{"id":4748,"date":"2021-09-23T13:23:37","date_gmt":"2021-09-23T16:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=4748"},"modified":"2021-09-23T13:23:37","modified_gmt":"2021-09-23T16:23:37","slug":"manual-de-libras-para-ciencias-inova-no-ensino-cientifico-para-surdos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2021\/09\/23\/manual-de-libras-para-ciencias-inova-no-ensino-cientifico-para-surdos\/","title":{"rendered":"Manual de libras para ci\u00eancias inova no ensino cient\u00edfico para surdos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras-0-1140.jpg\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras-0-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras-0-1140-250x141.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras-0-1140-700x394.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras-0-1140-120x67.jpg 120w\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"wp-caption\">\n<p>&#8220;Ci\u00eancia&#8221;, em libras<\/p>\n<p class=\"media-credits\">L\u00e9o Ramos Chaves<\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um grupo composto por docentes e egressos da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI) se uniu para criar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Manual de libras para ci\u00eancias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, um e-book com representa\u00e7\u00f5es em sinais de termos espec\u00edficos sobre partes das c\u00e9lulas e dos sistemas do corpo humano. No Brasil, existem 10 milh\u00f5es de pessoas com algum grau de surdez, o que representa cerca de 5% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O problema se desdobra para al\u00e9m das dificuldades auditivas, porque a falta de estrutura especializada leva a uma defici\u00eancia de oportunidades desde a inf\u00e2ncia. Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em conjunto com a Semana da Acessibilidade Surda, em 2019, demonstrou que a escolaridade m\u00e9dia desse grupo est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia nacional. Segundo a pesquisa, 7% dos surdos t\u00eam ensino superior completo, 15% terminaram o ensino m\u00e9dio, 46% o ensino fundamental e 32% n\u00e3o t\u00eam nenhum grau de instru\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo, essas propor\u00e7\u00f5es s\u00e3o, respectivamente, de 16,5%, 26,9%, 8,1% (fundamental completo), 33,1% (fundamental incompleto) e 6,9%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC) do IBGE de 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro volume do novo manual<\/span><a href=\"https:\/\/www.ufpi.br\/arquivos_download\/arquivos\/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A c\u00e9lula e o corpo humano<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, foi lan\u00e7ado em agosto e disponibilizado gratuitamente na internet. O e-book apresenta cerca de 300 novos sinais que n\u00e3o existiam antes na L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras), como \u201cgl\u00f3bulos brancos\u201d, \u201cureteres\u201d, \u201csuco pancre\u00e1tico\u201d e \u201cmeninges craniais\u201d. O livro est\u00e1 dividido em partes do corpo (sistema circulat\u00f3rio, digestivo, respirat\u00f3rio, reprodutor, entre outros) e, para cada termo, apresenta o nome em portugu\u00eas, a soletra\u00e7\u00e3o em datilologia \u2013 representa\u00e7\u00e3o em sinais das letras do alfabeto manual \u2013 e fotografias com os sinais sugeridos. A cada p\u00e1gina, ilustra\u00e7\u00f5es e textos contextualizam os assuntos.<\/span><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"alignnone generated\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-361416\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO.png\" sizes=\"(max-width: 1583px) 100vw, 1583px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO.png 1583w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO-250x77.png 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO-700x215.png 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO-1536x472.png 1536w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO-120x37.png 120w\" alt=\"\" width=\"1583\" height=\"486\" \/><span class=\"media-credits-inline\">Alexandre Affonso<\/span><\/a><\/div>\n<p><b>Sinal aberto<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Quando uma pessoa surda precisa lidar com termos t\u00e9cnicos que n\u00e3o contam com sinais espec\u00edficos em libras, ela utiliza a datilologia. Ou seja, precisa soletrar com as m\u00e3os. \u201cEm termos muito longos, isso \u00e9 desgastante tanto para o int\u00e9rprete como para o surdo\u201d, afirma a bi\u00f3loga Taiane Maria de Oliveira, que fez mestrado em biotecnologia pela UFPI e \u00e9 uma das organizadoras do manual. \u201cDessa forma, o uso de um sinal espec\u00edfico vem como alternativa mais vi\u00e1vel para auxiliar a comunica\u00e7\u00e3o de forma mais f\u00e1cil e