais-resistentes-as-mudancas-climaticas-dizem-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2022\/11\/04\/plantacoes-florestais-mistas-tendem-a-ser-mais-resistentes-as-mudancas-climaticas-dizem-cientistas\/","title":{"rendered":"Planta\u00e7\u00f5es florestais mistas tendem a ser mais resistentes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, dizem cientistas"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, h\u00e1 cerca de 10 milh\u00f5es de hectares de planta\u00e7\u00f5es comerciais de madeira, dos quais aproximadamente 80% s\u00e3o compostos por eucalipto destinado majoritariamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de papel e celulose. Mais da metade das planta\u00e7\u00f5es dessa \u00e1rvore no pa\u00eds usam um \u00fanico clone (plantas com a mesma composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica), contou\u00a0Pedro Brancalion, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP).<\/p>\n<p>\u201cIsso representa um grande risco em tempos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, avaliou o cientista durante palestra no evento\u00a0Climate change and biodiversity scientific cooperation day, realizado em 20 de outubro, no Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), pela FAPESP e os consulados gerais da Fran\u00e7a e da Alemanha em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos clones de eucalipto em uso hoje no Brasil \u00e9\u00a0\u00f3tima\u00a0para crescimento r\u00e1pido, desde que haja disponibilidade de \u00e1gua suficiente. Em eventos de seca severa, cada vez mais frequentes com as mudan\u00e7as do clima, os eucaliptos e outras esp\u00e9cies comerciais podem secar e morrer, bem como reduzir a oferta de \u00e1gua para as pessoas. Por isso \u00e9 preciso buscar meios de tornar as planta\u00e7\u00f5es florestais mais resilientes \u00e0 seca e econ\u00f4micas no uso da \u00e1gua\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es para atingir esses objetivos \u00e9 aumentar a complexidade biol\u00f3gica das planta\u00e7\u00f5es comerciais, misturando clones ou adicionando novas esp\u00e9cies ao sistema, avaliou Brancalion.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia de promover planta\u00e7\u00f5es florestais mistas, onde v\u00e1rios materiais gen\u00e9ticos ou mesmo esp\u00e9cies de \u00e1rvores s\u00e3o misturados, tamb\u00e9m tem sido apontada como uma das solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza mais promissoras para serem implementadas em programas de restaura\u00e7\u00e3o florestal, com o intuito de potencializar o sequestro de CO2 pelas \u00e1rvores e, ao mesmo tempo, tornar as florestas plantadas mais resistentes \u00e0 seca. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro, contudo, como a diversidade de \u00e1rvores influencia no funcionamento da floresta e favorece ao mesmo tempo a mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ponderou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa \u00e9 que quanto mais esp\u00e9cies uma floresta tiver melhor ser\u00e1 seu funcionamento e sua resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pois usar\u00e1 de forma mais eficiente recursos ambientais como a \u00e1gua\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A fim de testar essa teoria ecol\u00f3gica e ampliar a base de conhecimento para promover planta\u00e7\u00f5es florestais mistas, o pesquisador, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Esalq-USP e do Centro de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional em Pesquisa Agron\u00f4mica para o Desenvolvimento (Cirad), da Fran\u00e7a, est\u00e1 realizando um experimento em larga escala in\u00e9dito no Brasil. O projeto,\u00a0apoiado\u00a0pela FAPESP, est\u00e1 sendo conduzido em uma \u00e1rea de 6\u00a0hectares da Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Ci\u00eancias Florestais da Esalq-USP em Itatinga, no interior paulista.<\/p>\n<p>Foram plantadas na \u00e1rea 150 parcelas experimentais com diferentes n\u00edveis de diversidade de \u00e1rvores, variando de uma a seis esp\u00e9cies nativas de grande interesse para silvicultura ou restaura\u00e7\u00e3o florestal e amplamente distribu\u00eddas pela Mata Atl\u00e2ntica e o Cerrado.<\/p>\n<p>As diversas composi\u00e7\u00f5es de floresta est\u00e3o sendo ainda submetidas a diferentes tratamentos de disponibilidade de nutrientes e \u00e1gua, obtidos a partir da adi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de fertilizantes e do uso de lonas pl\u00e1sticas para interceptar a \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>Ao comparar as planta\u00e7\u00f5es florestais mistas com monoculturas ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar n\u00e3o s\u00f3 os impactos da diversidade de \u00e1rvores no funcionamento de um ecossistema como tamb\u00e9m elaborar diretrizes de programas de restaura\u00e7\u00e3o, afirmou Brancalion.