{"id":2612,"date":"2020-03-06T16:48:05","date_gmt":"2020-03-06T19:48:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/?p=2612"},"modified":"2020-03-06T16:48:05","modified_gmt":"2020-03-06T19:48:05","slug":"nucleo-de-pratica-juridica-necessidade-implementacao-e-diferencial-qualitativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/2020\/03\/06\/nucleo-de-pratica-juridica-necessidade-implementacao-e-diferencial-qualitativo\/","title":{"rendered":"N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica: necessidade, implementa\u00e7\u00e3o e diferencial qualitativo"},"content":{"rendered":"<h3><strong>N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica: necessidade, implementa\u00e7\u00e3o e diferencial qualitativo<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.professorvladmirsilveira.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/2706-8563-1-PB.pdf\">Clique aqui para acessar<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Revista Jur\u00eddica Cesumar.<\/strong><\/p>\n<p><em>Center of Legal Practice:necessity, implementation and qualitative diferential<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/vladmiroliveiradasilveira.com.br\/curriculo\/\"><strong>Vladmir Silveira<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Samyra Naspolini Sanches<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Resumo<\/strong><\/h2>\n<p>A presente pesquisa tem por objeto o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica (NPJ) e visa responder sobre a necessidade dele na forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito, como pode se dar sua implementa\u00e7\u00e3o e quais os diferenciais qualitativos de sua execu\u00e7\u00e3o. Trata-se de um estudo descritivo e explorat\u00f3rio, realizado com base na pesquisa bibliogr\u00e1fica e hist\u00f3rica, servindo-se do m\u00e9todo indutivo.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>Ensino jur\u00eddico. Educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica. Diretrizes curriculares. Curso de Direito.<\/p>\n<h2><strong><em>Abstract<\/em><\/strong><\/h2>\n<p><em>The present research has as its object the Center of Legal Practice (NPJ) and aims to answer the need of it in the formation of Bachelor of Law, how may occur your implementation and what are the execution differential qualitatives. Because this was a descriptive, exploratory study will be conducted based on bibliographical and history research, using the inductive method.<\/em><\/p>\n<p><strong>Keywords: <\/strong><em>Legal teaching. Legal Education. Center for legal practice. Curriculum guidelines. Law school.<\/em><\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O ensino jur\u00eddico no Brasil, recentemente denominado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, apresenta s\u00e9rios problemas desde seus prim\u00f3rdios, e as cr\u00edticas que recebe v\u00e3o desde a metodologia ao pr\u00f3prio conhecimento disseminado em sala de aula.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que tal problem\u00e1tica se insere no quadro geral da educa\u00e7\u00e3o superior em nosso pa\u00eds, mas n\u00e3o \u00e9 esse assunto o escopo do presente trabalho, merecendo estudo espec\u00edfico para uma abordagem adequada.<\/p>\n<p>Segundo Rodrigues (2000, p. 16), \u201ca realidade do ensino jur\u00eddico no Brasil \u00e9 que ele n\u00e3o forma, <em>deforma<\/em>\u201d (grifo do autor). Apesar de o Direito encontrar-se entre os cursos mais procurados no vestibular e de formar todos os anos um n\u00famero de bachar\u00e9is superior ao que o mercado de trabalho pode absorver, existe uma reclama\u00e7\u00e3o generalizada por bons profissionais. Isso se explica em grande parte pela m\u00e1 qualidade do ensino jur\u00eddico. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio reformul\u00e1-lo. Essa \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o geral\u201d. (RODRIGUES, 2000, p. 16). Em estudo espec\u00edfico sobre o assunto, Unger (2001, pp. 1-29) conclui enfaticamente:<\/p>\n<p>O problema do ensino de Direito no Brasil \u00e9 um caso extremo. Como est\u00e1 n\u00e3o presta. N\u00e3o presta, nem para ensinar os estudantes a exercer o Direito, em qualquer de suas vertentes profissionais, nem para formar pessoas que possam melhorar o n\u00edvel da discuss\u00e3o dos nossos problemas, das nossas institui\u00e7\u00f5es e das pol\u00edticas p\u00fablicas. Representa um desperd\u00edcio, maci\u00e7o e duradouro, de muitos dos nossos melhores talentos. E frustra os que, como alunos ou professores, participam nele: quanto mais s\u00e9rios, mais frustrados.<\/p>\n<p>No contexto da educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a presente pesquisa ter\u00e1 por objeto o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica (NPJ), objetivando responder sobre a necessidade de sua exist\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito, sobre como ocorre sua implementa\u00e7\u00e3o e quais os diferenciais qualitativos de sua execu\u00e7\u00e3o. Por tratar-se de estudo descritivo e explorat\u00f3rio, ser\u00e1 realizado com base na pesquisa bibliogr\u00e1fica e hist\u00f3rica, utilizando-se do m\u00e9todo indutivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>1 Considera\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre o ensino jur\u00eddico no Brasil<\/strong><\/h2>\n<p>Segundo P\u00f4rto (2000), o in\u00edcio da grande reforma do ensino jur\u00eddico no Brasil foi desencadeado pela Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia e Ensino Jur\u00eddico, criada em agosto de 1991 pelo Conselho Federal da OAB, por iniciativa de seu presidente \u00e0 \u00e9poca, Marcello Laven\u00e8re Machado. Encarregada de diagnosticar a situa\u00e7\u00e3o do ensino jur\u00eddico e apresentar propostas de solu\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o era composta pelos professores Paulo Luiz Neto L\u00f4bo (coordenador), Roberto Armando Ramos de Aguiar (relator), \u00c1lvaro Villa\u00e7a Azevedo, Edmundo Lima de Arruda J\u00fanior, Jos\u00e9 Geraldo de Sousa J\u00fanior e S\u00e9rgio Ferraz.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o decidiu iniciar seus trabalhos a partir do \u201cdi\u00e1logo criativo com os autores, pensadores, professores e pesquisadores que nos \u00faltimos anos v\u00eam refletindo e formulando propostas significativas acerca dos problemas do ensino jur\u00eddico\u201d (OAB, 1992, p. 7), sendo a consulta realizada em forma de question\u00e1rio dirigido \u00e0queles que desenvolveram vasta produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica preocupada com as quest\u00f5es atinentes ao ensino jur\u00eddico. Todos os caminhos apontavam para o diagn\u00f3stico de uma \u201ccrise\u201d (RODRIGUES, 1993).<\/p>\n<p>As respostas constitu\u00edram um completo raio-X da situa\u00e7\u00e3o e foram publicadas em 1992, na primeira de uma s\u00e9rie de obras da Comiss\u00e3o sobre o tema, com o t\u00edtulo de <em>OAB Ensino Jur\u00eddico: diagn\u00f3sticos, perspectivas e propostas<\/em>.<\/p>\n<p>O mapeamento revelou que se tratava de uma \u201ccrise\u201d maior do que a imaginada.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, percebeu-se que, tradicionalmente, no Brasil, o curr\u00edculo m\u00ednimo termina por converter-se no m\u00e1ximo e \u00e9, em geral, composto de mat\u00e9rias codificadas \u2013 ou seja, dogm\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O ensino do Direito com base em manuais que reproduzem o paradigma dogm\u00e1tico da ci\u00eancia jur\u00eddica se transforma em uma educa\u00e7\u00e3o conservadora e tradicional, a qual, a partir do estudo abstrato das normas jur\u00eddicas, desconhece as reais necessidades sociais,\u00a0restringindo-se \u00e0 an\u00e1lise da validade de tais normas e olvidando por\u00a0completo as quest\u00f5es de sua efic\u00e1cia e legitimidade.<\/p>\n<p>Observou-se que era mantida, outrossim, a tradi\u00e7\u00e3o dos cursos jur\u00eddicos p\u00e1trios, de total aliena\u00e7\u00e3o e despolitiza\u00e7\u00e3o (FARIA, 1987), em que, para estudar a lei, s\u00e3o deixadas de lado quest\u00f5es de suma import\u00e2ncia para o pa\u00eds, tais como: corrup\u00e7\u00e3o, impunidade, direitos humanos e meio ambiente, para citar alguns exemplos.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o para a cidadania, que o estudo do Direito necessariamente deveria abordar, bem como o combate \u00e0s formas de opress\u00e3o e exclus\u00e3o na sociedade brasileira exigem \u201cuma cultura jur\u00eddica capaz de ir ao encontro da realidade social, de imagin\u00e1-la e constru\u00ed-la como direito\u201d (UNGER, 2001, pp. 1-29). Mas isso, como se p\u00f4de constatar, n\u00e3o era estimulado de nenhuma maneira nas faculdades.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es did\u00e1tico-pedag\u00f3gicas, o ensino jur\u00eddico realizava-se basicamente com a mesma metodologia da \u00e9poca de sua cria\u00e7\u00e3o \u2013 a aula-confer\u00eancia. Tamb\u00e9m conhecida como \u201caula coimbr\u00e3\u201d, numa alus\u00e3o ao m\u00e9todo praticado na Universidade de Coimbra, em Portugal, a aula-confer\u00eancia caracteriza-se por ser expositiva e ministrada a um elevado n\u00famero de alunos em uma mesma sala de aula.<\/p>\n<p>O conte\u00fado da aula normalmente se resumia a coment\u00e1rios de C\u00f3digos por meio do m\u00e9todo dedutivo (RODRIGUES, 1993). As faculdades de Direito foram consideradas \u201ccomo redutos de uma transmiss\u00e3o arcaica do saber jur\u00eddico, empreendida, quase sempre, por profissionais bem-sucedidos e indiferentes \u00e0s modernas exig\u00eancias pedag\u00f3gicas e metodol\u00f3gicas\u201d (WARAT; CUNHA, 1977, p. 53).