r\u00e1pida\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDa totalidade dos sinais exibidos no manual, 85% ainda n\u00e3o existiam. Os 15% j\u00e1 existentes n\u00e3o modificamos\u201d, afirma a pedagoga Ana Cristina de Assun\u00e7\u00e3o Xavier Ferreira, professora de libras na Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e uma das colaboradoras da obra. Ela diz que, devido ao tamanho continental do Brasil, \u00e9 normal que surjam sinais dentro de comunidades de surdos que n\u00e3o se disseminam rapidamente. A inclus\u00e3o no manual de termos j\u00e1 existentes pode, justamente, ajudar nessa divulga\u00e7\u00e3o. \u201cContamos com a parceria do fisioterapeuta Igo Rodrigues Ferreira para uma explica\u00e7\u00e3o contextualizada e direcionada sobre o conte\u00fado do manual, para que a explica\u00e7\u00e3o aos surdos fosse poss\u00edvel\u201d, acrescenta, ressaltando que a equipe n\u00e3o tinha intimidade com muitos dos conceitos expostos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Justamente pela import\u00e2ncia de a comunidade surda estar aberta aos novos sinais propostos, alunos surdos do curso de letras-libras da UFPI prestaram consultoria para o trabalho. \u201cFoi imprescind\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o deles\u201d, afirma o bi\u00f3logo Jesus Rodrigues Lemos, colaborador do manual. Ele conta que quando se faz qualquer material em libras, o trabalho precisa ter a parceria dos surdos, os principais interessados e usu\u00e1rios, pois s\u00f3 assim ser\u00e1 aceito e validado na comunidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA ideia de criar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Manual de libras para ci\u00eancias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> surgiu dentro do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">campus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Parna\u00edba, que \u00e9 a segunda maior cidade do estado\u201d, conta o cientista econ\u00f4mico Ricardo Alaggio, diretor da Editora da UFPI (EDUFPI), que publicou a obra. \u201cA ideia se potencializou porque temos um curso de licenciatura em libras\/l\u00edngua portuguesa no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">campus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Teresina, um dos poucos entre as universidades federais\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDe in\u00edcio, a proposta do grupo de organizadores do manual era apresentar o material \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Piau\u00ed para que fosse adotado pelas escolas estaduais, dando \u00eanfase \u00e0 vers\u00e3o impressa\u201d, relata Ferreira. \u201cNo entanto, por causa do contexto atual da pandemia da Covid-19, tivemos que optar para o formato e-book, inclusive porque a editora estava com restri\u00e7\u00f5es ao trabalho presencial\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"alignnone generated\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-361412\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2.png\" sizes=\"(max-width: 1583px) 100vw, 1583px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2.png 1583w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2-250x81.png 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2-700x227.png 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2-1536x499.png 1536w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO2-120x39.png 120w\" alt=\"\" width=\"1583\" height=\"514\" \/><span class=\"media-credits-inline\">Alexandre Affonso<\/span><\/a><\/div>\n<p>Segundo o bi\u00f3logo Bruno Iles, um dos organizadores do livro, o manual foi criado para as turmas de oitavo ano do ensino fundamental. \u201c\u00c9 uma forma pr\u00e1tica para que elas possam entender os sinais e us\u00e1-los durante as aulas\u201d, diz. De acordo com ele, o mesmo conte\u00fado pode ser abordado em outras s\u00e9ries e at\u00e9 mesmo no ensino superior, porque ainda n\u00e3o h\u00e1 material similar no Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A equipe do Piau\u00ed n\u00e3o foi a \u00fanica a notar a necessidade de sinais espec\u00edficos para surdos. O grupo da fisioterapeuta Nilza Nascimento Guimar\u00e3es, da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), investigou as dificuldades de alunos surdos no processo de ensino e aprendizagem de anatomia em cursos de gradua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da sa\u00fade, por meio de entrevistas com docentes e int\u00e9rpretes de libras. \u201cEm todos os aspectos, alunos, professores e int\u00e9rpretes concordaram que a maior dificuldade ocorreu pela falta de sinais espec\u00edficos para a anatomia\u201d, informa o artigo <\/span><a href=\"https:\/\/rsdjournal.org\/index.php\/rsd\/article\/view\/3478\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">publicado em abril deste ano na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Research, Society and Development<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA experi\u00eancia em lecionar para alunos surdos me levou a criar uma linha de pesquisa nessa \u00e1rea\u201d, conta Guimar\u00e3es. \u201cPercebemos que, por n\u00e3o haver sinais para a terminologia m\u00e9dica, a tradu\u00e7\u00e3o pelos int\u00e9rpretes tornava-se complexa e lenta. Ocorria um atraso imenso no tempo da aula e a aprendizagem dos alunos surdos era dif\u00edcil, levando muitos a desistir dos cursos. Os entrevistados em nossa pesquisa relataram que realizar um sinal espec\u00edfico seria muito mais r\u00e1pido do que usar datilologia.