{"id":5222,"date":"2022-10-28T12:21:36","date_gmt":"2022-10-28T15:21:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=5222"},"modified":"2022-10-28T12:21:36","modified_gmt":"2022-10-28T15:21:36","slug":"incendio-na-amazonia-esta-mais-ligado-ao-uso-do-fogo-em-pastagem-e-ao-desmate-do-que-a-seca-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2022\/10\/28\/incendio-na-amazonia-esta-mais-ligado-ao-uso-do-fogo-em-pastagem-e-ao-desmate-do-que-a-seca-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia est\u00e1 mais ligado ao uso do fogo em pastagem e ao desmate do que \u00e0 seca, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo brasileiro mostra que o uso descontrolado do fogo pelo homem tem mais influ\u00eancia do que a seca nas queimadas registradas em toda a Amaz\u00f4nia entre os anos de 2003 e 2020. Segundo os autores, a maioria dos per\u00edodos com alto n\u00famero de focos de inc\u00eandios est\u00e1 mais relacionada com as queimadas agr\u00edcolas e com o desmatamento do que com as condi\u00e7\u00f5es de seca extrema.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, 32% das \u00e1reas queimadas anualmente no bioma foram em terras agr\u00edcolas (dominadas por pastagens), seguidas por campos naturais (29%) e \u00e1reas de florestas maduras (16%). Ao avaliar o desmatamento e as anomalias de d\u00e9ficit h\u00eddrico, o primeiro fator contribuiu mais do que o segundo para os inc\u00eandios no per\u00edodo analisado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao inovar e ampliar o escopo de an\u00e1lise para as regi\u00f5es amaz\u00f4nicas dos nove pa\u00edses com a floresta em seus territ\u00f3rios, o trabalho mostrou que Brasil e Bol\u00edvia responderam juntos pela maior parte das detec\u00e7\u00f5es anuais de focos de fogo no per\u00edodo. Isso representa, no caso brasileiro, em m\u00e9dia, mais da metade das \u00e1reas queimadas anualmente na Amaz\u00f4nia e, em terras bolivianas, cerca de um ter\u00e7o.<\/p>\n<p>Embora 63% da Amaz\u00f4nia esteja em territ\u00f3rio brasileiro, a floresta se estende por Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Equador, abrangendo uma \u00e1rea total em torno de 6,67 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2), considerando o limite da Amaz\u00f4nia lato\u00a0sensu).<\/p>\n<p>O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA). O artigo \u00e9 parte de uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista cient\u00edfica Global Ecology and Biogeography que visa discutir a crescente amea\u00e7a de inc\u00eandios florestais no mundo.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil voltou a ter um elevado n\u00famero de queimadas na Amaz\u00f4nia \u2013 o acumulado dos nove primeiros meses deste ano, especialmente em agosto e setembro, foi o pior desde 2010, quando ocorreram 102.409 focos, de acordo com dados do Programa Queimadas, do Inpe. Simultaneamente, a partir de 2019, as taxas de desmatamento no bioma t\u00eam atingido os maiores patamares desde 2009, excedendo anualmente 10 mil km\u00b2\u00a0de florestas desmatadas. A tend\u00eancia vem se mantendo neste ano de acordo com os alertas do sistema DETER.<\/p>\n<p>\u201cA literatura cient\u00edfica sobre inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia estava mais centrada no territ\u00f3rio brasileiro. Ampliamos esse escopo para os outros pa\u00edses, buscando entender onde a atividade do fogo est\u00e1 sendo mais cr\u00edtica e merece aten\u00e7\u00e3o, olhando para diferentes coberturas e usos do solo. Detectamos que a agricultura, especialmente no Brasil, onde majoritariamente \u00e9 pastagem, adota o fogo como t\u00e9cnica para renova\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, mas sem manejo adequado. Com isso, o risco de escapar e atingir a floresta \u00e9 grande\u201d, avalia Marcus Vinicius de Freitas Silveira, doutorando na Divis\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Terra e Geoinform\u00e1tica (DIOTG-Inpe) e primeiro autor do trabalho.