<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do professor com o aluno era de estilo tradicional, sendo este considerado um recipiente vazio de conte\u00fado a ser preenchido pelo saber oriundo do professor \u2013 que \u00e9, por sua vez, o detentor do conhecimento a ser transmitido pela educa\u00e7\u00e3o formal. Tal transmiss\u00e3o autorit\u00e1ria do conhecimento gera como resposta a memoriza\u00e7\u00e3o passiva dos alunos, que pode at\u00e9 servir para a obten\u00e7\u00e3o de um t\u00edtulo\u00a0universit\u00e1rio, mas n\u00e3o os habilita a decis\u00f5es maduras e aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>Com o tempo, o conhecimento assimilado mecanicamente ser\u00e1 esquecido e, dessa forma, o aluno n\u00e3o adquire as habilidades necess\u00e1rias para desenvolver o racioc\u00ednio jur\u00eddico ou elaborar novos conhecimentos, uma vez que foi \u201ctreinado\u201d somente para ler e decorar, e n\u00e3o para ler, refletir e escrever.<\/p>\n<p>Quanto ao corpo docente, em sua maioria, os professores n\u00e3o possu\u00edam nenhum conhecimento de metodologias did\u00e1ticas ou teorias pedag\u00f3gicas. Tamb\u00e9m n\u00e3o buscavam aperfei\u00e7oar seu saber te\u00f3rico e interdisciplinar acerca do fen\u00f4meno jur\u00eddico; possu\u00edam apenas a gradua\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se interessavam por cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou de aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p>Eram escolhidos entre profissionais competentes e de renome em suas cidades e exerciam a atividade docente como um \u201cbico\u201d a proporcionar-lhes <em>status <\/em>social e favorec\u00ea-los em suas profiss\u00f5es fora da faculdade. Por isso, muitos professores n\u00e3o viviam a realidade acad\u00eamica nem se dedicavam \u00e0 pesquisa, limitando-se a ensinar o Direito da forma como aprenderam \u2013 vale dizer, mediante leitura e coment\u00e1rios aos artigos dos C\u00f3digos, adotando um ou mais livros- textos cujo conte\u00fado ser\u00e1 o \u00fanico cobrado dos alunos nas padronizadas avalia\u00e7\u00f5es (RODRIGUES, 1993).<\/p>\n<p>Assim, o ensino recebido em sala de aula era o respons\u00e1vel isolado pela forma\u00e7\u00e3o do aluno, n\u00e3o havendo qualquer atividade extraclasse que concorresse para sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O perfil do aluno-padr\u00e3o sempre foi o do acomodado. Dentre os v\u00e1rios motivos que o levam a escolher o Direito como curso superior, encontram-se, n\u00e3o raro, a falta de op\u00e7\u00e3o ou o fato de essa atividade profissional ser exercida por algum membro da fam\u00edlia. Em sua maioria, os alunos n\u00e3o frequentam bibliotecas e n\u00e3o desenvolvem trabalhos de pesquisa e\/ou extens\u00e3o.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 passar pela faculdade da maneira mais tranquila poss\u00edvel e, ao final, obter o diploma que, acreditam eles, abrir\u00e1 as portas do mercado de trabalho em um \u201cpasse de m\u00e1gica\u201d, como ocorria no in\u00edcio dos cursos jur\u00eddicos.<\/p>\n<p>O mesmo acontecia com o Est\u00e1gio de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, o qual, apesar de fundamental para a forma\u00e7\u00e3o do bacharel \u2013 n\u00e3o s\u00f3 como\u00a0advogado, mas nas outras carreiras jur\u00eddicas \u2013, resumia-se a uma atividade de fachada, relegada ao cumprimento de um servi\u00e7o assistencialista e restrito a somente algumas atividades, como o Direito de Fam\u00edlia1. Assim, a pouca forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica que havia, quando havia, restringia-se \u00e0 advocacia contenciosa, como se o curso servisse somente para formar advogados. Esse era o \u201cestado da crise\u201d do ensino jur\u00eddico no Brasil.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o, ent\u00e3o, elaborou um question\u00e1rio destinado ao Levantamento das Condi\u00e7\u00f5es dos Cursos Jur\u00eddicos no Pa\u00eds, distribu\u00eddo em todas as faculdades de Direito no segundo semestre de 1992, com o objetivo de conhecer uma realidade at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n<p>\u201cUma realidade obscurecida, mantida sob rela\u00e7\u00f5es de poder e hierarquia, cuja fun\u00e7\u00e3o social nunca foi discutida publicamente\u201d (P\u00d4RTO, 2000, p. 64). Com tal pesquisa, foi dado o primeiro passo no processo de avalia\u00e7\u00e3o dos cursos de Direito brasileiros. Os resultados e as reflex\u00f5es da Comiss\u00e3o foram reunidos no segundo livro da referida s\u00e9rie, denominado <em>OAB Ensino Jur\u00eddico: par\u00e2metros para a eleva\u00e7\u00e3o de qualidade e avalia\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>De posse dos resultados da pesquisa in\u00e9dita, a Comiss\u00e3o da OAB, em parceria com o MEC, realizou, durante o ano de 1993, quatro semin\u00e1rios com todos os interessados na transforma\u00e7\u00e3o do ensino jur\u00eddico. Os semin\u00e1rios, ocorridos em Porto Alegre, Recife, S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia, contaram com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade jur\u00eddica acad\u00eamica e profissional (P\u00d4RTO, 2000).<\/p>\n<p>Como proposta, fruto de tal processo de reflex\u00e3o, pesquisa, avalia\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o nos semin\u00e1rios, foi editada, em dezembro de 1994, a Portaria MEC n\u00ba 1.886\/94, que fixava as novas diretrizes curriculares e o conte\u00fado m\u00ednimo para os cursos jur\u00eddicos de todo o Brasil, com obrigatoriedade a partir de 1996.<\/p>\n<p>Buscando melhorar a qualidade dos cursos jur\u00eddicos, a referida\u00a0Portaria previu uma gama de mudan\u00e7as:<\/p>\n<ol>\n<li>a) exigiu dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 5 anos para os cursos jur\u00eddicos (antes eram 4);<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>b) tornou obrigat\u00f3rias as atividades de pesquisa e extens\u00e3o, denominadas atividades complementares, com no m\u00ednimo 5% e no m\u00e1ximo 10% da carga hor\u00e1ria da grade curricular;2<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>c) fixou as disciplinas consideradas obrigat\u00f3rias, divididas entre as fundamentais (com exig\u00eancia de Filosofia Jur\u00eddica, \u00c9tica ) e as profissionalizantes, deixando \u00e0 escolha dos cursos as disciplinas complementares a serem inseridas na grade, conforme as peculiaridades regionais3;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>d) disp\u00f4s sobre o acervo bibliogr\u00e1fico de cada curso, com no m\u00ednimo 10 mil volumes, al\u00e9m de peri\u00f3dicos de jurisprud\u00eancia, doutrina e legisla\u00e7\u00e3o4; e<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>e) prescreveu a obrigatoriedade da defesa de monografia de final de curso perante banca examinadora, com tema e orientador escolhidos pelo pr\u00f3prio aluno5.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O at\u00e9 ent\u00e3o chamado Est\u00e1gio de Pr\u00e1tica Forense ou Est\u00e1gio Supervisionado recebeu especial aten\u00e7\u00e3o por parte da Portaria. Inovando em rela\u00e7\u00e3o a todas as previs\u00f5es normativas anteriores, tornou- se obrigat\u00f3rio o m\u00ednimo de 300 horas de atividades, sem restringir-se \u00e0 \u00e1rea advocat\u00edcia, mas incluindo v\u00e1rias carreiras jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>O curso deveria criar um N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica para o desenvolvimento de tais atividades, incluindo as pr\u00e1ticas reais tratadas no escrit\u00f3rio- modelo, mas tamb\u00e9m as simuladas, em que o aluno vivenciaria o papel da magistratura e do Minist\u00e9rio P\u00fablico, bem como a media\u00e7\u00e3o e a\u00a0arbitragem6.<\/p>\n<p>A Portaria n\u00ba 1.886\/94 fixava um prazo de dois anos, a contar da data de sua publica\u00e7\u00e3o, para os cursos jur\u00eddicos cumprirem as determina\u00e7\u00f5es. O prazo n\u00e3o foi respeitado e, em 1996, o pr\u00f3prio MEC, pela Portaria n\u00ba 03\/96, postergou a obrigatoriedade para o ano seguinte,\u00a0J\u00e1 em 2001, pelas Portarias MEC n\u00ba 1.252\/01 e n\u00ba 1.875\/01, a monografia de final de curso foi tornada obrigat\u00f3ria apenas para alunos que tivessem iniciado o curso de Direito em 1998.<\/p>\n<p>Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) determinou que cada curso de gradua\u00e7\u00e3o deveria elaborar suas diretrizes curriculares. Tr\u00eas anos depois, em 1999, no \u00e2mbito do MEC\/ SESu, foi designada uma Comiss\u00e3o \u2013 composta pelos professores Paulo Luiz Neto L\u00f4bo, Roberto Fragale Filho, S\u00e9rgio Luiz Souza Ara\u00fajo e Loussia Musse Felix \u2013 para elaborar as novas diretrizes.<\/p>\n<p>Por entender que as diretrizes curriculares contidas na Portaria n\u00ba 1.886\/94 eram as que melhor se enquadravam no que seria necess\u00e1rio a um curso jur\u00eddico \u2013 e at\u00e9 mesmo em respeito ao processo que culminou na pr\u00f3pria Portaria \u2013, a Comiss\u00e3o manteve-as na nova proposta, realizando algumas modifica\u00e7\u00f5es, fruto do amadurecimento e da experi\u00eancia de implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em abril de 2002, a C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o Superior, pelo Parecer n\u00ba 146\/02, definiu as diretrizes curriculares de um conjunto de cursos superiores, dentre os quais o de Direito. Toda defini\u00e7\u00e3o sobre a dura\u00e7\u00e3o do curso, a carga hor\u00e1ria e o tempo de integraliza\u00e7\u00e3o curricular, bem como do est\u00e1gio e das atividades complementares, era remetida aos m\u00ednimos constantes do Parecer n\u00ba 100, de 13 de mar\u00e7o de 2002, que n\u00e3o especificava, todavia, a carga hor\u00e1ria m\u00ednima para o est\u00e1gio curricular.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o da homologa\u00e7\u00e3o do Parecer n\u00ba 146\/2002 gerou uma s\u00e9rie de protestos de v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es profissionais, dentre elas, a OAB e a Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros, al\u00e9m de entidades de representa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ensino do Direito (ABEDi), a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Estudantes de Direito (FENED) e o Col\u00e9gio Brasileiro de Faculdades de Direito. Tais protestos, baseados na perda da qualidade do ensino de Direito, fizeram com que o\u00a0ent\u00e3o Ministro da Educa\u00e7\u00e3o reabrisse a discuss\u00e3o acerca das diretrizes, paralisando o processo de valida\u00e7\u00e3o do Parecer na CES.