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fisioterapeuta e seus colegas trabalham no desenvolvimento do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Dicion\u00e1rio de sinaliza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica de m\u00e3os para c\u00f3digos e terminologia m\u00e9dica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que ser\u00e1 um comp\u00eandio reunindo sinais j\u00e1 existentes e sugerindo outros. \u201cEstamos investigando o que existe em outros idiomas e criando um banco de sinais para a n\u00f4mina anat\u00f4mica\u201d, afirma ela. \u201cVamos nos basear na etimologia das palavras e utilizar par\u00e2metros lingu\u00edsticos estabelecidos cientificamente.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como Guimar\u00e3es pretende que ele possa ser usado internacionalmente, o dicion\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 ancorado em libras. \u201cA palavra cora\u00e7\u00e3o, por exemplo, pode ser traduzida para o idioma ingl\u00eas como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">heart<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, mas o termo original <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">cordis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 compreendido aqui e nos Estados Unidos\u201d, exemplifica. \u201cAssim, os termos cient\u00edficos em l\u00ednguas de sinais podem ser universais\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o de sinais para o dicion\u00e1rio ser\u00e1 descrito em um artigo cient\u00edfico, que a equipe da UFG est\u00e1 agora preparando. \u201cOs sinais criados ser\u00e3o apresentados \u00e0 comunidade surda, validados, aprovados e somente depois disso ser\u00e3o divulgados para os int\u00e9rpretes e estudantes com surdez\u201d, planeja Guimar\u00e3es. Uma vez pronto, o dicion\u00e1rio ser\u00e1 disponibilizado de forma digital e impressa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"alignnone generated\"><b><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-361420\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3.png\" sizes=\"(max-width: 1583px) 100vw, 1583px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3.png 1583w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3-250x77.png 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3-700x215.png 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3-1536x472.png 1536w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/SITE_Libras_NOVO3-120x37.png 120w\" alt=\"\" width=\"1583\" height=\"486\" \/><span class=\"media-credits-inline\">Alexandre Affonso<\/span><\/a><\/b><\/div>\n<p><b>Repercuss\u00e3o<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSoube do manual da UFPI por meio de um membro surdo de nosso grupo de pesquisa, o Leandro Torres, docente de libras do Instituto Federal de Bras\u00edlia\u201d, conta Guimar\u00e3es. \u201c\u00c9 excelente, muito bem elaborado e completo. Virou uma das fontes de consulta que utilizamos para nossos trabalhos daqui. N\u00f3s o citamos e consultamos os sinais que j\u00e1 existem nele para n\u00e3o duplicarmos ou criarmos algo j\u00e1 estabelecido\u201d, afirma ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A recep\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora evidencia a demanda para esse tipo de material. \u201cO livro tem mais de 2 mil downloads. Recebemos v\u00e1rios pedidos de bibliotecas de outras universidades federais pedindo para incluir o livro em seus reposit\u00f3rios digitais\u201d, afirma Alaggio. Ele planeja retomar o projeto de imprimir o livro quando a pandemia passar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO manual est\u00e1 tendo uma expressividade nacional maior at\u00e9 do que esper\u00e1vamos\u201d, diz a pedagoga Rosemary Meneses dos Santos, que completa o time de organizadores do livro. \u201cTivemos um contato do estado da Para\u00edba, por exemplo, cogitando a possibilidade de adot\u00e1-lo como recurso did\u00e1tico oficial na rede municipal da capital, mas o processo ainda est\u00e1 em discuss\u00e3o\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UaOwZxuPsXM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A boa recep\u00e7\u00e3o \u00e9 estimulante para continuar o trabalho, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 um planejamento de uma poss\u00edvel cole\u00e7\u00e3o. Por enquanto, a equipe est\u00e1 concentrada em produzir o segundo volume, dedicado \u00e0 bot\u00e2nica. \u201cA ideia ser\u00e1 facilitar a compreens\u00e3o de \u00e1reas b\u00e1sicas e fundamentais, como morfologia e taxonomia vegetal de angiospermas\u201d, antecipa Rodrigues Lemos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com essas iniciativas, o Brasil come\u00e7a a abrir as portas do conhecimento t\u00e9cnico para sua popula\u00e7\u00e3o surda. Iniciativas do tipo s\u00e3o mais abundantes em l\u00edngua inglesa, com destaque para o <\/span><a href=\"https:\/\/aslcore.