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Arag\u00e3o, chefe da DIOTG-Inpe e um dos autores do artigo, o trabalho avan\u00e7ou ao trazer a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea geogr\u00e1fica analisada e a abrang\u00eancia de quase 20 anos de dados. \u201cCom esse longo per\u00edodo, conseguimos identificar anomalias dentro da s\u00e9rie temporal, como em 2020. Os resultados mostram a dissemina\u00e7\u00e3o do uso do fogo em toda a Amaz\u00f4nia tanto em processos para corte e queimada de floresta como para a continuidade no manejo de pastagens\u201d, completa.<\/p>\n<p>Arag\u00e3o coordena o grupo TREES (Tropical Ecosystems and Environmental Sciences lab) e participa do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG), no \u00e2mbito do qual o estudo foi conduzido. O financiamento se deu por meio de tr\u00eas projetos (16\/02018-2, 20\/16457-3 e 20\/15230-5).<\/p>\n<p>Como disse o pesquisador, 2020 apareceu como uma das \u201canomalias da s\u00e9rie temporal\u201d. De acordo com o estudo, naquele ano, que coincide com um enfraquecimento de opera\u00e7\u00f5es de controle ambiental decorrente, entre outros motivos, da pandemia de COVID-19, a \u00e1rea queimada foi a maior desde 2010 para a Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Inc\u00eandios sem precedentes tamb\u00e9m atingiram o Pantanal em 2020. Naquele ano, esse bioma teve um encolhimento da superf\u00edcie h\u00eddrica 34% acima do que a m\u00e9dia anual, segundo trabalho publicado em julho por pesquisadores, incluindo Arag\u00e3o e a cientista Liana Anderson, outra autora do trabalho sobre a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Assim como na floresta tropical, no Pantanal os inc\u00eandios foram uma consequ\u00eancia da intensifica\u00e7\u00e3o das atividades humanas relacionadas ao fogo. Dos focos de queimadas em 2020, 70% ocorreram em propriedades rurais, 5% em Terras Ind\u00edgenas e 10% em \u00e1reas protegidas, como mostrou a pesquisa, que tamb\u00e9m recebeu apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo Liana Anderson, a principal a\u00e7\u00e3o de curto prazo para diminuir o risco de inc\u00eandios florestais na Amaz\u00f4nia \u00e9 extinguir o desmatamento ilegal na regi\u00e3o e atacar os problemas de grilagem de terras. \u201cConcomitante a isso, a capacita\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas para manejo da terra livre do uso do fogo s\u00e3o cruciais para minimizar o risco crescente de grandes inc\u00eandios. Tanto a paisagem cada vez mais fragmentada como um clima mais quente e com menos chuvas levam ao aumento da flamabilidade\u201d, diz a cientista.<\/p>\n<p>O pesquisador Celso Silva-Junior destaca a situa\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, zona de transi\u00e7\u00e3o entre o bioma amaz\u00f4nico e o Cerrado e que tamb\u00e9m experimentou\u00a0um aumento de 18% em focos de calor entre janeiro e setembro deste ano comparado ao mesmo per\u00edodo em 2021. \u201cAssim como observado em nosso artigo, a atividade recente do fogo nessa regi\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada ao desmatamento, induzido n\u00e3o somente pelos retrocessos ambientais federais, mas tamb\u00e9m aos retrocessos em n\u00edvel estadual.\u201d<\/p>\n<p>Impactos<\/p>\n<p>O fogo est\u00e1 entre os principais tipos de dist\u00farbios respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, com impactos negativos na estrutura e din\u00e2mica da floresta. Esses efeitos podem comprometer os estoques de carbono e a capacidade das \u00e1rvores de capturar CO2.