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rias discuss\u00f5es com as entidades interessadas, o MEC publicou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004, mantendo a obrigatoriedade do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica nos moldes da Portaria n\u00ba 1.886\/94.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>2 Necessidade do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica<\/strong><\/h2>\n<p>Ainda que a ci\u00eancia jur\u00eddica seja considerada t\u00e9cnica, com a finalidade espec\u00edfica de promover a aplica\u00e7\u00e3o da lei ao caso concreto mediante a subsun\u00e7\u00e3o, o ensino do Direito, desde a implanta\u00e7\u00e3o das primeiras faculdades, em 1827, sempre privilegiou a transmiss\u00e3o de conhecimento em sala de aula.<\/p>\n<p>Sob tal vi\u00e9s, Birnfeld (2003) separa a hist\u00f3ria do est\u00e1gio curricular nos cursos jur\u00eddicos em tr\u00eas momentos: a) o que ele denomina \u201cpr\u00e9- hist\u00f3ria\u201d, que vai de 1827, com a cria\u00e7\u00e3o das faculdades de Direito, at\u00e9\u00a01972; b) de 1972 at\u00e9 a Portaria MEC n\u00ba 1.886\/94; e c) da Portaria n\u00ba\u00a01.886 at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>O que se observa no per\u00edodo \u201cpr\u00e9-hist\u00f3rico\u201d \u00e9 que nem sempre houve uma atividade \u201cpr\u00e1tica\u201d obrigat\u00f3ria. E quando houve, foi sem previs\u00e3o de carga hor\u00e1ria m\u00ednima e ocorrendo, via de regra, em sala de aula.<\/p>\n<p>As chamadas aulas pr\u00e1ticas nada mais eram do que aulas- confer\u00eancia, em que os professores passavam aos alunos modelos de peti\u00e7\u00f5es, autos findos para an\u00e1lise e exerc\u00edcios programados.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que a necessidade de um est\u00e1gio pr\u00e1tico foi imposta pelo Estatuto da OAB de 1963, em especial para os bachar\u00e9is que quisessem se inscrever nos quadros da Ordem.<\/p>\n<p>Por imperativo do Estatuto, a reforma de 1972 exigiu a implanta\u00e7\u00e3o dos chamados escrit\u00f3rios-modelo nas faculdades, onde os alunos poderiam desenvolver quest\u00f5es pr\u00e1ticas referentes \u00e0 vida real.<\/p>\n<p>A vida real, todavia, era restrita a poucos casos de assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita, os quais, por uma s\u00e9rie de exclus\u00f5es de compet\u00eancia, acabavam se resumindo ao Direito de Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a obrigatoriedade do est\u00e1gio derivava da OAB e, mesmo com sua previs\u00e3o na forma de est\u00e1gio supervisionado, por meio da reforma de 1972, n\u00e3o se estipulara uma carga hor\u00e1ria m\u00ednima para seu cumprimento. Por outro lado, as atividades em sala de aula ainda predominavam nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Dentre os problemas do ensino jur\u00eddico diagnosticados pela avalia\u00e7\u00e3o, o Est\u00e1gio de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica configurava um dos mais graves, j\u00e1 que o bacharel sa\u00eda da faculdade sem a menor no\u00e7\u00e3o do que era a pr\u00e1tica profissional, despreparado para o mercado de trabalho e desconhecedor das realidades locais e regionais.<\/p>\n<p>Lembra Rodrigues (2002, p. 29) que o Est\u00e1gio Supervisionado \u00e9 \u201cum conjunto de atividades pr\u00e1ticas, reais ou simuladas, voltadas ao campo de trabalho, no qual o profissional vai exercer suas atividades depois de formado\u201d. Para tanto, n\u00e3o poderia jamais ser confundido ou ministrado como aula expositiva.<\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, a Portaria n\u00ba 1.886\/94 foi al\u00e9m da quest\u00e3o do est\u00e1gio curricular e exigiu que este fosse acompanhado de outras atividades importantes para a forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do bacharel, tendo lugar o que se denominou N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica (NPJ). Este nasceu com a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004, que, ao subdividir a forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Fundamental, Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Profissional e Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Pr\u00e1tica, destacou neste \u00faltimo o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica. Eis o que disp\u00f5e o artigo 7\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o 7:<\/p>\n<p>Art. 7\u00ba O Est\u00e1gio Supervisionado \u00e9 componente curricular obrigat\u00f3rio, indispens\u00e1vel \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o dos desempenhos profissionais desejados, inerentes ao perfil do formando, devendo cada institui\u00e7\u00e3o, por seus colegiados pr\u00f3prios,\u00a0aprovar o correspondente regulamento, com suas diferentes modalidades de operacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba O Est\u00e1gio de que trata este artigo ser\u00e1 realizado na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, que dever\u00e1 estar estruturado e operacionalizado de acordo com regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, aprovada pelo conselho competente, podendo, em parte, contemplar conv\u00eanios com outras entidades ou institui\u00e7\u00f5es e escrit\u00f3rios de advocacia; em servi\u00e7os de assist\u00eancia judici\u00e1ria implantados na institui\u00e7\u00e3o, nos \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fablica ou ainda em departamentos jur\u00eddicos oficiais, importando, em qualquer caso, na supervis\u00e3o das atividades e na elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios que dever\u00e3o ser encaminhados \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Est\u00e1gio das IES, para a avalia\u00e7\u00e3o pertinente.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>2\u00ba As atividades de Est\u00e1gio poder\u00e3o ser reprogramadas e reorientadas de acordo com os resultados te\u00f3rico-pr\u00e1ticos gradualmente revelados pelo aluno, na forma definida na regulamenta\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, at\u00e9 que se possa consider\u00e1-lo conclu\u00eddo, resguardando, como padr\u00e3o de qualidade, os dom\u00ednios indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio das diversas carreiras contempladas pela forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. (grifo nosso) cad\u00ea?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conclui-se que a presen\u00e7a do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica nos cursos de Direito \u00e9 uma necessidade indiscut\u00edvel. Por isso, em seguida, abordaremos como ocorre sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>3 Implementa\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica<\/strong><\/h2>\n<p>Inicialmente, cumpre destacar a diferen\u00e7a entre est\u00e1gio supervisionado, escrit\u00f3rio-modelo e N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, pois, em muitas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior (IES), os tr\u00eas se sobrep\u00f5em.<\/p>\n<p>O NPJ \u00e9 um local, dentro da IES, onde se realizam as atividades\u00a0do eixo de forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, previsto na Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004.<\/p>\n<p>No escrit\u00f3rio-modelo, s\u00e3o desenvolvidas as atividades pr\u00e1ticas\u00a0reais que a lei considera como de assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita e, em algumas institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m as atividades simuladas atinentes \u00e0 advocacia. A principal cr\u00edtica feita ao est\u00e1gio restrito ao escrit\u00f3rio- modelo era que a forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica n\u00e3o era completa, uma vez que se direcionava somente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do advogado.<\/p>\n<p>J\u00e1 o est\u00e1gio supervisionado \u00e9 a atividade curricular obrigat\u00f3ria que contempla as a\u00e7\u00f5es do escrit\u00f3rio-modelo e uma s\u00e9rie de outras, todas desenvolvidas pelo e no N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica.<\/p>\n<p>O N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica \u00e9, pois, mais amplo que o escrit\u00f3rio- modelo, o qual, por sua vez, \u00e9 o <em>locus <\/em>de desenvolvimento das atividades do est\u00e1gio supervisionado.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004 prev\u00ea a exist\u00eancia do NPJ sem, contudo, detalhar sua estrutura. Assim, as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam se utilizado dos par\u00e2metros apostos pela Portaria n\u00ba 1.886\/94, a qual prev\u00ea que ele dispor\u00e1 de instala\u00e7\u00f5es adequadas para treinamento das atividades profissionais de advocacia, magistratura, Minist\u00e9rio P\u00fablico e demais profiss\u00f5es jur\u00eddicas, incluindo o atendimento ao p\u00fablico8.<\/p>\n<p>As atividades desenvolvidas devem ser exclusivamente pr\u00e1ticas, abarcando reda\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as processuais e profissionais, rotinas processuais, assist\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o em audi\u00eancias e sess\u00f5es, visitas a \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os jur\u00eddicos e t\u00e9cnicas de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, arbitragens e concilia\u00e7\u00e3o, tudo sob controle, orienta\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica 9.<\/p>\n<p>Sugere, ainda, que tais atividades podem ser complementadas por conv\u00eanios entre Defensoria P\u00fablica ou outras entidades p\u00fablicas ou privadas, ou at\u00e9 mesmo em juizados especiais, a se instalarem nas depend\u00eancias da pr\u00f3pria IES.<\/p>\n<p>Cumpridas as exig\u00eancias m\u00ednimas para o funcionamento do NPJ,\u00a0vejamos como elas podem ser executadas de maneira qualificada.