{"id":3033,"date":"2020-06-04T06:10:47","date_gmt":"2020-06-04T09:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=3033"},"modified":"2020-06-04T06:10:47","modified_gmt":"2020-06-04T09:10:47","slug":"5-documentarios-acessiveis-na-netflix-para-entender-os-protestos-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2020\/06\/04\/5-documentarios-acessiveis-na-netflix-para-entender-os-protestos-nos-eua\/","title":{"rendered":"5 document\u00e1rios acess\u00edveis na Netflix para entender os protestos nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/estilo-de-vida\/5-documentarios-acessiveis-na-netflix-para-entender-os-protestos-nos-eua\/\">Fonte: EXAME<\/a><\/p>\n<p>Por <a class=\"author-element\" href=\"https:\/\/exame.com\/autor\/guilherme-dearo\"><span class=\"author-element\">Guilherme Dearo<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"article-subtitle\">Document\u00e1rios como &#8220;A 13\u00aa Emenda&#8221;, da diretora Ava DuVernay, s\u00e3o boas introdu\u00e7\u00f5es aos temas raciais para quem deseja entender os protestos nos EUA<\/p>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-9\">\n<div class=\"article-author\">\n<p>Estados Unidos, 1937. O poeta e ativista Abel Meeropol, chocado com uma fotografia de 1930 feita por Lawrence Beitler que mostra dois negros enforcados em uma \u00e1rvore no sul dos Estados Unidos, linchados e mortos por uma multid\u00e3o branca enfurecida, escreve \u201cStrange Fruit\u201d, poema-protesto sobre os linchamentos raciais nos EUA. Os homens eram J. Thomas e Abraham S. Smith e estavam presos, ainda esperando por um processo formal de acusa\u00e7\u00e3o e julgamento, quando foram retirados de suas celas em Marion, Indiana.<\/p>\n<p>Estados Unidos, 1939. A cantora negra americana Billie Holiday, uma das grandes vozes da <strong><a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00fasica<\/a><\/strong> no s\u00e9culo 20, grava a can\u00e7\u00e3o \u201cStrange Fruit\u201d, sobre \u201ccorpos negros balan\u00e7ando na brisa sulista, estranhas frutas penduradas nos \u00e1lamos\u201d. A audi\u00eancia branca pouca entendia o significado por tr\u00e1s da m\u00fasica. Para muitos dos casais que assistiam \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es de Holiday, a can\u00e7\u00e3o era rom\u00e2ntica e falava de namorados abra\u00e7ados e apaixonados.<\/p>\n<p>4 de abril de 1968. Martin Luther King, ativista pol\u00edtico negro e Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1964, \u00e9 assassinado em uma varanda em Memphis, alvejado por um tiro \u00e0 dist\u00e2ncia dado por James Earl Ray, um homem branco que acreditava que os protestos incentivados por King eram propositais para enfraquecer o pa\u00eds pol\u00edtico e economicamente.<\/p>\n<p>1989. <a href=\"https:\/\/exame.com\/estilo-de-vida\/oscar-2019-uma-premiacao-engajada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Spike Lee<\/a>, nome iniciante no cinema americano, lan\u00e7a \u201cDo The Right Thing\u201d, filme que o leva aos holofotes. Na hist\u00f3ria, o personagem negro interpretado por Bill Nunn \u00e9 morto enforcado por um policial branco, em uma ocorr\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o banal. A morte gera um levante no bairro nova-iorquino do Brooklyn e escancara as divis\u00f5es pol\u00edticas e raciais entre brancos e negros.<\/p>\n<p>23 de fevereiro de 2020. Ahmaud Arbery, 25 anos, \u00e9 morto a tiros por dois homens brancos, pai e filho, enquanto praticava <em>jogging<\/em> em uma rua de Brunswick, Georgia. Um v\u00eddeo revelado posteriormente, crucial para a investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, mostrou que a dupla perseguiu Arbery por muitos metros. Os criminosos alegaram que pensavam que Arbery era um ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>25 de maio de 2020. Suspeito de comprar cigarros com uma nota falsa, George Floyd \u00e9 abordado pelo policial Derek Chauvin, em Minneapolis. Ele discute com o policial, mas \u00e9 algemado e fica deitado no ch\u00e3o. O policial coloca o joelho sobre o pesco\u00e7o de Floyd por mais de oito minutos. Floyd avisa que n\u00e3o consegue respirar, mas n\u00e3o adianta. Acaba morrendo. Pedestres gravam todo o incidente. Protestos contra o racismo e o assassinato de negros por agentes da lei tomam conta de dezenas de cidades nos EUA e no mundo.