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 usar a biodiversidade como uma estrat\u00e9gia fundamental para adaptar as planta\u00e7\u00f5es de madeira ao s\u00e9culo 21, em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia \u00e0 seca<\/strong><\/p>\n<p>Uma das linhas de estudo do projeto \u00e9 sobre como aumentar a absor\u00e7\u00e3o de carbono por essas planta\u00e7\u00f5es florestais mistas. Outra vertente da pesquisa \u00e9 como torn\u00e1-las mais resistentes \u00e0 seca, um problema cr\u00edtico para \u00e1rvores de crescimento muito r\u00e1pido como o eucalipto, que exigem muita \u00e1gua durante o desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cAs planta\u00e7\u00f5es florestais de r\u00e1pido crescimento podem consumir quase o mesmo volume de \u00e1gua que a chuva traz para algumas bacias nas fases de pico de crescimento. Portanto, se as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto n\u00e3o forem bem planejadas, alguns dos problemas mais importantes apresentados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que s\u00e3o as secas, poder\u00e3o ser amplificados\u201d, ponderou Brancalion.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m sublinhou que a nova fronteira das planta\u00e7\u00f5es de eucalipto no Brasil \u00e9 o Mato Grosso do Sul, regi\u00e3o conhecida por ter clima sazonalmente seco.<\/p>\n<p>Os clones comerciais de eucalipto foram desenvolvidos para maximizar a produtividade, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando h\u00e1 boa disponibilidade de \u00e1gua. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por\u00e9m, per\u00edodos de grande d\u00e9ficit h\u00eddrico tendem a se tornar mais comuns e restringir a produtividade florestal.<\/p>\n<p>\u201cAs planta\u00e7\u00f5es de eucalipto exigem muita \u00e1gua e quando h\u00e1 secas extremas as \u00e1rvores morrem. J\u00e1 vi planta\u00e7\u00f5es de centenas de hectares com \u00e1rvores totalmente mortas por falta de \u00e1gua\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n<p>O projeto conduzido pelos pesquisadores brasileiros e franceses integra uma rede de experimentos voltados a entender os impactos da diversidade de \u00e1rvores no funcionamento de ecossistemas, chamada TreeDivNet.<\/p>\n<p>A rede abrange outros experimentos estabelecidos na \u00c1ustria, Su\u00e9cia, B\u00e9lgica, Alemanha e na Fran\u00e7a. Al\u00e9m disso, conta com a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como tamb\u00e9m de coaliza\u00e7\u00f5es do setor florestal.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 complementado por entrevistas realizadas no Brasil e em alguns desses pa\u00edses para compreender os desafios e oportunidades para a expans\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es florestais mistas.<\/p>\n<p>\u201cA exist\u00eancia desses experimentos controlados em diferentes regi\u00f5es do mundo permitir\u00e1 termos uma vis\u00e3o global de como a biodiversidade pode nos ajudar a enfrentar alguns dos desafios mais importantes trazidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em diferentes ecossistemas, como florestas tropicais e temperadas. Isso \u00e9 importante porque sabemos que o clima n\u00e3o mudar\u00e1 da mesma maneira em todos os lugares no mundo\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>Esse tipo de colabora\u00e7\u00e3o internacional em pesquisa ser\u00e1 ainda mais importante no momento p\u00f3s-pandemia de COVID-19, avaliou\u00a0Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, na abertura do evento.<\/p>\n<p>\u201cQuando a sociedade se recuperar do desastre global mais significativo do s\u00e9culo, que foi a pandemia de COVID-19, ser\u00e1 o momento certo para falarmos a s\u00e9rio e forjarmos uma forte colabora\u00e7\u00e3o para evitar e enfrentar novos desafios e amea\u00e7as globais, como aqueles causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais e a perda de biodiversidade\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O c\u00f4nsul-geral da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, Christophe Alamelama, ressaltou que para responder aos desafios impostos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a perda da biodiversidade global os governos devem se basear na ci\u00eancia e que a coopera\u00e7\u00e3o internacional nessa \u00e1rea \u00e9 vital.<\/p>\n<p>\u201cEstamos ansiosos para aumentar a coopera\u00e7\u00e3o franco-brasileira em pesquisas sobre biodiversidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A c\u00f4nsul-geral da Alemanha em S\u00e3o Paulo, Martina Hackelberg, disse que o Brasil \u00e9 um parceiro particularmente importante para o pa\u00eds europeu e tem um papel fundamental na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 cooperamos em muitas \u00e1reas, mas podemos avan\u00e7ar para outros campos no futuro, como hidrog\u00eanio verde\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, h\u00e1 cerca de 10 milh\u00f5es de hectares de planta\u00e7\u00f5es comerciais de madeira, dos quais aproximadamente 80% s\u00e3o compostos por eucalipto destinado majoritariamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de papel e celulose. 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