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>4 Diferencial qualitativo do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica<\/strong><\/h2>\n<p>Cumpridas as exig\u00eancias m\u00ednimas para o funcionamento do NPJ e observando sua implanta\u00e7\u00e3o em todo pa\u00eds, surgem quest\u00f5es para reflex\u00e3o, a fim de aumentar a qualidade dos N\u00facleos e destacar seus diferenciais, a depender da voca\u00e7\u00e3o e do perfil do egresso de cada curso.<\/p>\n<p>Como o NPJ n\u00e3o \u00e9 uma atividade estanque em rela\u00e7\u00e3o ao restante do curso jur\u00eddico, s\u00e3o aplicados a ele o perfil do egresso e os objetivos do curso, escolhidos no respectivo projeto pedag\u00f3gico. Dessa forma, n\u00e3o se pode conceber que nos mais de mil cursos jur\u00eddicos de todo o Brasil sejam os NPJs todos iguais.<\/p>\n<p>Destarte, \u00e9 de suma import\u00e2ncia observar as caracter\u00edsticas regionais dos NPJs. Algumas \u00e1reas do Direito possuem aplica\u00e7\u00e3o semelhante em todo o Brasil, como o Direito Civil e o Penal, mas demandas locais fazem com que a pr\u00e1tica de outras \u00e1reas tenha relev\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 pedag\u00f3gica, mas social e econ\u00f4mica. Densidade populacional, problemas urbanos e migrat\u00f3rios, atividade empresarial, prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, rela\u00e7\u00e3o com o consumidor e atividade alfandeg\u00e1ria s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que determinam o perfil social e a voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de certas regi\u00f5es \u2013 o que torna importante a pr\u00e1tica do regime jur\u00eddico atinente a essas mat\u00e9rias. Pode n\u00e3o ter sentido, por exemplo, a pr\u00e1tica de Direito Ambiental em S\u00e3o Paulo, assim como seria dispens\u00e1vel a pr\u00e1tica em mercado financeiro na capital de Roraima, Boa Vista.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante para o diferencial qualitativo do NPJ s\u00e3o os docentes. Costuma-se criticar a doc\u00eancia de um advogado na \u00e1rea de Teoria Geral do Direito, sob o argumento de que ele n\u00e3o tem tempo para pesquisa. Entretanto, n\u00e3o faria sentido, num NPJ, empregar um professor de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva (40 horas) que dificilmente sabe o que\u00a0acontece no balc\u00e3o \u2013 ou seja, n\u00e3o tem a pr\u00e1tica forense. O percentual de docentes profissionais nos cursos jur\u00eddicos deveria ser alocado em sua grande parte no NPJ, pois s\u00e3o docentes que realmente possuem experi\u00eancia da pr\u00e1tica profissional para compartilhar com seus alunos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, n\u00e3o se pode contratar um profissional \u201ccl\u00ednico geral\u201d para um NPJ, pois \u00e9 desej\u00e1vel que o docente tenha pleno dom\u00ednio na milit\u00e2ncia da \u00e1rea que lhe foi atribu\u00edda para lecionar.<\/p>\n<p>Deve-se atentar, de igual modo, para que as a\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas simuladas sejam elaboradas por professores e advogados experientes, al\u00e9m de renovadas a cada semestre, evitando que venham a se converter em atividades pr\u00f3-forma, caracterizadas pela repeti\u00e7\u00e3o de casos e pe\u00e7as processuais \u2013 o que leva muitos alunos a copiar as pe\u00e7as de colegas do semestre anterior. \u00c9 o que se pode chamar \u201cpacto da pregui\u00e7a\u201d ou \u201cpacto da mediocridade\u201d, em que professores e alunos, os dois lados da rela\u00e7\u00e3o de aprendizagem, convencionam reproduzir o conte\u00fado, desperdi\u00e7ando o momento em que a pesquisa se aplica \u00e0 pr\u00e1tica. Na verdade, o conte\u00fado deveria ser renovado e melhorado o tempo todo. S\u00f3 assim \u2013 mediante uma atividade estimulante e pedag\u00f3gica \u2013 o NPJ ganharia efetividade; caso contr\u00e1rio restar\u00e1 como \u00fanico aprendizado o \u201cm\u00e9todo Lavoisier\u201d (nada se cria, tudo se transforma ou se copia).<\/p>\n<p>Caso similar acontece nas disciplinas dogm\u00e1ticas, nas quais a metodologia de ensino consiste na repeti\u00e7\u00e3o e leitura de manuais, gerando total desest\u00edmulo na frequ\u00eancia \u00e0s aulas e pesquisa acad\u00eamica. No momento da avalia\u00e7\u00e3o, basta ao aluno, depois de decorar o conte\u00fado dos manuais, repeti-lo na prova. Ali\u00e1s, Streck (1999) afirma que, em nosso pa\u00eds, estabeleceu-se uma \u201ccultura jur\u00eddica <em>standard<\/em>\u201d, na qual os manuais jur\u00eddicos oferecem ao jurista, na pr\u00e1tica de sua profiss\u00e3o, \u201csolu\u00e7\u00f5es e conceitos lexicogr\u00e1ficos\u201d, uma colet\u00e2nea de \u201c<em>pr\u00eat-\u00e0-porter <\/em>significativos\u201d que compor\u00e3o o conte\u00fado de suas peti\u00e7\u00f5es, pareceres e senten\u00e7as, \u201ccom ementas jurisprudenciais que s\u00e3o citadas, no mais das vezes, de forma descontextualizada\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, os casos simulados acarretam um problema de maior extens\u00e3o. Se no NPJ o aluno copia o modelo, na segunda fase do<\/p>\n<p>Exame da Ordem, n\u00e3o saber\u00e1 elaborar nova pe\u00e7a. Em outro momento, enquanto advogado, copiar\u00e1 a pe\u00e7a do colega. J\u00e1 na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o ent\u00e3o aluno e advogado sem criatividade tender\u00e1 ao pl\u00e1gio.<\/p>\n<p>Importa tamb\u00e9m salientar que, por tratar-se da parte do curso jur\u00eddico em que o aluno toma contato com a popula\u00e7\u00e3o, realizando verdadeira atividade de extens\u00e3o, tal oportunidade deve ser aproveitada para realizar uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o que ultrapasse os par\u00e2metros da mera assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita, para converter-se em uma experi\u00eancia mais ampla e enriquecedora tanto para ele quanto para o curso e a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Ressalte-se que nenhuma atividade do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica deve ser paga, pois a popula\u00e7\u00e3o-alvo \u00e9 carente. Ou seja, o NPJ \u00e9 o local onde o aluno convive com uma realidade social diferente da sua e ter\u00e1 contato com aspectos dessa realidade que jamais imaginou \u2013 o que confere ao N\u00facleo a importante fun\u00e7\u00e3o de sensibiliz\u00e1-lo para as desigualdades sociais com que se depara cotidianamente o profissional do Direito.<\/p>\n<p>Como enfatiza Pereira (2011, p. 6), \u201ca finalidade social desses espa\u00e7os pode avan\u00e7ar no esclarecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre os direitos, fortalecendo o processo de participa\u00e7\u00e3o popular para melhoria do funcionamento do aparato administrativo estatal\u201d. Com isso, potencializa-se o exerc\u00edcio da cidadania na comunidade em que se insere o NPJ.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 Justi\u00e7a tamb\u00e9m deve ser fun\u00e7\u00e3o do NPJ, \u201cassegurando o atendimento e assist\u00eancia judici\u00e1ria, al\u00e9m de promover a\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter educativo, destinadas a informar, esclarecer e peticionar demandas\u201d (PEREIRA, 2011, p. 7).<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O presente artigo buscou investigar a necessidade do N\u00facleo de\u00a0Pr\u00e1tica Jur\u00eddica para a forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito, como deve se\u00a0dar sua implementa\u00e7\u00e3o e quais os desafios a enfrentar para a qualidade\u00a0e excel\u00eancia das atividades ali desenvolvidas.<\/p>\n<p>Iniciou-se com uma contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica em nosso pa\u00eds, destacando o papel dos est\u00e1gios curriculares nas diversas grades e matrizes que regularam a mat\u00e9ria desde a cria\u00e7\u00e3o das primeiras faculdades de Direito no Brasil.<\/p>\n<p>No contexto da educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, constatou-se que o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica tem apresentado v\u00e1rios problemas e desafios a serem superados.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 constituir-se enquanto pr\u00e1tica jur\u00eddica real, desvencilhando-se da tradi\u00e7\u00e3o de aulas expositivas, caracterizadas principalmente por modelos de peti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 superar a limita\u00e7\u00e3o da atividade do NPJ como mera assist\u00eancia judici\u00e1ria restrita \u00e0 pr\u00e1tica advocat\u00edcia na \u00e1rea espec\u00edfica do Direito de Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Verificou-se, outrossim, que a atua\u00e7\u00e3o do NPJ \u00e9 muito mais ampla do que a realizada no escrit\u00f3rio-modelo e deve ser o <em>locus <\/em>primordial de atividades pr\u00e1ticas reais e simuladas que preparem o bacharel para enfrentar o mercado de trabalho, consciente das especificidades regionais e comprometido tanto com o acesso \u00e0 Justi\u00e7a quanto com o enfrentamento dos problemas sociais de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n<p>ADEODATO, J. M. <strong>\u00c9tica e ret\u00f3rica<\/strong>: para uma teoria da dogm\u00e1tica jur\u00eddica. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2002.<\/p>\n<p>AGUIAR, R. A. R. de. <strong>A crise da advocacia no Brasil: <\/strong>diagn\u00f3stico e perspectivas. S\u00e3o Paulo: Alfa-Omega, 1991.<\/p>\n<p>BIRNFELD, C. A. Est\u00e1gio de pr\u00e1tica jur\u00eddica: uma realidade em\u00a0constru\u00e7\u00e3o. In: <strong>ANU\u00c1RIO ABEDI. <\/strong>Florian\u00f3polis: Boiteux, 2003. pp. 63-\u00a079.<\/p>\n<p>CARLINI, A.; CERQUEIRA, D. T.; ALMEIDA FILHO, J. C. de A. (Org.).\u00a0<strong>18<\/strong><strong>0 anos do ensino jur\u00eddico no Brasil<\/strong>. Campinas, SP: Millenium,\u00a02008.<\/p>\n<p>FARIA, J. E. <strong>A reforma do ensino jur\u00eddico<\/strong>. Porto Alegre: SAFE, 1987.<\/p>\n<p>L\u00d4BO, P. L. N. Crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o externa dos cursos jur\u00eddicos.