<\/p>\n<p>O problema racial nos Estados Unidos, de passado escravocrata e segregacionista, \u00e9 complexo e vem de s\u00e9culos. Das <em>plantations<\/em> no sul do pa\u00eds \u00e0 Guerra Civil que op\u00f4s estados do Norte contra a escravid\u00e3o e estados sulistas favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do regime, passando pelos movimentos civis por direitos e pelo fim da segrega\u00e7\u00e3o racial nos anos 1950 e 1960 e por l\u00edderes como Martin Luther King, Rosa Parks, Angela Davis e Malcolm X, a quest\u00e3o vem sendo debatido h\u00e1 anos atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, protestos, teses, programas de TV, livros, filmes e m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Tudo isso remete, agora, \u00e0s <a href=\"https:\/\/exame.com\/mundo\/policiais-se-juntam-aos-protestos-nos-estados-unidos-veja-fotos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">manifesta\u00e7\u00f5es intensas que tomaram conta dos Estados Unidos<\/a> e ecoaram em diversos cidades do mundo. A morte de Floyd foi o estopim para protestos que, h\u00e1 d\u00e9cadas, apontam para o racismo pouco velado nos EUA e para a viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>Confira cinco document\u00e1rios e s\u00e9ries documentais dispon\u00edveis na <strong><a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/netflix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Netflix<\/a><\/strong> para entender mais sobre a quest\u00e3o racial nos Estados Unidos, a brutalidade policial e a nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"col-lg-9\">\n<div class=\"article-author\">\n<h3><\/h3>\n<h3>A 13\u00aa Emenda<\/h3>\n<p><em>Dire\u00e7\u00e3o de Ava DuVernay<\/em><\/p>\n<p>A diretora de fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rios Ava DuVernay parte de algumas estat\u00edsticas alarmantes para compor seu document\u00e1rio de 2016 \u201c13th\u201d, indicado ao Oscar e premiado com o Emmy. Entre 1980 e 2015, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria americana passou de 500 mil para 2,2 milh\u00f5es de pessoas, um aumento de mais de 200%. Nesse per\u00edodo, a taxa de criminalidade americana n\u00e3o caiu na mesma propor\u00e7\u00e3o, mas caiu pela metade (de 10.2 assassinatos por 100 mil habitantes em 1980 para 5.0 assassinatos por 100 mil habitantes em 2018). Contudo, \u00e9 imposs\u00edvel dizer que tais pris\u00f5es s\u00e3o \u00fanico e diretamente respons\u00e1veis pela queda acentuada de crimes no per\u00edodo. Outro n\u00famero que chamou a aten\u00e7\u00e3o de DuVernay: os negros correspondem a cerca de 13% da popula\u00e7\u00e3o americana, mas homens negros representam 37% dos presos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A partir disso, a diretora analisa como a 13\u00aa emenda da Constitui\u00e7\u00e3o americana, criada logo ap\u00f3s o fim da Guerra Civil americana e do fim da escravid\u00e3o no pa\u00eds, garantiu, nas entrelinhas, a perpetua\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do povo negro no pa\u00eds e como isso, s\u00e9culos depois, reflete no encarceramento em massa de negros e a viol\u00eancia policial direcionada a essa popula\u00e7\u00e3o. O item garantia a liberdade aos negros, mas dizia que havia exce\u00e7\u00e3o para aqueles que tinham cometido algum crime. Em uma sociedade onde dificilmente a justi\u00e7a tratava com isen\u00e7\u00e3o os escravos e os negros, esses voltaram imediatamente para a pris\u00e3o e come\u00e7aram a fazer trabalhos for\u00e7ados (algo altamente lucrativo nos s\u00e9culos 20 e 21, como o filme mostra, ao tratar da privatiza\u00e7\u00e3o de pris\u00f5es e das empresas que lucram com o trabalho desses condenados). \u201cA 13\u00aa Emenda\u201d traz depoimentos de Barack Obama, Angela Davis, Bryan Stevenson e outros e tamb\u00e9m analisa como a chamada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, iniciada com Ronald Reagan, tamb\u00e9m levou \u00e0 pris\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>Leia o livro <a href=\"https:\/\/www.record.com.br\/produto\/estarao-as-prisoes-obsoletas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cEstar\u00e3o as Pris\u00f5es Obsoletas?