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">ASLCore<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, um projeto do Instituto T\u00e9cnico Nacional para os Surdos dos Estados Unidos que inclui mais de mil sinais em 10 \u00e1reas do conhecimento. <\/span><\/p>\n<p class=\"bibliografia separador-bibliografia\"><strong>Livro e artigo cient\u00edfico<\/strong><br \/>\nILES, B. <em>et al.<\/em> <a href=\"https:\/\/www.ufpi.br\/arquivos_download\/arquivos\/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Manual de libras para ci\u00eancias: A c\u00e9lula e o corpo humano<\/a>. Teresina: Editora da Universidade Federal do Piau\u00ed, 2019.<br \/>\nGUIMAR\u00c3ES, N. N. <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/rsdjournal.org\/index.php\/rsd\/article\/view\/3478\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Difficulties encountered by hearing impaired students, teachers and interpreters of the Brazilian Sign Language in teaching-learning human anatomy in higher education courses<\/a>. <strong>Research, Society and Development<\/strong>. v. 9, n. 6. 21 abr. 2020.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\"> licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/manual-de-libras-para-ciencias-inova-no-ensino-cientifico-para-surdos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>\n<p><script>var img = new Image(); img.src='https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/republicacao_frame?id=361404&referer=' + window.location.href;<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ci\u00eancia&#8221;, em libras L\u00e9o Ramos Chaves Um grupo composto por docentes e egressos da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI) se uniu para criar o Manual de libras para ci\u00eancias, um e-book com representa\u00e7\u00f5es em sinais de termos espec\u00edficos sobre partes das c\u00e9lulas e dos sistemas do corpo humano. No Brasil, existem 10 milh\u00f5es de pessoas com algum grau de surdez, o que representa cerca de 5% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O problema se desdobra para al\u00e9m das dificuldades auditivas, porque a falta de estrutura especializada leva a uma defici\u00eancia de oportunidades desde a inf\u00e2ncia. Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em conjunto com a Semana da Acessibilidade Surda, em 2019, demonstrou que a escolaridade m\u00e9dia desse grupo est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia nacional. Segundo a pesquisa, 7% dos surdos t\u00eam ensino superior completo, 15% terminaram o ensino m\u00e9dio, 46% o ensino fundamental e 32% n\u00e3o t\u00eam nenhum grau de instru\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo, essas propor\u00e7\u00f5es s\u00e3o, respectivamente, de 16,5%, 26,9%, 8,1% (fundamental completo), 33,1% (fundamental incompleto) e 6,9%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC) do IBGE de 2018. O primeiro volume do novo manual, A c\u00e9lula e o corpo humano, foi lan\u00e7ado em agosto e disponibilizado gratuitamente na internet. O e-book apresenta cerca de 300 novos sinais que n\u00e3o existiam antes na L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras), como \u201cgl\u00f3bulos brancos\u201d, \u201cureteres\u201d, \u201csuco pancre\u00e1tico\u201d e \u201cmeninges craniais\u201d. O livro est\u00e1 dividido em partes do corpo (sistema circulat\u00f3rio, digestivo, respirat\u00f3rio, reprodutor, entre outros) e, para cada termo, apresenta o nome em portugu\u00eas, a soletra\u00e7\u00e3o em datilologia \u2013 representa\u00e7\u00e3o em sinais das letras do alfabeto manual \u2013 e fotografias com os sinais sugeridos. A cada p\u00e1gina, ilustra\u00e7\u00f5es e textos contextualizam os assuntos.