<\/p>\n<p><strong>Revist<\/strong><strong>a da OAB<\/strong>, Bras\u00edlia, DF, n. 57, pp. 21-25, maio\/mar. 1994.<\/p>\n<p>LYRA FILHO, R. <strong>O direito que se ensina errado<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: UnB,\u00a01980.<\/p>\n<p>NASPOLINI SANCHES, S.; MAILLART, A. S. Cr\u00edticas ao ensino jur\u00eddico brasileiro: aspectos epistemol\u00f3gicos, funcionais e operacionais.\u00a0\u00a0 In: CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI., 20., 2011, Belo Horizonte. <strong>Anais<\/strong>\u2026 Belo Horizonte, 2011. pp. 3963-3984.<\/p>\n<p>ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. Conselho Federal. <strong>170 anos de cursos jur\u00eddicos no Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia, DF, 1997.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Ensino jur\u00eddico<\/strong>: balan\u00e7o de uma experi\u00eancia. Bras\u00edlia, DF,\u00a02000.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Ensino jur\u00eddico<\/strong>: diagn\u00f3stico, perspectivas e propostas. Bras\u00edlia, DF, 1992.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Ensino jur\u00eddico<\/strong>: novas diretrizes curriculares. Bras\u00edlia, DF,\u00a01996.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Ensino jur\u00eddico<\/strong>: par\u00e2metros para eleva\u00e7\u00e3o de qualidade e avalia\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia, DF, 1993.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>OAB recomenda<\/strong>: um retrato dos cursos jur\u00eddicos. Bras\u00edlia, DF,\u00a02001.<\/p>\n<p>O ENSINO jur\u00eddico no Brasil. <strong>Revista da OAB<\/strong>, Bras\u00edlia, DF, v. XIV, n.\u00a029, pp. 94-110, set.\/dez. 1981.<\/p>\n<p>PEREIRA, N. C. F. O n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica no curr\u00edculo do curso de direito para o fortalecimento do acesso ao judici\u00e1rio na forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito. In: CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, 20,\u00a02011, Belo Horizonte. <strong>Anais<\/strong>\u2026 Belo Horizonte, 2011. pp. 8764-8783.<\/p>\n<p>P\u00d4RTO, I. da F. <strong>Ensino jur\u00eddico, di\u00e1logos com a imagina\u00e7\u00e3o<\/strong>:\u00a0constru\u00e7\u00e3o do projeto did\u00e1tico no ensino jur\u00eddico. Porto Alegre: SAFE,\u00a02000.<\/p>\n<p>RODRIGUES, H. W. <strong>Ensino jur\u00eddico e direito alternativo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Acad\u00eamica, 1993.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. Ensino jur\u00eddico e realidade social. <strong>Seq\u00fc\u00eancia<\/strong>, Florian\u00f3polis, n.\u00a017, pp. 77-87, dez. 1988.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Novo curr\u00edculo m\u00ednimo dos cursos jur\u00eddicos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: RTr, 1995.<\/p>\n<p><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. (Org.). <strong>Ensino jur\u00eddico para que(m)<\/strong>. Florian\u00f3polis: Boiteux,\u00a02000.<\/p>\n<p>RODRIGUES, H. W.; JUNQUEIRA, Eliane Botelho. <strong>Ensino do direito no Brasil<\/strong>: diretrizes curriculares e avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de ensino. Florian\u00f3polis: Boiteux, 2002.<\/p>\n<p>STRECK, L. L. <strong>Hermen\u00eautica jur\u00eddica e(m) crise<\/strong>: uma explora\u00e7\u00e3o\u00a0hermen\u00eautica da constru\u00e7\u00e3o do direito. Porto Alegre: Max Limonad,\u00a01999.<\/p>\n<p>UNGER, R. M. <strong>Uma nova faculdade de direito no Brasil<\/strong>. S\u00e3o Paulo: EDESP\/FGV, 2001.<\/p>\n<p>VILLELA, J. B. Ensino do direito: equ\u00edvocos e deforma\u00e7\u00f5es. <strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, Bras\u00edlia, DF, v. 3, n. 12, pp. 40-48, abr.\/jun. 1974.<\/p>\n<p>WARAT, L. A.; CUNHA, R. M. C. da. <strong>Ensino e saber jur\u00eddico<\/strong>. Rio de\u00a0Janeiro: Eldorado, 1977.<\/p>\n<p>WARAT, L. A. <em>et al<\/em>. O poder do discurso docente das escolas de direito.<\/p>\n<p><strong>Seq\u00fc\u00eancia<\/strong>, Florian\u00f3polis, v. 1, n. 2, pp. 146-152, 1980.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ANEXO 01<\/strong><\/p>\n<p><em>T<\/em><em>abela sobre a previs\u00e3o do est\u00e1gio nas diretrizes curriculares dos<\/em><\/p>\n<p><em>Cursos Jur\u00eddicos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"110\"><strong>Ano<\/strong><\/td>\n<td width=\"217\"><strong>Previs\u00e3o legal de Est\u00e1gio<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">1827<\/td>\n<td width=\"217\">Est\u00e1gio Supervisionado: Pr\u00e1tica do Processo adotado pelas leis do Imp\u00e9rio (junto com a disciplina de Teoria).<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">1891 e 1895<\/td>\n<td width=\"217\">Est\u00e1gio Supervisionado: Pr\u00e1tica Forense.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">1931<\/td>\n<td width=\"217\">Est\u00e1gio Supervisionado:\u2022 Direito Judici\u00e1rio Civil (Pr\u00e1tica)\u2022 Direito Judici\u00e1rio Penal (Pr\u00e1tica)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">1962<\/td>\n<td width=\"217\">Est\u00e1gio Supervisionado: Pr\u00e1tica Forense como conte\u00fado de Direito Judici\u00e1rio.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 03\/1972<\/td>\n<td width=\"217\">Est\u00e1gio Supervisionado: Pr\u00e1tica Forense (semcarga hor\u00e1ria definida).Sem obrigatoriedade.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">Portaria n\u00ba 1.886\/1994<\/td>\n<td width=\"217\">Pr\u00e1tica Jur\u00eddica obrigat\u00f3ria com no m\u00ednimo 300 horas-aula no N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">Parecer n\u00ba 146\/2002<\/td>\n<td width=\"217\">Pr\u00e1tica Jur\u00eddica obrigat\u00f3ria com no m\u00e1ximo15% da carga hor\u00e1ria total do curso. (Parecer n\u00ba 100\/2002).Sem obrigatoriedade do N\u00facleo de Pr\u00e1ticaJur\u00eddica.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"110\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004<\/td>\n<td width=\"217\">Pr\u00e1tica Jur\u00eddica obrigat\u00f3ria com no m\u00e1ximo15% da carga hor\u00e1ria total do curso (Parecer100\/2002).Com obrigatoriedade do N\u00facleo de Pr\u00e1ticaJur\u00eddica.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>ANEXO 02<\/strong><\/h2>\n<p><strong>PORTARIA N\u00ba 1.886, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1994<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fixa as diretrizes curriculares e o conte\u00fado m\u00ednimo do curso jur\u00eddico<\/strong><\/p>\n<p>O Ministro da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto, no uso das atribui\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, na forma do artigo 4\u00ba da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 765, de 16 de dezembro de 1994, e considerando o que foi recomendado nos Semin\u00e1rios Regionais e Nacional de Cursos Jur\u00eddicos, e pela Comiss\u00e3o de Especialistas de Ensino de Direito, da SESu-MEC, resolve:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba O curso jur\u00eddico ser\u00e1 ministrado no m\u00ednimo de 3.300 horas de atividades, cuja integraliza\u00e7\u00e3o se far\u00e1 em pelo menos cinco e no m\u00e1ximo oito anos letivos.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba O curso noturno, que observar\u00e1 o mesmo padr\u00e3o de desempenho e qualidade do curso no per\u00edodo diurno, ter\u00e1 um m\u00e1ximo di\u00e1rio de quatro horas de atividades did\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba O curso jur\u00eddico desenvolver\u00e1 atividades de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, interligadas e obrigat\u00f3rias, segundo programa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o aprovadas pela pr\u00f3pria Institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior, de forma a atender \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o fundamental, s\u00f3cio- pol\u00edtica, t\u00e9cnico-jur\u00eddica e pr\u00e1tica do bacharel em direito.<\/p>\n<p>Art. 4\u00ba Independentemente do regime acad\u00eamico que adotar o curso (seriado, cr\u00e9ditos ou outro), ser\u00e3o destinados cinco a dez por cento de carga hor\u00e1ria total para atividades complementares ajustadas entre o aluno e a dire\u00e7\u00e3o ou coordena\u00e7\u00e3o do curso, incluindo pesquisa, extens\u00e3o, semin\u00e1rios, simp\u00f3sios, congressos, confer\u00eancias, monitoria, inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e disciplinas n\u00e3o previstas no curr\u00edculo pleno .<\/p>\n<p>Art 5\u00ba Cada curso jur\u00eddico manter\u00e1 um acervo bibliogr\u00e1fico atualizado\u00a0de no m\u00ednimo dez mil volumes de obras jur\u00eddicas e de refer\u00eancia as\u00a0mat\u00e9rias do curso, al\u00e9m de peri\u00f3dicos de jurisprud\u00eancia, doutrina e\u00a0legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba O conte\u00fado m\u00ednimo do curso jur\u00eddico, al\u00e9m do est\u00e1gio, compreender\u00e1 as seguintes mat\u00e9rias, que podem estar contidas em uma ou mais disciplinas do curr\u00edculo pleno de cada curso.<\/p>\n<p>I \u2013 Fundamentais: Introdu\u00e7\u00e3o ao Direito, Filosofia (geral e jur\u00eddica), \u00c9tica (geral e profissional), Sociologia (geral e jur\u00eddica), Economia e Ci\u00eancia Pol\u00edtica (com Teoria do Estado),<\/p>\n<p>II \u2013 Profissionalizantes: Direito Constitucional, Direito Civil, Direito Administrativo, Direito Tribut\u00e1rio. Direito Penal, Direito Processual Civil, Direito Processual Penal. Direito do Trabalho, Direito Comercial e Direito Internacional.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As demais mat\u00e9rias e novos direitos ser\u00e3o inclu\u00eddos nas disciplinas em que se desdobrar o curr\u00edculo pleno de cada curso, de acordo com suas peculiaridades e com observ\u00e2ncia de interdisciplinaridade.