\u201d, de Angela Davis<\/a>, que aborda pontos comuns ao document\u00e1rio e discute a forma\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es americanas, sua configura\u00e7\u00e3o racial e como elas n\u00e3o resistem \u00e0s novas pol\u00edticas do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3034 size-medium\" title=\"A 13\u00aa Emenda\" src=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ava-DuVernay-13th-Documentary-Netflix-300x187.jpg\" alt=\"A 13\u00aa Emenda\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-9\">\n<div class=\"article-author\">\n<h3>Time: The Kalief Browder Story<\/h3>\n<p><em>Criado por Jenner Furst, Julia Willoughby Nason e Nick Sandow<\/em><\/p>\n<p>A s\u00e9rie documental em seis epis\u00f3dios, de 2017, conta a hist\u00f3ria do jovem americano Kalief Browder. Preso em 2009 aos 16 anos, acusado de roubo de uma mochila, ele ficou de 2010 a 2013 preso, j\u00e1 que sua fam\u00edlia n\u00e3o podia pagar, inicialmente, os 900 d\u00f3lares de fian\u00e7a. Browder ficou preso em Rikers Island por mais de tr\u00eas anos sem julgamento formal. Na pris\u00e3o, sofreu espancamentos, abusos sexuais e mentais e chegou a ficar na solit\u00e1ria por dois anos. Acabou solto, j\u00e1 que n\u00e3o foram encontradas provas contra ele. Dois anos depois de ser libertado, cometeu suic\u00eddio.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie mostra toda a problem\u00e1tica racial no sistema policial, judicial e carcer\u00e1rio americano e esmi\u00fa\u00e7a toda a pol\u00eamica em torno da investiga\u00e7\u00e3o contra Browder e, depois, a investiga\u00e7\u00e3o sobre as irregularidades do processo contra ele e tamb\u00e9m do tempo que passou preso e sofreu abusos, aparentemente sem prote\u00e7\u00e3o e devidas a\u00e7\u00f5es dos agentes prisionais.<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>Leia o <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=14482\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">romance de 1974 \u201cSe a Rua Beale Falasse\u201d<\/a>, do escritor negro americano James Baldwin, sobre um jovem negro preso falsamente acusado por um policial. O livro de Baldwin explora o amor entre jovens e levanta quest\u00f5es como racismo e injusti\u00e7a na Nova York dos anos 1970. O livro virou filme em 2018, dirigido por Barry Jenkins, e levou um Oscar pela atua\u00e7\u00e3o de Regina King.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3035 size-medium\" title=\"Time: The Kalief Browder Story\" src=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/kalief-300x157.jpg\" alt=\"Time: The Kalief Browder Story\" width=\"300\" height=\"157\" \/><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-9\">\n<div class=\"article-author\">\n<h3>Strong Island<\/h3>\n<p><em>Dire\u00e7\u00e3o de Yance Ford<\/em><\/p>\n<p>Em tom intimista, a diretora negra americana Yance Ford conta em \u201cStrong Island\u201d, document\u00e1rio de 2017 indicado ao Oscar, a hist\u00f3ria de seu irm\u00e3o William Ford Jr., assassinado em 1992 aos 24 anos, em um crime que acabou impune. Em abril de 1992, William, um professor em Long Island, Nova York, foi morto por Mark. P. Reilly, um mec\u00e2nico automotivo branco de 19 anos. Os dois teriam discutido quando William questionou a qualidade do reparo feito por Mark no carro da namorada. Desarmado, William levou um tiro de rifle no peito. Posteriormente, um j\u00fari em Suffolk County composto s\u00f3 por pessoas brancas inocentou Mark, que alegou autodefesa.<\/p>\n<p>Yance Ford explora, d\u00e9cadas depois, como o crime afetou sua m\u00e3e e sua fam\u00edlia. Ela passou anos revisitando arquivos pessoais, fotos e not\u00edcias de jornal para recontar a hist\u00f3ria do irm\u00e3o e refletir sobre a parcialidade da justi\u00e7a americana e o racismo nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>Leia o <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Democracy-Black-Still-Enslaves-American-ebook\/dp\/B00WCXJIN8\/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&amp;qid=&amp;sr=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro \u201cDemocracy in Black\u201d, de Eddie S. Glaude Jr.