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios afetam ainda a sa\u00fade de moradores da regi\u00e3o, acentuando a polui\u00e7\u00e3o do ar e levando a interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Relat\u00f3rio produzido pelo Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade (Ieps) em parceria com o Ipam Amaz\u00f4nia e a Human Rights Watch indicou que as queimadas associadas ao desmatamento na Amaz\u00f4nia levaram a 2.195 interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as respirat\u00f3rias em 2019, das quais 49% foram de pessoas com 60 anos ou mais e 21% de beb\u00eas com at\u00e9 1 ano.<\/p>\n<p>Ainda em 2019, a tarde de 19 de agosto virou noite em S\u00e3o Paulo, em parte pela fuma\u00e7a das queimadas da Floresta Amaz\u00f4nica que se somou a um fen\u00f4meno causado por nuvens carregadas muito baixas que esconderam a luz do Sol (leia mais em: agencia.fapesp.br\/31280\/).<\/p>\n<p>Dados<\/p>\n<p>Na pesquisa publicada na Global Ecology and Biogeography, o grupo levou em considera\u00e7\u00e3o s\u00e9ries temporais de detec\u00e7\u00e3o de focos de fogo e \u00e1reas queimadas, fazendo um cruzamento anual das regi\u00f5es afetadas com os v\u00e1rios tipos de uso e cobertura da terra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia foi dividido em c\u00e9lulas de grade (de 10 km por 10 km), identificando anomalias anuais na ocorr\u00eancia de focos de fogo, precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, m\u00e1ximo d\u00e9ficit h\u00eddrico acumulado e desmatamento.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que, entre 2003 e 2020, o Brasil sozinho concentrou, em m\u00e9dia, 73% das detec\u00e7\u00f5es anuais de focos de fogo na Amaz\u00f4nia, seguido pela Bol\u00edvia, com 14,5%, e Peru com 5,3%. Dividindo os focos de fogo de cada regi\u00e3o amaz\u00f4nica pela \u00e1rea total, a maior densidade ocorreu na Bol\u00edvia, com uma m\u00e9dia de seis focos por 100 km2\/ano, seguido pelo Brasil, com tr\u00eas por 100 km2\/ano.<\/p>\n<p>As ocorr\u00eancias foram maiores na d\u00e9cada de 2000, associadas a elevadas taxas de desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira, atingindo valores mais baixos entre 2013 e 2014 e aumentando novamente nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Em termos de \u00e1rea queimada, Brasil e Bol\u00edvia contribu\u00edram, em m\u00e9dia, com 56% e 33%, respectivamente, do total anual na Amaz\u00f4nia ao longo da s\u00e9rie. Venezuela e Col\u00f4mbia vieram em seguida, com cerca de 4% cada uma. Embora o Peru tenha sido a terceira regi\u00e3o amaz\u00f4nica mais relevante em focos, registrou apenas 0,63% do total anual de \u00e1rea queimada.<\/p>\n<p>Quando os cientistas analisam o tipo de uso do solo, as terras agr\u00edcolas (lavouras e pastagens), campos naturais, florestas maduras e \u00e1reas \u00famidas foram os que mais queimaram ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica \u2013 em m\u00e9dia, 32%, 29%, 16% e 13%, respectivamente, da \u00e1rea total anual queimada.<\/p>\n<p>As terras agr\u00edcolas tamb\u00e9m compartilharam a maior propor\u00e7\u00e3o da \u00e1rea total anual queimada na regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Brasil (48%) e do Peru (51%), enquanto as florestas maduras foram as mais afetadas no Equador (76%) e outras \u00e1reas \u00famidas na Guiana (46,5%).