<\/p>\n<p>Art. 7\u00ba A pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, com predomin\u00e2ncia desportiva,\u00a0observar\u00e1 a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Art. 8\u00ba A partir do 4\u00ba ano, ou do per\u00edodo letivo correspondente, e observado o conte\u00fado m\u00ednimo previsto no art. 6\u00ba, poder\u00e1 o curso concentrar-se em uma ou mais \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o, segundo suas voca\u00e7\u00f5es e demandas sociais e de mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Art. 9\u00ba Para conclus\u00e3o do curso, ser\u00e1 obrigat\u00f3ria apresenta\u00e7\u00e3o e defesa de monografia final, perante banca examinadora, com tema e orientador escolhidos pelo aluno.<\/p>\n<p>Art. 10. O est\u00e1gio de pr\u00e1tica jur\u00eddica, supervisionado pela institui\u00e7\u00e3o de ensino superior, ser\u00e1 obrigat\u00f3rio e integrante do curr\u00edculo pleno, em um total m\u00ednimo de 300 horas de atividades pr\u00e1ticas simuladas e reais desenvolvidas pelo aluno sob controle e orienta\u00e7\u00e3o do n\u00facleo correspondente.<\/p>\n<p>1\u00ba o n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica, coordenado por professores do curso,dispor\u00e1 de instala\u00e7\u00f5es adequadas para treinamento das atividades profissionais de advocacia, magistratura, Minist\u00e9rio P\u00fablico, demais profiss\u00f5es jur\u00eddicas e para atendimento ao p\u00fablico.<\/p>\n<ul>\n<li>2\u00ba As atividades de pr\u00e1tica jur\u00eddica poder\u00e3o ser complementadas mediante conv\u00eanios com a Defensoria P\u00fablica outras entidades p\u00fablicas judici\u00e1rias empresariais, comunit\u00e1rias e sindicais que possibilitem a participa\u00e7\u00e3o dos alunos na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os jur\u00eddicos e em assist\u00eancia jur\u00eddica, ou em juizados especiais que venham a ser instalados em depend\u00eancia da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o de ensino superior<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 11. As atividades do est\u00e1gio supervisionado ser\u00e3o exclusivamente pr\u00e1ticas, incluindo reda\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as processuais e profissionais, rotinas processuais, assist\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o em audi\u00eancias e sess\u00f5es, visitas a \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os jur\u00eddicos e t\u00e9cnicas de negocia\u00e7\u00f5es coletivas, arbitragens e concilia\u00e7\u00e3o, sob o controle, orienta\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Art. 12. O est\u00e1gio profissional de advocacia, previsto na Lei 8.906, de\u00a004\/07\/1994, de car\u00e1ter extracurricular, inclusive para graduados, poder\u00e1 ser oferecido pela Institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior, em conv\u00eanio com a OAB, complementando-se a carga hor\u00e1ria efetivamente cumprida no est\u00e1gio supervisionado, com atividades pr\u00e1ticas t\u00edpicas de advogado e de estudo do Estatuto da Advocacia e da OAB e do C\u00f3digo de \u00c9tica e Disciplina.\u00a0Par\u00e1grafo \u00fanico. A complementa\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria, no total estabelecido no conv\u00eanio, ser\u00e1 efetivada mediante atividades no pr\u00f3prio n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica, na Defensoria P\u00fablica, em escrit\u00f3rios de advocacia ou em setores jur\u00eddicos, p\u00fablicos ou privados, credenciados e acompanhados pelo n\u00facleo e pela OAB.<\/p>\n<p>Art. 13. O tempo do est\u00e1gio realizado em Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, do Distrito Federal ou dos Estados, na forma do artigo 145, da Lei Complementar n\u00ba 80, de 12 de janeiro de 1994, ser\u00e1 considerado para fins de carga hor\u00e1ria do est\u00e1gio curricular previsto no artigo 10 desta Portaria.<\/p>\n<p>Art. 14. As institui\u00e7\u00f5es poder\u00e3o estabelecer conv\u00eanios de interc\u00e2mbio dos alunos e docentes, com aproveitamento das respectivas atividades de ensino, pesquisa, extens\u00e3o e pr\u00e1tica jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Art. 15. Dentro do prazo de dois anos, a contar desta data, os cursos jur\u00eddicos prover\u00e3o os meios necess\u00e1rios ao integral cumprimento desta Portaria.<\/p>\n<p>Art. 16. As diretrizes curriculares desta Portaria s\u00e3o obrigat\u00f3rias aos novos alunos matriculados a partir de 1996 nos cursos jur\u00eddicos que, no exerc\u00edcio de sua autonomia, poder\u00e3o aplic\u00e1-las imediatamente.<\/p>\n<p>Art. 16 As diretrizes curriculares desta Portaria s\u00e3o obrigat\u00f3rias aos novos alunos matriculados a partir de 1997 nos cursos jur\u00eddicos que, no exerc\u00edcio de sua autonomia, poder\u00e3o aplic\u00e1-las imediatamente. (Nova Reda\u00e7\u00e3o dada pela Portaria Ministerial n\u00ba 003, de 09 de janeiro de 1996)<\/p>\n<p>Art. 17. Esta Portaria entrar\u00e1 em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, revogadas as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio, especialmente as Resolu\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>03\/72 e 15\/73 do extinto Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MUR\u00cdLIO DE AVELLAR HINGEL<\/p>\n<p><strong>ANEXO 03<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CES 9\/2004<\/strong><\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CES 9\/2004. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 1\u00ba, de<\/p>\n<p>outubro de 2004, Se\u00e7\u00e3o 1, pgs. 17 e 18. CONSELHO NACIONAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O C\u00c2MARA DE EDUCA\u00c7\u00c3O SUPERIOR<\/p>\n<p>RESOLU\u00c7\u00c3O CNE\/CES N\u00b0 9, DE 29 DE SETEMBRO DE 2004\u00a0Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em\u00a0Direito e d\u00e1 outras provid\u00eancias.<\/p>\n<p>O Presidente da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o Superior do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, no uso de suas atribui\u00e7\u00f5es legais, com fundamento no art.<\/p>\n<p>9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, al\u00ednea \u201cc\u201d, da Lei n\u00ba 4.024, de 20 de dezembro de 1961, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 9.131, de 25 de novembro de 1995, tendo em vista as diretrizes e os princ\u00edpios fixados pelos Pareceres CES\/CNE n\u00bas<\/p>\n<p>776\/97, 583\/2001, e 100\/2002, e as Diretrizes Curriculares Nacionais elaboradas pela Comiss\u00e3o de Especialistas de Ensino de Direito, propostas ao CNE pela SESu\/MEC, considerando o que consta do Parecer CES\/CNE 55\/2004 de 18\/2\/2004, reconsiderado pelo Parecer CNE\/CES 211, aprovado em 8\/7\/2004, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educa\u00e7\u00e3o em 23 de setembro de 2004,<\/p>\n<p>Resolve:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba. A presente Resolu\u00e7\u00e3o institui as Diretrizes Curriculares do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito, Bacharelado, a serem observadas pelas Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior em sua organiza\u00e7\u00e3o curricular.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba. A organiza\u00e7\u00e3o do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito, observadas as Diretrizes Curriculares Nacionais, se expressa atrav\u00e9s do seu projeto pedag\u00f3gico, abrangendo o perfil do formando, as compet\u00eancias e habilidades, os conte\u00fados curriculares, o est\u00e1gio curricular<\/p>\n<p>supervisionado, as atividades complementares, o sistema de avalia\u00e7\u00e3o, o trabalho de curso como componente curricular obrigat\u00f3rio do curso, o regime acad\u00eamico de oferta, a dura\u00e7\u00e3o do curso, sem preju\u00edzo de outros aspectos que tornem consistente o referido projeto pedag\u00f3gico.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00b0 O Projeto Pedag\u00f3gico do curso, al\u00e9m da clara concep\u00e7\u00e3o do curso de Direito, com suas peculiaridades, seu curr\u00edculo pleno e sua operacionaliza\u00e7\u00e3o, abranger\u00e1, sem preju\u00edzo de outros, os seguintes elementos estruturais:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I \u2013 concep\u00e7\u00e3o e objetivos gerais do curso, contextualizados em rela\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0s suas inser\u00e7\u00f5es institucional, pol\u00edtica, geogr\u00e1fica e social;<\/p>\n<p>II \u2013 condi\u00e7\u00f5es objetivas de oferta e a voca\u00e7\u00e3o do curso;<\/p>\n<p>III \u2013 cargas hor\u00e1rias das atividades did\u00e1ticas e da integraliza\u00e7\u00e3o do curso;<\/p>\n<p>IV \u2013 formas de realiza\u00e7\u00e3o da interdisciplinaridade; V \u2013 modos de integra\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica;<\/p>\n<p>VI \u2013 formas de avalia\u00e7\u00e3o do ensino e da aprendizagem;<\/p>\n<p>VII \u2013 modos da integra\u00e7\u00e3o entre gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, quando houver;<\/p>\n<p>VIII \u2013 incentivo \u00e0 pesquisa e \u00e0 extens\u00e3o, como necess\u00e1rio prolongamento<\/p>\n<p>da atividade de ensino e como instrumento para a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica;<\/p>\n<p>IX \u2013 concep\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o das atividades de est\u00e1gio curricular supervisionado, suas diferentes formas e condi\u00e7\u00f5es de realiza\u00e7\u00e3o, bem como a forma de implanta\u00e7\u00e3o e a estrutura do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica;<\/p>\n<p>X -concep\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o das atividades complementares; e<\/p>\n<p>XI \u2013 inclus\u00e3o obrigat\u00f3ria do Trabalho de Curso.<\/p>\n<p>2\u00ba Com base no princ\u00edpio de educa\u00e7\u00e3o continuada, as IES poder\u00e3o incluir no Projeto Pedag\u00f3gico do curso, oferta de cursos de p\u00f3s- gradua\u00e7\u00e3o lato sensu, nas respectivas modalidades, de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional.<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba. O curso de gradua\u00e7\u00e3o em Direito dever\u00e1 assegurar, no perfil do graduando, s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o geral, human\u00edstica e axiol\u00f3gica, capacidade de an\u00e1lise, dom\u00ednio de conceitos e da terminologia jur\u00eddica, adequada argumenta\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos jur\u00eddicos e sociais, aliada a uma postura reflexiva e de vis\u00e3o cr\u00edtica que fomente a capacidade e a aptid\u00e3o para a aprendizagem aut\u00f4noma e din\u00e2mica, indispens\u00e1vel ao exerc\u00edcio da Ci\u00eancia do Direito, da presta\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e do desenvolvimento da cidadania.<\/p>\n<p>Art. 4\u00ba. O curso de gradua\u00e7\u00e3o em Direito dever\u00e1 possibilitar a forma\u00e7\u00e3o profissional que revele, pelo menos, as seguintes habilidades e compet\u00eancias:<\/p>\n<p>I \u2013 leitura, compreens\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de textos, atos e documentos jur\u00eddicos ou normativos, com a devida utiliza\u00e7\u00e3o das normas t\u00e9cnico- jur\u00eddicas;<\/p>\n<p>II \u2013 interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do Direito;<\/p>\n<p>III \u2013 pesquisa e utiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, da jurisprud\u00eancia, da doutrina e de outras fontes do Direito;<\/p>\n<p>IV \u2013 adequada atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-jur\u00eddica, em diferentes inst\u00e2ncias, administrativas ou judiciais, com a devida utiliza\u00e7\u00e3o de processos, atos e procedimentos;<\/p>\n<p>V \u2013 correta utiliza\u00e7\u00e3o da terminologia jur\u00eddica ou da Ci\u00eancia do Direito;<\/p>\n<p>VI \u2013 utiliza\u00e7\u00e3o de racioc\u00ednio jur\u00eddico, de argumenta\u00e7\u00e3o, de persuas\u00e3o e\u00a0de reflex\u00e3o cr\u00edtica;<\/p>\n<p>VII \u2013 julgamento e tomada de decis\u00f5es; e<\/p>\n<p>VIII \u2013 dom\u00ednio de tecnologias e m\u00e9todos para permanente compreens\u00e3o\u00a0e aplica\u00e7\u00e3o do Direito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba. O curso de gradua\u00e7\u00e3o em Direito dever\u00e1 contemplar, em seu Projeto Pedag\u00f3gico e em sua Organiza\u00e7\u00e3o Curricular, conte\u00fados e atividades que atendam aos seguintes eixos interligados de forma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>I \u2013 Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Fundamental, tem por objetivo integrar o estudante\u00a0no campo, estabelecendo as rela\u00e7\u00f5es do Direito com outras \u00e1reas do saber, abrangendo dentre outros, estudos que envolvam conte\u00fados essenciais sobre Antropologia, Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Economia, \u00c9tica, Filosofia, Hist\u00f3ria, Psicologia e Sociologia.<\/p>\n<p>II \u2013 Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Profissional, abrangendo, al\u00e9m do enfoque dogm\u00e1tico, o conhecimento e a aplica\u00e7\u00e3o, observadas as peculiaridades dos diversos ramos do Direito, de qualquer natureza, estudados sistematicamente e contextualizados segundo a evolu\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia do Direito e sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as sociais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais do Brasil e suas rela\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo-se necessariamente, dentre outros condizentes com o projeto pedag\u00f3gico, conte\u00fados essenciais sobre Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tribut\u00e1rio, Direito Penal, Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Trabalho, Direito Internacional e Direito Processual; e<\/p>\n<p>III \u2013 Eixo de Forma\u00e7\u00e3o Pr\u00e1tica, objetiva a integra\u00e7\u00e3o entre a pr\u00e1tica e os conte\u00fados te\u00f3ricos desenvolvidos nos demais Eixos, especialmente nas atividades relacionadas com o Est\u00e1gio Curricular Supervisionado, Trabalho de Curso e Atividades Complementares.<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba. A organiza\u00e7\u00e3o curricular do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Direito estabelecer\u00e1 expressamente as condi\u00e7\u00f5es para a sua efetiva conclus\u00e3o e integraliza\u00e7\u00e3o curricular de acordo com o regime acad\u00eamico que as Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior adotarem: regime seriado anual; regime seriado semestral; sistema de cr\u00e9ditos com matr\u00edcula por disciplina ou por m\u00f3dulos acad\u00eamicos, com a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-requisitos, atendido o disposto nesta Resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 7\u00ba. O Est\u00e1gio Supervisionado \u00e9 componente curricular obrigat\u00f3rio, indispens\u00e1vel \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o dos desempenhos profissionais desejados, inerentes ao perfil do formando, devendo cada institui\u00e7\u00e3o, por seus colegiados pr\u00f3prios, aprovar o correspondente regulamento, com suas diferentes modalidades de operacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba O Est\u00e1gio de que trata este artigo ser\u00e1 realizado na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, que dever\u00e1 estar estruturado e operacionalizado de acordo com regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, aprovada pelo conselho competente, podendo, em parte, contemplar conv\u00eanios com outras entidades ou institui\u00e7\u00f5es e escrit\u00f3rios de advocacia; em servi\u00e7os de assist\u00eancia judici\u00e1ria implantados na institui\u00e7\u00e3o, nos \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fablica ou ainda em departamentos jur\u00eddicos oficiais, importando, em qualquer caso, na supervis\u00e3o das atividades e na elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios que dever\u00e3o ser encaminhados \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Est\u00e1gio das IES, para a avalia\u00e7\u00e3o pertinente.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>2\u00ba As atividades de Est\u00e1gio poder\u00e3o ser reprogramadas e reorientadas de acordo com os resultados te\u00f3rico-pr\u00e1ticos gradualmente revelados pelo aluno, na forma definida na regulamenta\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica, at\u00e9 que se possa consider\u00e1-lo conclu\u00eddo, resguardando, como padr\u00e3o de qualidade, os dom\u00ednios indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio das diversas carreiras contempladas pela forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 8\u00ba. As atividades complementares s\u00e3o componentes curriculares enriquecedores e complementadores do perfil do formando, possibilitam o reconhecimento, por avalia\u00e7\u00e3o de habilidades, conhecimento e compet\u00eancia do aluno, inclusive adquirida fora do ambiente acad\u00eamico, incluindo a pr\u00e1tica de estudos e atividades independentes, transversais, opcionais, de interdisciplinaridade, especialmente nas rela\u00e7\u00f5es com o mercado do trabalho e com as a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o junto \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A realiza\u00e7\u00e3o de atividades complementares n\u00e3o se confunde com a do Est\u00e1gio Supervisionado ou com a do Trabalho de Curso.<\/p>\n<p>Art. 9\u00ba. As Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior dever\u00e3o adotar formas espec\u00edficas e alternativas de avalia\u00e7\u00e3o, interna e externa, sistem\u00e1ticas, envolvendo todos quantos se contenham no processo do curso, centradas em aspectos considerados fundamentais para a identifica\u00e7\u00e3o do perfil do formando.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Os planos de ensino, a serem fornecidos aos alunos\u00a0antes do in\u00edcio de cada per\u00edodo letivo, dever\u00e3o conter, al\u00e9m dos\u00a0conte\u00fados e das atividades, a metodologia do processo de ensino- aprendizagem, os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o a que ser\u00e3o submetidos e a bibliografia b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Art. 10. O Trabalho de Curso \u00e9 componente curricular obrigat\u00f3rio, desenvolvido individualmente, com conte\u00fado a ser fixado pelas Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior em fun\u00e7\u00e3o de seus Projetos Pedag\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As IES dever\u00e3o emitir regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria aprovada por Conselho competente, contendo necessariamente, crit\u00e9rios, procedimentos e mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das diretrizes t\u00e9cnicas relacionadas com a sua elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 11. A dura\u00e7\u00e3o e carga hor\u00e1ria dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o ser\u00e3o estabelecidas em Resolu\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o Superior.<\/p>\n<p>Art. 12. As Diretrizes Curriculares Nacionais desta Resolu\u00e7\u00e3o dever\u00e3o ser implantadas pelas Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior, obrigatoriamente, no prazo m\u00e1ximo de dois anos, aos alunos ingressantes, a partir da publica\u00e7\u00e3o desta.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As IES poder\u00e3o optar pela aplica\u00e7\u00e3o das DCN aos demais alunos no per\u00edodo ou ano subseq\u00fcente \u00e0 publica\u00e7\u00e3o desta.