<\/a>, professor da Universidade de Princeton e presidente do Departamento de Estudos Afro-Americanos da universidade. Em <em>Democracy in Black: How Race Still Enslaves the American Soul,\u00a0<\/em>Glaude analisa a situa\u00e7\u00e3o racial nos EUA ap\u00f3s os dois mandatos de Barack Obama e reflete sobre os sonhos n\u00e3o correspondidos ap\u00f3s a presid\u00eancia hist\u00f3rica. O pensador reflete sobre racismo, supremacia branca e viol\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3036 size-medium\" title=\"Strong Island\" src=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/strong-island-1300x998-1-300x230.jpg\" alt=\"Strong Island\" width=\"300\" height=\"230\" \/><\/p>\n<\/div>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/div>\n<h4><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"row\">\n<h3>Um Crime Americano<\/h3>\n<p><em>Dire\u00e7\u00e3o de Daniel Lindsay e T.J. Martin<\/em><\/p>\n<p>\u201cLA 92\u201d, filme de 2017, explora um momento hist\u00f3rico da cidade de Los Angeles: os protestos e ondas de viol\u00eancia que tomaram conta da cidade em 1992. O estopim para a explos\u00e3o em massa que provocou passeatas, embates, inc\u00eandios e destrui\u00e7\u00e3o foi o caso de Rodney King, trabalhador de constru\u00e7\u00e3o civil. Em 3 de mar\u00e7o de 1991, King, negro, foi violentamente detido e espancado por policiais brancos ap\u00f3s ser acusado de dirigir em alta velocidade. A a\u00e7\u00e3o policial foi capturada em v\u00eddeo. Em abril de 1992, um j\u00fari de maioria branca absolveu os policiais. A injusti\u00e7a deu in\u00edcio a uma guerra racial na cidade, que durou tr\u00eas dias e terminou com 58 mortes, 2.800 feridos, 3.100 com\u00e9rcios destru\u00eddos e preju\u00edzos de mais de US$ 1 bilh\u00e3o.\u00a0 Posteriormente, Rodney King recebeu uma indeniza\u00e7\u00e3o de US$ 3,8 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio, premiado com o Emmy, esmi\u00fa\u00e7a atrav\u00e9s de imagens de arquivo a onda de protestos, mais de duas d\u00e9cadas depois, e faz uma liga\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio de 1992 com outros momentos da hist\u00f3ria americana, como os \u201cProtestos Watts\u201d de 1965, a elei\u00e7\u00e3o de Tom Bradley em 1973 e o assassinato da menina Latasha Harlins, em 1991.<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>A tens\u00e3o racial na Calif\u00f3rnia estava alta nos anos 1990. O caso de Rodney King teve influ\u00eancia direta no julgamento do ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson, preso em 1994 sob acusa\u00e7\u00e3o de matar sua ex-mulher e outro homem. Ele acabou inocentado, em um j\u00fari com muitas pessoas negras. Her\u00f3i nacional, Simpson e seu advogado convenceram o p\u00fablico de que aquele era, mais uma vez, o caso de um negro sendo falsamente acusado pela justi\u00e7a. Tal fator racial no julgamento \u00e9 explorado no <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt5275892\/?ref_=nv_sr_srsg_0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">document\u00e1rio da ESPN \u201cO.J. \u2013 Made In America\u201d<\/a>, ganhador de um Oscar, e na primeira temporada da s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o \u201cAmerican Crime Story\u201d, onde Cuba Gooding Jr. encarna Simpson.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3037 size-medium\" title=\"Um Crime Americano\" src=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/LA92-300x200.jpg\" alt=\"Um Crime Americano\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<\/div>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>The Force<\/h3>\n<div class=\"row\">\n<p>The Force<em>Dire\u00e7\u00e3o de Peter Nicks<\/em><\/p>\n<p>O document\u00e1rio de 2017, premiado no Festival de Sundance, traz o ponto de vista das for\u00e7as policiais para falar de racismo, machismo, viol\u00eancia policial e criminalidade. O diretor Peter Nicks conta a hist\u00f3ria da pol\u00edcia de Oakland, Calif\u00f3rnia, que passa por uma profunda reforma ap\u00f3s press\u00e3o federal e um explosivo caso de abuso sexual. O departamento policial local tenta mudar ap\u00f3s esc\u00e2ndalos e press\u00e3o social, aumentando a investiga\u00e7\u00e3o sobre policiais acusados de m\u00e1 conduta.