\u00a0 &nbsp; Alexandre Affonso Sinal aberto Quando uma pessoa surda precisa lidar com termos t\u00e9cnicos que n\u00e3o contam com sinais espec\u00edficos em libras, ela utiliza a datilologia. Ou seja, precisa soletrar com as m\u00e3os. \u201cEm termos muito longos, isso \u00e9 desgastante tanto para o int\u00e9rprete como para o surdo\u201d, afirma a bi\u00f3loga Taiane Maria de Oliveira, que fez mestrado em biotecnologia pela UFPI e \u00e9 uma das organizadoras do manual. \u201cDessa forma, o uso de um sinal espec\u00edfico vem como alternativa mais vi\u00e1vel para auxiliar a comunica\u00e7\u00e3o de forma mais f\u00e1cil e r\u00e1pida\u201d, defende. \u201cDa totalidade dos sinais exibidos no manual, 85% ainda n\u00e3o existiam. Os 15% j\u00e1 existentes n\u00e3o modificamos\u201d, afirma a pedagoga Ana Cristina de Assun\u00e7\u00e3o Xavier Ferreira, professora de libras na Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e uma das colaboradoras da obra. Ela diz que, devido ao tamanho continental do Brasil, \u00e9 normal que surjam sinais dentro de comunidades de surdos que n\u00e3o se disseminam rapidamente. A inclus\u00e3o no manual de termos j\u00e1 existentes pode, justamente, ajudar nessa divulga\u00e7\u00e3o. \u201cContamos com a parceria do fisioterapeuta Igo Rodrigues Ferreira para uma explica\u00e7\u00e3o contextualizada e direcionada sobre o conte\u00fado do manual, para que a explica\u00e7\u00e3o aos surdos fosse poss\u00edvel\u201d, acrescenta, ressaltando que a equipe n\u00e3o tinha intimidade com muitos dos conceitos expostos. Justamente pela import\u00e2ncia de a comunidade surda estar aberta aos novos sinais propostos, alunos surdos do curso de letras-libras da UFPI prestaram consultoria para o trabalho. \u201cFoi imprescind\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o deles\u201d, afirma o bi\u00f3logo Jesus Rodrigues Lemos, colaborador do manual. Ele conta que quando se faz qualquer material em libras, o trabalho precisa ter a parceria dos surdos, os principais interessados e usu\u00e1rios, pois s\u00f3 assim ser\u00e1 aceito e validado na comunidade.\u00a0 \u201cA ideia de criar o Manual de libras para ci\u00eancias surgiu dentro do campus de Parna\u00edba, que \u00e9 a segunda maior cidade do estado\u201d, conta o cientista econ\u00f4mico Ricardo Alaggio, diretor da Editora da UFPI (EDUFPI), que publicou a obra. \u201cA ideia se potencializou porque temos um curso de licenciatura em libras\/l\u00edngua portuguesa no campus de Teresina, um dos poucos entre as universidades federais\u201d, afirma. \u201cDe in\u00edcio, a proposta do grupo de organizadores do manual era apresentar o material \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Piau\u00ed para que fosse adotado pelas escolas estaduais, dando \u00eanfase \u00e0 vers\u00e3o impressa\u201d, relata Ferreira. \u201cNo entanto, por causa do contexto atual da pandemia da Covid-19, tivemos que optar para o formato e-book, inclusive porque a editora estava com restri\u00e7\u00f5es ao trabalho presencial\u201d, explica. &nbsp; Alexandre Affonso Segundo o bi\u00f3logo Bruno Iles, um dos organizadores do livro, o manual foi criado para as turmas de oitavo ano do ensino fundamental. \u201c\u00c9 uma forma pr\u00e1tica para que elas possam entender os sinais e us\u00e1-los durante as aulas\u201d, diz. De acordo com ele, o mesmo conte\u00fado pode ser abordado em outras s\u00e9ries e at\u00e9 mesmo no ensino superior, porque ainda n\u00e3o h\u00e1 material similar no Brasil. A equipe do Piau\u00ed n\u00e3o foi a \u00fanica a notar a necessidade de sinais espec\u00edficos para surdos. O grupo da fisioterapeuta Nilza Nascimento Guimar\u00e3es, da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), investigou as dificuldades de alunos surdos no processo de ensino e aprendizagem de anatomia em cursos de gradua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da sa\u00fade, por meio de entrevistas com docentes e int\u00e9rpretes de libras. \u201cEm todos os aspectos, alunos, professores e int\u00e9rpretes concordaram que a maior dificuldade ocorreu pela falta de sinais espec\u00edficos para a anatomia\u201d, informa o artigo publicado em abril deste ano na revista Research, Society and Development.\u00a0 \u201cA experi\u00eancia em lecionar para alunos surdos me levou a criar uma linha de pesquisa nessa \u00e1rea\u201d, conta Guimar\u00e3es. \u201cPercebemos que, por n\u00e3o haver sinais para a terminologia m\u00e9dica, a tradu\u00e7\u00e3o pelos int\u00e9rpretes tornava-se complexa e lenta. Ocorria um atraso imenso no tempo da aula e a aprendizagem dos alunos surdos era dif\u00edcil, levando muitos a desistir dos cursos. Os entrevistados em nossa pesquisa relataram que realizar um sinal espec\u00edfico seria muito mais r\u00e1pido do que usar datilologia.\u201d\u00a0 A fisioterapeuta e seus colegas trabalham no desenvolvimento do Dicion\u00e1rio de sinaliza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica de m\u00e3os para c\u00f3digos e terminologia m\u00e9dica, que ser\u00e1 um comp\u00eandio reunindo sinais j\u00e1 existentes e sugerindo outros. \u201cEstamos investigando o que existe em outros idiomas e criando um banco de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4531,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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