<\/p>\n<p>Art. 13. Esta Resolu\u00e7\u00e3o entrar\u00e1 em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o,\u00a0ficando revogada a Portaria Ministerial n\u00ba 1.886, de 30 de dezembro de\u00a01994 e demais disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong><em>Edson de Oliveira Nunes<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Presidente da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o Superior<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>Notas<\/h2>\n<p>* \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Doutor em Direito pela PUC\/SP, professor e diretor do Centro de Pesquisa em Direito da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), professor da PUC\/SP, presidente do Conselho Nacional de Pesquisa em Direito (CONPEDI). S\u00e3o Paulo \u2013 SP <a href=\"mailto:vladmir@aus.com.br\">\u2013 Brasil. E-mail: vladmir@aus.com.br<\/a><\/p>\n<p>** \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Doutora em Direito pela PUC\/SP, professora e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Direito da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), professora do Mestrado em Direito de Ara\u00e7atuba (SP). S\u00e3o Paulo \u2013 SP <a href=\"mailto:samyra@mrsconsult.com.br\">\u2013 Brasil. E-mail: samyra@mrsconsult.com.br<\/a><\/p>\n<p>1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vide Anexo 1.<\/p>\n<p>2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigos 3\u00ba e 4\u00ba da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>3\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigo 6\u00ba da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>4\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigo 5\u00ba da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>5\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigo 9\u00ba da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>6\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigos de 10 a 13 da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Secretaria de Ensino Superior. Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 09\/2004.<\/p>\n<p>8\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigo 10 da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>9\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artigo 11 da Portaria n\u00ba 1.886\/94, em anexo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica: necessidade, implementa\u00e7\u00e3o e diferencial qualitativo &nbsp; Clique aqui para acessar &nbsp; Revista Jur\u00eddica Cesumar. Center of Legal Practice:necessity, implementation and qualitative diferential Vladmir Silveira Samyra Naspolini Sanches &nbsp; Resumo A presente pesquisa tem por objeto o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica (NPJ) e visa responder sobre a necessidade dele na forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito, como pode se dar sua implementa\u00e7\u00e3o e quais os diferenciais qualitativos de sua execu\u00e7\u00e3o. Trata-se de um estudo descritivo e explorat\u00f3rio, realizado com base na pesquisa bibliogr\u00e1fica e hist\u00f3rica, servindo-se do m\u00e9todo indutivo. Palavras-chave: Ensino jur\u00eddico. Educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica. Diretrizes curriculares. Curso de Direito. Abstract The present research has as its object the Center of Legal Practice (NPJ) and aims to answer the need of it in the formation of Bachelor of Law, how may occur your implementation and what are the execution differential qualitatives. Because this was a descriptive, exploratory study will be conducted based on bibliographical and history research, using the inductive method. Keywords: Legal teaching. Legal Education. Center for legal practice. Curriculum guidelines. Law school. Introdu\u00e7\u00e3o O ensino jur\u00eddico no Brasil, recentemente denominado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, apresenta s\u00e9rios problemas desde seus prim\u00f3rdios, e as cr\u00edticas que recebe v\u00e3o desde a metodologia ao pr\u00f3prio conhecimento disseminado em sala de aula. \u00c9 certo que tal problem\u00e1tica se insere no quadro geral da educa\u00e7\u00e3o superior em nosso pa\u00eds, mas n\u00e3o \u00e9 esse assunto o escopo do presente trabalho, merecendo estudo espec\u00edfico para uma abordagem adequada. Segundo Rodrigues (2000, p. 16), \u201ca realidade do ensino jur\u00eddico no Brasil \u00e9 que ele n\u00e3o forma, deforma\u201d (grifo do autor). Apesar de o Direito encontrar-se entre os cursos mais procurados no vestibular e de formar todos os anos um n\u00famero de bachar\u00e9is superior ao que o mercado de trabalho pode absorver, existe uma reclama\u00e7\u00e3o generalizada por bons profissionais. Isso se explica em grande parte pela m\u00e1 qualidade do ensino jur\u00eddico. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio reformul\u00e1-lo. Essa \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o geral\u201d. (RODRIGUES, 2000, p. 16). Em estudo espec\u00edfico sobre o assunto, Unger (2001, pp. 1-29) conclui enfaticamente: O problema do ensino de Direito no Brasil \u00e9 um caso extremo. Como est\u00e1 n\u00e3o presta. N\u00e3o presta, nem para ensinar os estudantes a exercer o Direito, em qualquer de suas vertentes profissionais, nem para formar pessoas que possam melhorar o n\u00edvel da discuss\u00e3o dos nossos problemas, das nossas institui\u00e7\u00f5es e das pol\u00edticas p\u00fablicas. Representa um desperd\u00edcio, maci\u00e7o e duradouro, de muitos dos nossos melhores talentos. E frustra os que, como alunos ou professores, participam nele: quanto mais s\u00e9rios, mais frustrados. No contexto da educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a presente pesquisa ter\u00e1 por objeto o N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica (NPJ), objetivando responder sobre a necessidade de sua exist\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o do bacharel em Direito, sobre como ocorre sua implementa\u00e7\u00e3o e quais os diferenciais qualitativos de sua execu\u00e7\u00e3o. Por tratar-se de estudo descritivo e explorat\u00f3rio, ser\u00e1 realizado com base na pesquisa bibliogr\u00e1fica e hist\u00f3rica, utilizando-se do m\u00e9todo indutivo. &nbsp; 1 Considera\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre o ensino jur\u00eddico no Brasil Segundo P\u00f4rto (2000), o in\u00edcio da grande reforma do ensino jur\u00eddico no Brasil foi desencadeado pela Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia e Ensino Jur\u00eddico, criada em agosto de 1991 pelo Conselho Federal da OAB, por iniciativa de seu presidente \u00e0 \u00e9poca, Marcello Laven\u00e8re Machado. Encarregada de diagnosticar a situa\u00e7\u00e3o do ensino jur\u00eddico e apresentar propostas de solu\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o era composta pelos professores Paulo Luiz Neto L\u00f4bo (coordenador), Roberto Armando Ramos de Aguiar (relator), \u00c1lvaro Villa\u00e7a Azevedo, Edmundo Lima de Arruda J\u00fanior, Jos\u00e9 Geraldo de Sousa J\u00fanior e S\u00e9rgio Ferraz. A Comiss\u00e3o decidiu iniciar seus trabalhos a partir do \u201cdi\u00e1logo criativo com os autores, pensadores, professores e pesquisadores que nos \u00faltimos anos v\u00eam refletindo e formulando propostas significativas acerca dos problemas do ensino jur\u00eddico\u201d (OAB, 1992, p. 7), sendo a consulta realizada em forma de question\u00e1rio dirigido \u00e0queles que desenvolveram vasta produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica preocupada com as quest\u00f5es atinentes ao ensino jur\u00eddico. Todos os caminhos apontavam para o diagn\u00f3stico de uma \u201ccrise\u201d (RODRIGUES, 1993). As respostas constitu\u00edram um completo raio-X da situa\u00e7\u00e3o e foram publicadas em 1992, na primeira de uma s\u00e9rie de obras da Comiss\u00e3o sobre o tema, com o t\u00edtulo de OAB Ensino Jur\u00eddico: diagn\u00f3sticos, perspectivas e propostas. O mapeamento revelou que se tratava de uma \u201ccrise\u201d maior do que a imaginada. Em primeiro lugar, percebeu-se que, tradicionalmente, no Brasil, o curr\u00edculo m\u00ednimo termina por converter-se no m\u00e1ximo e \u00e9, em geral, composto de mat\u00e9rias codificadas \u2013 ou seja, dogm\u00e1ticas. O ensino do Direito com base em manuais que reproduzem o paradigma dogm\u00e1tico da ci\u00eancia jur\u00eddica se transforma em uma educa\u00e7\u00e3o conservadora e tradicional, a qual, a partir do estudo abstrato das normas jur\u00eddicas, desconhece as reais necessidades sociais,\u00a0restringindo-se \u00e0 an\u00e1lise da validade de tais normas e olvidando por\u00a0completo as quest\u00f5es de sua efic\u00e1cia e legitimidade. Observou-se que era mantida, outrossim, a tradi\u00e7\u00e3o dos cursos jur\u00eddicos p\u00e1trios, de total aliena\u00e7\u00e3o e despolitiza\u00e7\u00e3o (FARIA, 1987), em que, para estudar a lei, s\u00e3o deixadas de lado quest\u00f5es de suma import\u00e2ncia para o pa\u00eds, tais como: corrup\u00e7\u00e3o, impunidade, direitos humanos e meio ambiente, para citar alguns exemplos. A forma\u00e7\u00e3o para a cidadania, que o estudo do Direito necessariamente deveria abordar, bem como o combate \u00e0s formas de opress\u00e3o e exclus\u00e3o na sociedade brasileira exigem \u201cuma cultura jur\u00eddica capaz de ir ao encontro da realidade social, de imagin\u00e1-la e constru\u00ed-la como direito\u201d (UNGER, 2001, pp. 1-29). Mas isso, como se p\u00f4de constatar, n\u00e3o era estimulado de nenhuma maneira nas faculdades. No que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es did\u00e1tico-pedag\u00f3gicas, o ensino jur\u00eddico realizava-se basicamente com a mesma metodologia da \u00e9poca de sua cria\u00e7\u00e3o \u2013 a aula-confer\u00eancia. Tamb\u00e9m conhecida como \u201caula coimbr\u00e3\u201d, numa alus\u00e3o ao m\u00e9todo praticado na Universidade de Coimbra, em Portugal, a aula-confer\u00eancia caracteriza-se por ser expositiva e ministrada a um elevado n\u00famero de alunos em uma mesma sala de aula. O conte\u00fado da aula normalmente se resumia a coment\u00e1rios de C\u00f3digos por meio do m\u00e9todo dedutivo (RODRIGUES, 1993). As faculdades de Direito foram consideradas \u201ccomo redutos de uma transmiss\u00e3o arcaica do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4579,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10,16],"tags":[],"class_list":["post-2612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-academicos","category-direito-educacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clientes.jusanalytics.com.br\/professor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}