<\/p>\n<p>O filme mostra que, enquanto a cidade enfrentava altas taxas de criminalidade, a for\u00e7a policial se envolvia em esc\u00e2ndalos de viol\u00eancia e prostitui\u00e7\u00e3o. Seria poss\u00edvel mudar esse quadro, partindo das entranhas da justi\u00e7a?<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>Veja o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=V9P4R8TYs8A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">filme \u201cO \u00d3dio que Voc\u00ea Semeia\u201d<\/a>, dirigido em 2018 por George Tillman, Jr., baseado no romance da escritora negra Angie Thomas. A hist\u00f3ria gira em torno de Starr Carter, adolescente negra que vive entre duas realidades: a viol\u00eancia de seu bairro e a escola de elite que frequenta. Ela acaba sendo testemunha de um assassinato de seu amigo Khalil, morto por um policial.<\/p>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3038 size-medium\" title=\"The Force\" src=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/merlin_142506159_24401980-d6b0-481c-a291-38e32a4d501e-superJumbo-300x169.jpg\" alt=\"The Force\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/estilo-de-vida\/5-documentarios-acessiveis-na-netflix-para-entender-os-protestos-nos-eua\/\">Fonte: EXAME<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: EXAME Por Guilherme Dearo &nbsp; Document\u00e1rios como &#8220;A 13\u00aa Emenda&#8221;, da diretora Ava DuVernay, s\u00e3o boas introdu\u00e7\u00f5es aos temas raciais para quem deseja entender os protestos nos EUA Estados Unidos, 1937. O poeta e ativista Abel Meeropol, chocado com uma fotografia de 1930 feita por Lawrence Beitler que mostra dois negros enforcados em uma \u00e1rvore no sul dos Estados Unidos, linchados e mortos por uma multid\u00e3o branca enfurecida, escreve \u201cStrange Fruit\u201d, poema-protesto sobre os linchamentos raciais nos EUA. Os homens eram J. Thomas e Abraham S. Smith e estavam presos, ainda esperando por um processo formal de acusa\u00e7\u00e3o e julgamento, quando foram retirados de suas celas em Marion, Indiana. Estados Unidos, 1939. A cantora negra americana Billie Holiday, uma das grandes vozes da m\u00fasica no s\u00e9culo 20, grava a can\u00e7\u00e3o \u201cStrange Fruit\u201d, sobre \u201ccorpos negros balan\u00e7ando na brisa sulista, estranhas frutas penduradas nos \u00e1lamos\u201d. A audi\u00eancia branca pouca entendia o significado por tr\u00e1s da m\u00fasica. Para muitos dos casais que assistiam \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es de Holiday, a can\u00e7\u00e3o era rom\u00e2ntica e falava de namorados abra\u00e7ados e apaixonados. 4 de abril de 1968. Martin Luther King, ativista pol\u00edtico negro e Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1964, \u00e9 assassinado em uma varanda em Memphis, alvejado por um tiro \u00e0 dist\u00e2ncia dado por James Earl Ray, um homem branco que acreditava que os protestos incentivados por King eram propositais para enfraquecer o pa\u00eds pol\u00edtico e economicamente. 1989. Spike Lee, nome iniciante no cinema americano, lan\u00e7a \u201cDo The Right Thing\u201d, filme que o leva aos holofotes. Na hist\u00f3ria, o personagem negro interpretado por Bill Nunn \u00e9 morto enforcado por um policial branco, em uma ocorr\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o banal. A morte gera um levante no bairro nova-iorquino do Brooklyn e escancara as divis\u00f5es pol\u00edticas e raciais entre brancos e negros. 23 de fevereiro de 2020. Ahmaud Arbery, 25 anos, \u00e9 morto a tiros por dois homens brancos, pai e filho, enquanto praticava jogging em uma rua de Brunswick, Georgia. Um v\u00eddeo revelado posteriormente, crucial para a investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, mostrou que a dupla perseguiu Arbery por muitos metros. Os criminosos alegaram que pensavam que Arbery era um ladr\u00e3o. 25 de maio de 2020. Suspeito de comprar cigarros com uma nota falsa, George Floyd \u00e9 abordado pelo policial Derek Chauvin, em Minneapolis. Ele discute com o policial, mas \u00e9 algemado e fica deitado no ch\u00e3o. O policial coloca o joelho sobre o pesco\u00e7o de Floyd por mais de oito minutos. Floyd avisa que n\u00e3o consegue respirar, mas n\u00e3o adianta. Acaba morrendo. Pedestres gravam todo o incidente. Protestos contra