<\/p>\n<p>\u201cSe pensarmos que o fogo \u00e9 uma ferramenta de gest\u00e3o das \u00e1reas abertas para a agricultura, seja de plantio ou de pastagem, percebemos que essa t\u00e9cnica coloca em risco n\u00e3o s\u00f3 a floresta e sua biodiversidade como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da agricultura na regi\u00e3o para um sistema mais sustent\u00e1vel. A solu\u00e7\u00e3o seria buscar um planejamento estrat\u00e9gico do uso da terra, que envolvesse v\u00e1rios n\u00edveis governamentais e da sociedade, incluindo treinamento de pessoas e facilita\u00e7\u00e3o para o uso de t\u00e9cnicas mais avan\u00e7adas\u201d, diz Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Luciana Constantino | Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo brasileiro mostra que o uso descontrolado do fogo pelo homem tem mais influ\u00eancia do que a seca nas queimadas registradas em toda a Amaz\u00f4nia entre os anos de 2003 e 2020. Segundo os autores, a maioria dos per\u00edodos com alto n\u00famero de focos de inc\u00eandios est\u00e1 mais relacionada com as queimadas agr\u00edcolas e com o desmatamento do que com as condi\u00e7\u00f5es de seca extrema. Em m\u00e9dia, 32% das \u00e1reas queimadas anualmente no bioma foram em terras agr\u00edcolas (dominadas por pastagens), seguidas por campos naturais (29%) e \u00e1reas de florestas maduras (16%). Ao avaliar o desmatamento e as anomalias de d\u00e9ficit h\u00eddrico, o primeiro fator contribuiu mais do que o segundo para os inc\u00eandios no per\u00edodo analisado. Al\u00e9m disso, ao inovar e ampliar o escopo de an\u00e1lise para as regi\u00f5es amaz\u00f4nicas dos nove pa\u00edses com a floresta em seus territ\u00f3rios, o trabalho mostrou que Brasil e Bol\u00edvia responderam juntos pela maior parte das detec\u00e7\u00f5es anuais de focos de fogo no per\u00edodo. Isso representa, no caso brasileiro, em m\u00e9dia, mais da metade das \u00e1reas queimadas anualmente na Amaz\u00f4nia e, em terras bolivianas, cerca de um ter\u00e7o. Embora 63% da Amaz\u00f4nia esteja em territ\u00f3rio brasileiro, a floresta se estende por Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Equador, abrangendo uma \u00e1rea total em torno de 6,67 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2), considerando o limite da Amaz\u00f4nia lato\u00a0sensu). O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA). O artigo \u00e9 parte de uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista cient\u00edfica Global Ecology and Biogeography que visa discutir a crescente amea\u00e7a de inc\u00eandios florestais no mundo. Atualmente, o Brasil voltou a ter um elevado n\u00famero de queimadas na Amaz\u00f4nia \u2013 o acumulado dos nove primeiros meses deste ano, especialmente em agosto e setembro, foi o pior desde 2010, quando ocorreram 102.409 focos, de acordo com dados do Programa Queimadas, do Inpe. Simultaneamente, a partir de 2019, as taxas de desmatamento no bioma t\u00eam atingido os maiores patamares desde 2009, excedendo anualmente 10 mil km\u00b2\u00a0de florestas desmatadas. A tend\u00eancia vem se mantendo neste ano de acordo com os alertas do sistema DETER. \u201cA literatura cient\u00edfica sobre inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia estava mais centrada no territ\u00f3rio brasileiro. Ampliamos esse escopo para os outros pa\u00edses, buscando entender onde a atividade do fogo est\u00e1 sendo mais cr\u00edtica e merece aten\u00e7\u00e3o, olhando para diferentes coberturas e usos do solo. Detectamos que a agricultura, especialmente no Brasil, onde majoritariamente \u00e9 pastagem, adota o fogo como t\u00e9cnica para renova\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, mas sem manejo adequado. Com isso, o risco de escapar e atingir a floresta \u00e9 grande\u201d, avalia Marcus Vinicius de Freitas Silveira, doutorando na Divis\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Terra e Geoinform\u00e1tica (DIOTG-Inpe) e primeiro autor do trabalho. Para o pesquisador Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Arag\u00e3o, chefe da DIOTG-Inpe e um dos autores do artigo, o trabalho avan\u00e7ou ao trazer a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea geogr\u00e1fica analisada e a abrang\u00eancia de quase 20 anos de dados. \u201cCom esse longo per\u00edodo, conseguimos identificar anomalias dentro da s\u00e9rie temporal, como em 2020. Os resultados mostram a dissemina\u00e7\u00e3o do uso do fogo em toda a Amaz\u00f4nia tanto em processos para corte e queimada de floresta como para a continuidade no manejo de pastagens\u201d, completa. Arag\u00e3o coordena o grupo TREES (Tropical Ecosystems and Environmental Sciences lab) e participa do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG), no \u00e2mbito do qual o estudo foi conduzido. O financiamento se deu por meio de tr\u00eas projetos (16\/02018-2, 20\/16457-3 e 20\/15230-5). Como disse o pesquisador, 2020 apareceu como uma das \u201canomalias da s\u00e9rie temporal\u201d. De acordo com o estudo, naquele ano, que coincide com um enfraquecimento de opera\u00e7\u00f5es de controle ambiental decorrente, entre outros motivos, da pandemia de COVID-19, a \u00e1rea queimada foi a maior desde 2010 para a Floresta Amaz\u00f4nica. Inc\u00eandios sem precedentes tamb\u00e9m atingiram o Pantanal em 2020. Naquele ano, esse bioma teve um encolhimento da superf\u00edcie h\u00eddrica 34% acima do que a m\u00e9dia anual, segundo trabalho publicado em julho por pesquisadores, incluindo Arag\u00e3o e a cientista Liana Anderson, outra autora do trabalho sobre a Amaz\u00f4nia. Assim como na floresta tropical, no Pantanal os inc\u00eandios foram uma consequ\u00eancia da intensifica\u00e7\u00e3o das atividades humanas relacionadas ao fogo. Dos focos de queimadas em 2020, 70% ocorreram em propriedades rurais, 5% em Terras Ind\u00edgenas e 10% em \u00e1reas protegidas, como mostrou a pesquisa, que tamb\u00e9m recebeu apoio da FAPESP. Segundo Liana Anderson, a principal a\u00e7\u00e3o de curto prazo para diminuir o risco de inc\u00eandios florestais na Amaz\u00f4nia \u00e9 extinguir o desmatamento ilegal na regi\u00e3o e atacar os problemas de grilagem de terras. \u201cConcomitante a isso, a capacita\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas para manejo da terra livre do uso do fogo s\u00e3o cruciais para minimizar o risco crescente de grandes inc\u00eandios. Tanto a paisagem cada vez mais fragmentada como um clima mais quente e com menos chuvas levam ao aumento da flamabilidade\u201d, diz a cientista. O pesquisador Celso Silva-Junior destaca a situa\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, zona de transi\u00e7\u00e3o entre o bioma amaz\u00f4nico e o Cerrado e que tamb\u00e9m experimentou\u00a0um aumento de 18% em focos de calor entre janeiro e setembro deste ano comparado ao mesmo per\u00edodo em 2021. \u201cAssim como observado em nosso artigo, a atividade recente do fogo nessa regi\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada ao desmatamento, induzido n\u00e3o somente pelos retrocessos ambientais federais, mas tamb\u00e9m aos retrocessos em n\u00edvel estadual.\u201d Impactos O fogo est\u00e1 entre os principais tipos de dist\u00farbios respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, com impactos negativos na estrutura e din\u00e2mica da floresta. Esses efeitos podem comprometer os estoques de carbono e a capacidade das \u00e1rvores de capturar CO2. Os inc\u00eandios afetam ainda a sa\u00fade de moradores da regi\u00e3o, acentuando a polui\u00e7\u00e3o do ar e levando a interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Relat\u00f3rio produzido pelo Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade (Ieps) em parceria com o Ipam Amaz\u00f4nia e a Human Rights Watch indicou que as queimadas associadas ao desmatamento na Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5224,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-5222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}