o racismo e o assassinato de negros por agentes da lei tomam conta de dezenas de cidades nos EUA e no mundo. O problema racial nos Estados Unidos, de passado escravocrata e segregacionista, \u00e9 complexo e vem de s\u00e9culos. Das plantations no sul do pa\u00eds \u00e0 Guerra Civil que op\u00f4s estados do Norte contra a escravid\u00e3o e estados sulistas favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do regime, passando pelos movimentos civis por direitos e pelo fim da segrega\u00e7\u00e3o racial nos anos 1950 e 1960 e por l\u00edderes como Martin Luther King, Rosa Parks, Angela Davis e Malcolm X, a quest\u00e3o vem sendo debatido h\u00e1 anos atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, protestos, teses, programas de TV, livros, filmes e m\u00fasicas. Tudo isso remete, agora, \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es intensas que tomaram conta dos Estados Unidos e ecoaram em diversos cidades do mundo. A morte de Floyd foi o estopim para protestos que, h\u00e1 d\u00e9cadas, apontam para o racismo pouco velado nos EUA e para a viol\u00eancia policial. Confira cinco document\u00e1rios e s\u00e9ries documentais dispon\u00edveis na Netflix para entender mais sobre a quest\u00e3o racial nos Estados Unidos, a brutalidade policial e a nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es. &nbsp; A 13\u00aa Emenda Dire\u00e7\u00e3o de Ava DuVernay A diretora de fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rios Ava DuVernay parte de algumas estat\u00edsticas alarmantes para compor seu document\u00e1rio de 2016 \u201c13th\u201d, indicado ao Oscar e premiado com o Emmy. Entre 1980 e 2015, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria americana passou de 500 mil para 2,2 milh\u00f5es de pessoas, um aumento de mais de 200%. Nesse per\u00edodo, a taxa de criminalidade americana n\u00e3o caiu na mesma propor\u00e7\u00e3o, mas caiu pela metade (de 10.2 assassinatos por 100 mil habitantes em 1980 para 5.0 assassinatos por 100 mil habitantes em 2018). Contudo, \u00e9 imposs\u00edvel dizer que tais pris\u00f5es s\u00e3o \u00fanico e diretamente respons\u00e1veis pela queda acentuada de crimes no per\u00edodo. Outro n\u00famero que chamou a aten\u00e7\u00e3o de DuVernay: os negros correspondem a cerca de 13% da popula\u00e7\u00e3o americana, mas homens negros representam 37% dos presos do pa\u00eds. A partir disso, a diretora analisa como a 13\u00aa emenda da Constitui\u00e7\u00e3o americana, criada logo ap\u00f3s o fim da Guerra Civil americana e do fim da escravid\u00e3o no pa\u00eds, garantiu, nas entrelinhas, a perpetua\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do povo negro no pa\u00eds e como isso, s\u00e9culos depois, reflete no encarceramento em massa de negros e a viol\u00eancia policial direcionada a essa popula\u00e7\u00e3o. O item garantia a liberdade aos negros, mas dizia que havia exce\u00e7\u00e3o para aqueles que tinham cometido algum crime. Em uma sociedade onde dificilmente a justi\u00e7a tratava com isen\u00e7\u00e3o os escravos e os negros, esses voltaram imediatamente para a pris\u00e3o e come\u00e7aram a fazer trabalhos for\u00e7ados (algo altamente lucrativo nos s\u00e9culos 20 e 21, como o filme mostra, ao tratar da privatiza\u00e7\u00e3o de pris\u00f5es e das empresas que lucram com o trabalho desses condenados). \u201cA 13\u00aa Emenda\u201d traz depoimentos de Barack Obama, Angela Davis, Bryan Stevenson e outros e tamb\u00e9m analisa como a chamada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, iniciada com Ronald Reagan, tamb\u00e9m levou \u00e0 pris\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o negra. Complemento Leia o livro \u201cEstar\u00e3o as Pris\u00f5es Obsoletas?\u201d, de Angela Davis, que aborda pontos comuns ao document\u00e1rio e discute a forma\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es americanas, sua configura\u00e7\u00e3o racial e como elas n\u00e3o resistem \u00e0s novas pol\u00edticas do s\u00e9culo 21. &nbsp; Time: The Kalief Browder Story Criado por Jenner Furst, Julia Willoughby Nason e Nick Sandow A s\u00e9rie documental em seis epis\u00f3dios, de 2017, conta a hist\u00f3ria do jovem americano Kalief Browder. 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